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O Recomeço: Como passei no Level 1 do CFA

Por Tomás Roque, Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue

05 dez 2025

É muito difícil ganhar de alguém que não desiste. Após não ter passado no Level 1 do CFA em fevereiro de 2024, marquei a prova novamente em novembro do mesmo ano, e desta vez a história seria diferente. Muito mais estudo, mais questões, mais simulados. Tudo para que o resultado fosse outro. E foi.

No artigo de hoje vou explicar essa estratégia, o que fiz de diferente e como me preparei para essa prova, conseguindo passar entre os 10% melhores candidatos.

Recomeço

Recomecei. O que eu percebi é que para uma prova de 180 questões, 90 segundos para cada questão, é preciso saber fazer a prova. E talvez esse seja um dos pontos principais, que sou sortudo em ter facilidade nesse formato. Desde pequeno (3º ano do fundamental) eu me dava bem com testes, provas e atividades na sala de aula.

Fazer uma prova é muito mais que ler e reler o material que será cobrado. É preciso ter estratégia, traquejo, e, como sempre digo, um pouco de sorte. O L1 do CFA não é diferente. Saber a estrutura da prova, saber que, dificilmente, existirão questões com cálculos muito extensos (por conta do tempo), e como aumentar as chances de chutar quando tiver em dúvida fazem parte de uma prova bem-feita.

E, além de tudo isso, por ter feito pela segunda vez, eu já estava mais acostumado com o local, com a dinâmica, tempo etc. Uma coisa trivial, mas que pode atrapalhar: a garrafa de água precisa ser transparente e sem rótulo. Caso você não tenha, não vai conseguir beber água por mais de 2 horas. E durante uma prova, isso é uma eternidade. Outro ponto, se quiser levar bala ou chiclete, precisa estar fora da embalagem. E não só da embalagem grande, fora do papel que protege cada chiclete, por exemplo. Esses detalhes vão somando, e caso esteja nervoso, cada um desses pode atrapalhar seu desempenho.

A estratégia que me ajudou a passar

E para conseguir ter um bom desempenho, é necessário se preparar bastante. Isso inclui muitas aulas, questões, simulados, resumos e tudo que o candidato tem direito. Vou contar como que eu fiz esse processo. Adianto que essa não é uma fórmula mágica, não pretendo que seja isso, nem que seja a única forma de passar nessa primeira prova. A principal ideia é transmitir um pouco da minha preparação, o que funcionou para mim, e, quem sabe, ajudar futuros candidatos do CFA.

Eu gosto de estudar da seguinte maneira: Eu vejo uma aula sobre um assunto, para entender um pouco a matéria, me ambientar com os conceitos, e logo em seguida faço de 5 a 10 questões sobre essa aula. Depois de finalizar um tópico, que engloba vários assuntos (eles chamam esses assuntos de LOS, Learning Outcome Statements, que seria basicamente o que você precisa aprender sobre aquele tema), eu resolvo de 20 a 25 questões sobre o tópico todo, como Economics, Ethics, Corporate Issuers etc.

Desta forma, eu juntava a parte teórica (vídeo) com a prática (questões), consolidando mais o aprendizado. Existem mais de 90 LOS no L1, ou seja, eu fiz por volta de 900 questões após os vídeos, e mais umas 200 após cada tópico. Mas 1200 questões, apesar de parecer muito, não é o bastante. Eu digo que essa é a primeira parte. Chegando próximo da revisão, algo como 45 dias antes, praticamente não vi mais aulas, e sim só fiz questões e simulados. Devo ter feito mais umas 3000 questões, e algo 5 como simulados.

Fazer os simulados é crucial para ter um bom desempenho no teste. E não só fazer as 180 questões, mas sim fazê-las como se estivesse em um ambiente de prova, sem distrações, celular nem nada assim. Como os simulados demoram mais de 4 horas, é difícil encaixar um desses no meio da semana, por isso sempre recomendo separar pelo menos 5 finais de semanas para essa tarefa.

Mas ainda não falei da principal parte: a correção dos simulados. É nesse momento que você entende onde está bem, onde que falta estudar mais, em que parte da matéria você tem mais dificuldade. Esse processo de correção é imprescindível para que os simulados sejam aproveitados integralmente, caso contrário, as questões que você chutou e não corrigiu, provavelmente fará o mesmo na prova.

90th Percentile

Após muito estudo, chegou o dia da prova. Como já tinha feito uma vez, tive menos ansiedade, e estava mais confiante. Quando terminei as duas partes, eu sabia que tinha ido bem. Isso não quer dizer que eu tinha passado, até porque a nota é como se fosse uma média de todas as provas aplicadas entre todos os candidatos, que são diferentes. De toda forma, o sentimento foi de confiança, que só se confirmaria 8 semanas depois.

Quando está próximo do resultado, que chega via email, qualquer outra notificação que você recebe já causa uma taquicardia. E poucas coisas são mais recompensadoras do que ver no email o “congratulations”, falando que você passou no L1. E quando fui abrir o resultado completo, tive uma surpresa: estava acima do 90th percentile, ou seja, fui melhor que 90% dos candidatos. No fim do dia, isso não muda nada prático, quem passou, passou. Essa é apenas uma informação que corrobora com o sentimento que tive ao sair da prova.

Tanto que esse dado não é mais divulgado, o CFA retirou dos resultados. Agora você sabe sua nota, se passou ou se não passou. No fim do dia, isso é o que importa. Na realidade, o conhecimento é o que importa, e passar nos níveis nada mais é do que uma confirmação de que você aprendeu, pelo menos um pouco, do que era necessário para aquela situação.

Primeira batalha ganha, ainda falta a guerra

Apesar do êxito nesta prova, é apenas um terço do caminho. Sigo para fazer os próximos, certo de que a trajetória é mais importante que o destino final. Isso não significa que todo esse esforço não deva ser coroado com o CFA Charterholder, ele só não pode ser o único interesse. Pois caso ele seja, fica muito mais difícil finalizar todo esse processo e se manter motivado, além de perder um pouco o sentido, uma vez que só ter a certificação, sem o conhecimento, é como um carro bonito que não anda: apesar de chamar atenção, acaba sendo pouco útil.

Referências:

CFA® exam results and pass rates | CFA Institute

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Tomás Roque

Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue

Formado em Economia pela UNESP com distinção e extensão em Business na Tampere University – Finlândia. Possui as certificações CGA, CGE e Series 99.

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