Por Jane Ambachtsheer, Head Global de Sustentabilidade da BNPP AM e Jane Wadia, Head de produtos e clientes da BNPP AAM
11 dez 2025
Apesar de um período turbulento de investimentos sustentáveis, o compromisso com a sustentabilidade permanece forte na Europa e na Ásia.
Entender as tendências que estão moldando 2026 é fundamental – não apenas para gerenciar riscos, mas também para identificar novas áreas de crescimento e oportunidade. Clima e emissão zero de carbono continuam sendo a prioridade dos investidores, segundo pesquisa da Pensions for Purpose, portanto esperamos que o foco principal de investimento esteja em títulos verdes, descarbonização e soluções climáticas e naturais.
Nos últimos anos, os investidores operam em um ambiente marcado por conflitos, pressões inflacionárias, eventos climáticos extremos e crescente disrupção digital. Esses eventos, combinados com os temas de sustentabilidade de longo prazo que definem nossa década – mudança climática, perda de biodiversidade e aumento da desigualdade – estão redefinindo os riscos nos mercados de capitais e colocando a resiliência dos investimentos de longo prazo sob análise.
Paralelamente, as regulamentações relacionadas à sustentabilidade estão evoluindo, como a Diretiva Omnibus da União Europeia, que busca simplificar a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD), a Diretiva de Diligência Devida em Sustentabilidade Corporativa (CSDDD) e o Regulamento de Divulgação de Finanças Sustentáveis (SFDR).
“Compreender as tendências que moldarão 2026 é fundamental para gerir riscos e identificar oportunidades.”
No meio desse cenário em mudança, o dever da BNP Paribas Asset Management como gestora de ativos é tomar decisões de investimento bem-informadas, considerando cuidadosamente os riscos e oportunidades de sustentabilidade. Entender as tendências que moldarão 2026 é fundamental – não apenas para gerir riscos, mas também para identificar novas áreas de crescimento e oportunidade, em termos de alocação de capital e alinhamento das atividades de stewardship (gestão responsável) com o objetivo de enfrentar os riscos sistêmicos em carteiras e mercados.
Em 2026, os investidores buscarão abordar os desafios sociais e de sustentabilidade que moldam os mercados e as economias de maneira interconectada. O framework temático global da BNPP AM apoia isso, ajudando a identificar os riscos e oportunidades relacionados – e há elementos significativos a serem considerados, conforme destacado abaixo.

As mudanças demográficas, a desigualdade, a pressão sobre o capital humano, os direitos humanos e a saúde pública estão impulsionando a demanda por sistemas mais inclusivos e resilientes. Embora sejam questões complexas, elas podem gerar soluções inovadoras e novas oportunidades de investimento.
O avanço tecnológico traz tanto riscos quanto oportunidades. O desenvolvimento responsável da inteligência artificial (IA) e o fortalecimento da resiliência cibernética são importantes; ao mesmo tempo, a IA pode ser um habilitador poderoso de soluções relacionadas à sustentabilidade, oferecendo ferramentas escaláveis para enfrentar desafios ambientais. Ela também pode ajudar investidores e empresas a incorporar insights de fatores Ambientais, Sociais e de Governança (ASG) em suas decisões, aumentar a transparência e identificar valor sustentável de longo prazo.
À medida que os impactos físicos das mudanças climáticas se tornam mais evidentes, a urgência de agir aumenta. Embora a transição para uma economia de baixo carbono enfrente alguns entraves políticos e regulatórios, as mudanças tecnológicas e sociais que sustentam essa, permanecerão e continuarão a demandar a atenção dos investidores. Segundo a Morningstar, no seu relatório do Q3 de 2025, a região Ásia‑Pacífico lidera a transição energética global, gerando oportunidades de investimento potencialmente significativas. Dentro de um cenário geopolítico em evolução, uma forte governança corporativa e ética empresarial, bem como o progresso na integração da sustentabilidade em mercados emergentes, podem desbloquear crescimento sustentável.
