Por Rodrigo Aloi, Head de Strategy and Research na HMC Capital
06 jan 2026
O mês de novembro trouxe um lembrete importante para os mercados: volatilidade não desaparece, apenas muda de forma. O S&P 500 passou por um período de oscilação relevante, influenciado por dúvidas em torno do futuro da política monetária americana, pela concentração excessiva em ações ligadas à inteligência artificial e por episódios pontuais de estresse em outros ativos de risco.
Ainda assim, o comportamento do crédito global voltou a se diferenciar. Enquanto as bolsas oscilaram ao sabor das narrativas, o crédito seguiu cumprindo seu papel clássico: gerar renda, amortecer volatilidade e oferecer previsibilidade em um ambiente de incerteza crescente.
As análises a seguir refletem a leitura da Oaktree, que optou por manter uma postura consistente e disciplinada diante do cenário atual. Mais do que tentar antecipar movimentos de curto prazo, a gestora reforça uma mensagem simples, mas poderosa: em momentos de maior ruído macro e incerteza sobre juros, o foco deve estar em renda contratual, qualidade de crédito e controle de risco.
Essa visão se mostra particularmente relevante em um ambiente em que muitos ativos de risco ainda dependem de premissas bastante benignas para sustentar retornos futuros. O crédito, por outro lado, não exige um cenário perfeito para funcionar — basta que os emissores honrem seus compromissos.
Apesar da volatilidade recente, a economia americana segue mostrando resiliência. As estimativas do Fed de Atlanta continuam apontando crescimento próximo a 4% no terceiro trimestre, reforçando a leitura de desaceleração gradual, não de recessão iminente
Os dados do mercado de trabalho, embora afetados por atrasos e revisões devido ao shutdown do governo, ainda indicam um nível saudável de criação de empregos. Ao mesmo tempo, as expectativas em relação à política monetária oscilaram fortemente: a probabilidade de cortes de juros pelo Fed chegou a cair abaixo de 30% e, poucas semanas depois, voltou a se aproximar de 100%, refletindo a elevada incerteza em torno do cenário inflacionário e do crescimento
Na Europa, o pano de fundo segue relativamente construtivo. A inflação caminha próxima da meta e o crescimento voltou a acelerar marginalmente, criando um ambiente mais estável para o crédito, especialmente quando comparado a outros ciclos recentes
Diante desse cenário, a Oaktree reforça uma postura baseada em disciplina, seletividade e diversificação. O foco permanece em ativos de crédito de menor duration, capazes de oferecer renda elevada sem expor o portfólio a oscilações excessivas de juros ou a apostas direcionais em crescimento.
A gestora continua encontrando valor em diferentes segmentos do mercado de crédito, desde títulos corporativos de empresas bem capitalizadas até estruturas mais defensivas, lastreadas em fluxos de caixa diversificados e com níveis adicionais de proteção. O ponto central não é buscar o maior retorno possível, mas sim maximizar o carrego ajustado ao risco, evitando emissores mais frágeis que podem comprometer o desempenho em um cenário menos benigno.
Essa abordagem reflete uma convicção clara: em um mundo em que valuations de ações permanecem elevados e a trajetória dos juros segue incerta, a previsibilidade do crédito se torna um ativo em si.
Mesmo após um período prolongado de bons retornos, os fundamentos do mercado de crédito continuam saudáveis. A inadimplência no mercado de crédito de maior risco segue relativamente baixa, concentrada em setores específicos, enquanto a qualidade média dos emissores permanece elevada em termos históricos
Além disso, a demanda por ativos geradores de renda segue forte, tanto por parte de investidores institucionais quanto de veículos especializados, o que ajuda a sustentar preços e liquidez. Esse equilíbrio entre oferta e demanda tem permitido que o crédito continue oferecendo retornos interessantes sem a necessidade de assumir riscos excessivos.
Para a Oaktree, o cenário adiante ainda exige cautela. Mudanças na política monetária, tensões comerciais e ruídos políticos seguem como potenciais fontes de volatilidade. Nesse contexto, a gestora reforça a importância de limitar riscos desnecessários, manter alguma flexibilidade e priorizar investimentos capazes de gerar renda consistente independentemente da direção dos mercados.
A lógica é simples: enquanto muitos ativos dependem de quedas de juros ou expansão de múltiplos para entregar retorno, o crédito bem selecionado continua pagando seu “cupom” ao longo do caminho.
O crédito global segue cumprindo um papel essencial no portfólio do investidor que busca equilíbrio. Não se trata de ignorar ações ou outros ativos de risco, mas de reconhecer que o ambiente atual favorece estratégias que combinam renda, previsibilidade e controle de volatilidade.
Talvez o crédito não seja mais a grande barganha de alguns anos atrás, mas continua sendo uma das poucas classes capazes de oferecer retornos atraentes sem exigir apostas macro ousadas. Em um cenário de final de ciclo mais nebuloso, a mensagem da Oaktree é clara: disciplina e carrego continuam sendo virtudes difíceis de substituir.
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