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Ativos Digitais: da curiosidade tecnológica à prateleira dos ETFs

Por Cristiano Castro, Diretor de desenvolvimento de Negócios da BlackRock Brasil

17 out 2025

Quando a internet começou a se popularizar nos anos 1990, poucos imaginavam que ela se tornaria a espinha dorsal da economia global. O mesmo vale para o smartphone: em pouco mais de uma década, ele deixou de ser “um telefone sem fio mais esperto” para virar praticamente um controle remoto da vida moderna.

Algo parecido está acontecendo com os ativos digitais. Se no início o Bitcoin parecia uma moda passageira de nicho e hoje falamos de uma categoria que já movimenta trilhões de dólares e que atrai desde investidores individuais até grandes fundos institucionais.  E, interessantemente, sua adoção tem sido mais veloz do que a internet e o telefone celular!

Uma nova classe de ativos?

Ativos digitais — categoria que engloba criptomoedas, stablecoins e tokens vinculados a ativos reais — nasceram como uma proposta de moeda eletrônica independente de governos e bancos centrais. Mas rapidamente se expandiram para usos diversos: sistemas de pagamento globais, infraestrutura de contratos inteligentes, tokenização de ativos e até arte digital.

O Bitcoin segue como o protagonista dessa história, seja pelo limite programado de 21 milhões de unidades, seja pela sua narrativa de “ouro digital”. Mas o enredo não termina aí. O Ethereum, por exemplo, abriu caminho para contratos inteligentes e para a tokenização de ativos do mundo real.

Em outras palavras, se o Bitcoin é muitas vezes comparado ao ouro, o Ethereum pode ser visto como um sistema operacional sobre o qual uma nova geração de aplicações financeiras está sendo construída.

Bitcoin e Ethereum, que juntos concentram mais de 70% do valor de mercado da categoria, se consolidaram como os dois pilares desse ecossistema. O primeiro, pela sua característica de escassez programada e narrativa de reserva de valor; o segundo, pela capacidade de programar aplicações descentralizadas.

Ainda assim, mesmo com a rápida adoção — já são mais de 600 milhões de usuários no mundo — trata-se de uma classe em evolução, com riscos, volatilidade e incertezas que devem ser entendidos.

De carteiras digitais a ETFs

Até pouco tempo atrás, investir nesse universo exigia lidar com chaves criptográficas, corretoras pouco familiares e preocupações com custódia. Era como andar de carro sem cinto de segurança: dava para ir, mas com riscos e desconfortos.

A chegada dos ETFs de ativos digitais mudou o jogo. Agora, o investidor pode acessar Bitcoin ou Ether com a mesma naturalidade com que compra ações da Apple ou um ETF de índices globais. Custódia institucional, relatórios padronizados e negociação em bolsa resolveram parte das barreiras que afastavam o público. Não por acaso, os ETFs de bitcoin nos EUA ultrapassaram US$ 50 bilhões em ativos em menos de um ano e o maior ETF de Bitcoin do mercado americano já possui mais US$ 100 bihões investidos.

Esses ETFs resolvem três obstáculos comuns:

Assim como aconteceu com outras inovações financeiras, os ativos digitais estão passando de nicho a mainstream. ETFs são hoje uma das principais portas de entrada para essa nova fronteira, oferecendo praticidade e segurança em uma classe de ativos que, até pouco tempo atrás, parecia restrita a especialistas em tecnologia.

Para investidores brasileiros que começam a olhar para fora, entender o papel dos ativos digitais no mundo é parte da mesma jornada que já os levou a conhecer ETFs globais, fundos UCITS e outras formas de diversificação. O futuro dos ativos digitais ainda está sendo escrito. Mas uma coisa é certa: eles já fazem parte da conversa global sobre investimentos — e dificilmente sairão dela.

Fontes:

BlackRock Investment Institute. Global Outlook 2025 – Building the Transformation. Dezembro 2024 (https://www.blackrock.com/us/financial-professionals/literature/whitepaper/bitcoin-a-unique-diversifier.pdf) . BlackRock Investment Institute. Investment Perspectives. Dezembro 2024. BlackRock. Future of Finance: The Bitcoin Bridge. Janeiro 2025 (https://www.ishares.com/us/insights/digital-assets-bitcoin-etp). BlackRock. Bitcoin: A Unique Diversifier. 2024. Crypto.com. Crypto Market Sizing Report 2023. Janeiro 2024. CoinGecko. Cryptocurrency Market Data. Março 2025 (https://www.coingecko.com).  Bloomberg. Bitcoin ETF assets surpass US$100 billion. Novembro 2024. International Monetary Fund (IMF). International Financial Statistics. 2024.

Cristiano Castro

Diretor de Desenvolvimento de Negócios da BlackRock no Brasil

Cristiano é responsável pelos times de relacionamento com os clientes de Wealth Management e Institucional. Suas experiências anteriores incluem passagens pelo BNP Paribas, Goldman Sachs Asset Management, Itaú Unibanco Asset Management, Citibank, Ambev e CTIS. É mestre em Economia pelo Insper, pós-graduado em Gestão de Risco pela FIA/USP e graduado em Administração pela UNB, além de ser membro da Comissão de varejo da ANBIMA.

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