Foi um período turbulento para portfólios ASG, que sofreram saídas líquidas no início de 2025. No entanto, o segundo trimestre registrou forte recuperação, com US$ 4,9 bilhões em entradas líquidas globais, impulsionadas por investidores europeus que adicionaram US$ 8,6 bilhões após resgatar US$ 7,3 bilhões no trimestre anterior. Apesar de algumas saídas no terceiro trimestre, o total de ativos em fundos sustentáveis subiu para US$ 3,7 trilhões, um aumento de cerca de 4%, apoiado pela valorização do mercado de ações.¹
Investidores europeus permanecem firmemente comprometidos com a sustentabilidade, e o clima continua sendo sua principal prioridade. Investidores institucionais – fundos de pensão, seguradoras, fundos soberanos – não apenas mantêm os compromissos climáticos, como os ampliam. Uma pesquisa recente mostra que 58% dos gestores de ativos do Reino Unido e da Europa planejam aumentar as alocações de impacto no próximo ano, e nenhum pretende reduzi‑las.²
Na região Ásia‑Pacífico, observa-se progresso contínuo em várias prioridades de sustentabilidade – por exemplo, a região está a caminho de um ano recorde de emissão de dívida sustentável em 2025. Além disso, 80% dos proprietários de ativos da região esperam que os ativos sob gestão em fundos sustentáveis cresçam nos próximos dois anos.³
Para a BNP Paribas Asset Management, três estratégias de investimento relacionadas ao clima se destacaram em 2025 e devem permanecer em foco em 2026.
“Junto às soluções climáticas e de natureza, os títulos verdes e a descarbonização permanecerão em foco em 2026.”
Os títulos verdes financiam projetos como energia renovável, edifícios sustentáveis e transporte de baixa emissão de carbono, oferecendo perfis de risco semelhantes aos dos títulos convencionais, porém com maior transparência e relatórios de impacto. De acordo com a Morningstar, no seu relatório do Q3 de 2025, o mercado cresceu de €30 bi há uma década para €1,9 tri hoje, tornando‑se um universo global com amplitude e profundidade em termos de setores e emissores. Embora a emissão de 2025 possa ser ligeiramente menor que o recorde de 2024 de cerca de €420 bi, a inovação continua, especialmente com os títulos verdes europeus ganhando tração. O mercado mais amplo de títulos verdes, sociais e de sustentabilidade (GSS) agora rivaliza com o setor de crédito grau de investimento em euros, com €3 tri, tendo os títulos verdes como sua “cornerstone”.4 O estado do mercado não deve ser surpresa, pois hoje os títulos verdes estão consolidados no mainstream – há tempos – tipicamente oferecendo rendimento comparável ao dos títulos convencionais.
Os detentores de ativos estão passando de promessas para ação, adotando estruturas como o Net Zero Investment Framework e o Task Force on Climate‑related Financial Disclosures (TCFD). As estratégias de descarbonização focam em buscar oportunidades associadas à transição para uma economia de baixo carbono e em reduzir a exposição às emissões de carbono, ganhando tração tanto em ações quanto em renda fixa. ETFs de clima e de benchmark alinhado ao Acordo de Paris também estão atraindo maior interesse.
O mesmo report da Morningstar argumenta que os investidores estão alocando capital em soluções que enfrentam desafios climáticos e de biodiversidade. Isso inclui energia limpa, agricultura sustentável, infraestrutura resiliente e gestão de recursos hídricos. O objetivo é investir em empresas financeiramente sólidas e escaláveis que entreguem resultados ambientais mensuráveis – como emissões de carbono evitadas – ou que restaurem ecossistemas. A mudança climática e a perda de biodiversidade são questões sistêmicas, e abordá‑las exige soluções compatíveis com sua escala considerável. Essas estratégias ambientais não apenas ajudam a gerir riscos físicos climáticos, mas também abrem novas oportunidades de investimento em mercados pouco atendidos.
Apesar das mudanças de políticas nos EUA, a Europa continua liderando em investimentos sustentáveis, oferecendo oportunidades com diversos perfis de risco e retorno, podendo se encaixar nos diversos perfis de investidor – e governos, empresas e investidores europeus estão mantendo o curso. Para os investidores europeus, a sustentabilidade não é uma tendência; é uma exigência estratégica. E, com o papel crescente da Ásia na condução da transição energética, temos duas regiões claras que impulsionam esse foco.
Referências
[3] Morgan Stanley, julho 2025.
[4] Dados de Green Bond / GSS: Bloomberg em 6 de outubro 2025.
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