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Shutdown do Governo Americano – Entendendo os impactos

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

01 out 2025

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A Notícia

A paralisação do governo federal dos Estados Unidos começou exatamente à meia-noite de 1º de outubro de 2025, após o Congresso falhar em aprovar uma medida de financiamento temporário. O ano fiscal americano encerra-se em 30 de setembro então para o novo ano fiscal que se inicia, havia a necessidade de aprovação do financiamento federal para determinados serviços e agências governamentais. O impasse orçamentário opõe as diferenças entre republicanos e democratas.

Impactos

Falando dos impactos em termos de serviços e do funcionamento da máquina pública:

  • Funcionários federais: centenas de milhares de trabalhadores serão licenciados (licença sem vencimentos) por um período indeterminado até que se chegue a um acordo. Diversos serviços e agências serão impactados, exceto serviços essenciais como segurança nacional, controle de tráfego aéreo e resposta a emergências os quais não serão afetados.

  • Serviços afetados: Parques nacionais, museus, processamento de vistos serão suspensos; inspeções de alimentos e dados econômicos críticos, como relatórios de emprego, também param temporariamente. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA continuam funcionando e as tarifas continuarão a serem arrecadadas durante a paralisação.

  • Economia e sociedade: difícil uma resposta concreta, mas estima-se que milhares de americanos sentirão os efeitos, com atrasos em benefícios como empréstimos estudantis e benefício social. Analistas preveem custos de até US$ 1 bilhão por dia em produtividade perdida.

Impactos a economia

Historicamente o impacto em termos de PIB e atividade econômica tende a ser mínimo uma vez que tradicionalmente os shutdowns tiveram uma duração reduzida. Podemos citar como potenciais impactos:

  • Atraso/incerteza em torno das divulgações de dados oficiais como por exemplo o relatório de empregos e isso pode gerar um aumento da dependência de pesquisas/dados alternativos elevando assim a incerteza em relação as ações do Fed.

  • Licenças e atrasos nos pagamentos podem afetar o consumo e o sentimento do consumidor.

  • Demissões de funcionários licenciados pode elevar a pressão sobre o mercado de trabalho e reduzir demanda agregada da economia.

  • Prêmios, pagamentos e contratações para projetos financiados pelo governo federal podem sofrer atrasos, afetando contratantes e economias locais vinculadas a desembolsos federais.

Impactos no mercado financeiro

Historicamente, não há uma correlação de fraco desempenho em bolsa com períodos de shutdown do governo. Aqui a duração do shutdown é a variável-chave uma vez que os mercados tendem a ignorar as paralisações de até 2 semanas, enquanto períodos prolongados aumentam a incerteza e tendem a ter impacto no crescimento econômico e por conseguinte no mercado financeiro. No curto prazo o aumento de incerteza tende a favorecer metais preciosos.

Impactos a setores específicos

Fazendo aqui um exercício de suposição e considerando um impacto mais prolongado de duração desse shutdown recente, podemos elencar:

  • Companhias aéreas/aeroportos: risco de atritos operacionais se as pressões de pessoal repercutirem na FAA/TSA.

  • Contratados federais: risco de tempo para prêmios/pagamentos e marcos do programa; a exposição varia de acordo com os fluxos de financiamento civil e de defesa.

  • Ativos sensíveis à taxa de juros: maior volatilidade e incerteza em relação aos dados econômicos pode dificultar a visibilidade e projeções acerca do desempenho futuro de setores mais sensíveis as taxas de juros como imobiliário, consumo discricionário, small caps, entre outros.

  • Metais preciosos: beneficiários da incerteza política e de dados.

Conclusão

Apesar de ser um evento negativo e que chama atenção pelo lado da mídia, historicamente os efeitos e impactos no mercado e economia americana foram limitados. Conforme comentamos aqui a variável chave será a duração de tal evento para mensurar possíveis impactos – aqui entendemos que um fechamento por pelo 4 semanas ou mais, como gerando efeitos mais negativos pelo incremento de incerteza, dificuldade de leitura dos dados econômicos pressionando o Fed, credibilidade de instituições e tudo isso cobrando o seu preço no mercado. Vale a ressalva que o governo federal dos EUA já sofreu mais de 20 paralisações desde 1977, que resultaram em licenças de funcionários federais e no fechamento parcial de operações não essenciais. O impasse deste ano é considerado mais grave do que as ameaças de paralisação anteriores, porque o governo Trump orientou as agências federais a se prepararem não apenas para licenças temporárias, mas também para demissões em massa permanentes de trabalhadores não essenciais e o encerramento de programas considerados não prioritários.

@willcastroalves

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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