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Como amplamente esperado, FED reduz a taxa de juros nos EUA

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

17 set 2025

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Após 9 meses de manutenção na taxa de referência americana, conforme amplamente esperado, o comitê de política monetária americana (FOMC) anunciou um corte de 0,25 pp em sua taxa referência da economia (Fed Funds Rate) para um intervalo entre 4,00% e 4,25%.

Destaques:

  • Após manter as taxas de juros inalteradas por 5 reuniões consecutivas, o Fed cortou a taxa básica de juros dos EUA.

  • O comunicado que acompanha a decisão a mudança na comunicação ressaltou os riscos associados ao mercado de trabalho, o que pode ser considerado um viés mais dovish na comunicação.

  • O recém-empossado governador Stephen Miran foi o único que votou de forma diferente dos demais dirigentes do Fed, defendendo o corte de 0,50 pp (50 bps).

  • Nas projeções econômicas vimos o Fed projetar uma maior taxa de crescimento econômico para 2025,26 e 27; uma inflação maior em 2025 e 2026; e uma taxa de juros menor para os próximos anos.

Abaixo o gráfico que mostra a evolução da taxa básica referência de juros nos EUA:

Fonte: Bloomberg. Elaboração: Avenue Intelligence – 17/set/2025.

E abaixo a tabela de resumo das projeções do FOMC.

Fonte: FederalReserve.gov 17/set/2025

Impacto

  • Yields dos títulos de dívida dos EUA cedem;

  • O índice dólar (índice DXY) cede, e contra o Real, a moeda americana cai para R$ 5,29;

  • As bolsas americanas reagiram de forma positiva.

Leitura

Assim como esperado, o FOMC (comitê de política monetária americana) optou um corte de 25 bps nessa reunião de setembro. A novidade ficou por conta do tom mais dovish no comunicado – o Fed adicionou em sua comunicação 3 frases que denotam essa maior preocupação: “os riscos negativos para o emprego aumentaram”, “os ganhos de empregos desaceleraram” e “a taxa de desemprego aumentou ligeiramente”.  Isso é importante, uma vez que denota uma postura de continuidade de novos cortes olhando a frente.

Fonte: Zero Hedge on X 17/set/2025

Além disso, surpreenderam as revisões de projeções econômicas indicando mais crescimento econômico, resiliência da inflação, e ainda assim projetando outros 2 cortes de juros ainda em 2025. Por outro lado, a projeção de juros de 2026 diverge marginalmente das apostas recentes do mercado de cortes mais agressivos ao longo de 2026.

Abaixo os highlights da entrevista com o presidente do Fed Jerome Powell.

  • Jerome Powell concordou com a proposição de que a decisão de corte de juros agora foi uma espécie de “risk management cut”, ou seja, uma decisão preventiva que visa dar sustentação ao mercado de trabalho.

  • Falando sobre o mercado de trabalho, segundo Powell, o que mudou e que definiu essa decisão foram justamente os sinais do mercado de trabalho. Não necessariamente um dado específico de Payroll, mas sim a uma visão geral do mercado de trabalho que desacelerou, necessitando ação do Fed. Segundo ele “O mercado de trabalho está enfraquecendo e não precisamos que ele se flexibilize mais, (e) não queremos que isso aconteça”.  Segundo ele, “embora a taxa de desemprego permaneça baixa, ela aumentou ligeiramente, os ganhos de empregos diminuíram e os riscos de queda no emprego aumentaram. Ao mesmo tempo, a inflação aumentou recentemente e permanece um tanto elevada”. Powell citou o aumento do desemprego entre as minorias como um dos motivos de preocupação. Ainda em seus comentários sobre o mercado de trabalho, ele salientou que os riscos têm mais a ver com imigração do que tarifas.

  • Juros. Sobre juros a frente, Powell ressaltou a posição do Fed de decidir reunião a reunião sobre possíveis novos cortes de juros, a partir da observação dos dados que vão sendo divulgados na economia. A ideia é mudar as taxas para uma direção mais neutra. Powell ressaltou que as projeções acerca de cortes de juros para 2026 são variadas e dentro de um ambiente de muita incerteza, o que dificulta o trabalho dessas projeções.

  • Inflação. O Comitê entende a necessidade de perseguir a meta de 2%, mas enxerga que o risco de uma inflação sustentada e continuada diminuiu, enquanto os receios com o mercado de trabalho aumentaram.

  • Tarifas. Powell afirmou que os consumidores sentiram pouco impacto das tarifas até o momento, com as empresas absorvendo os aumentos de custos. “Para o consumidor, o repasse tem sido bem pequeno”, disse Powell. Ainda segundo ele, “tem sido… mais lento e menor do que pensávamos.”

Por fim, Powell repeliu qualquer impacto ou interferência governamental na decisão sobre juros. Perguntado sobre o caso da dirigente do Lisa Cook, ele evitou se posicionar.

Live Superquarta

Hoje, às 19h, em nosso canal do Youtube, o nosso estrategista-chefe, William Castro Alves, irá comentar sobre a divulgação das taxas de juros dos EUA e os impactos que isso irá gerar na economia.

Acompanhe os destaques da atualização da taxa de juros no Brasil e nos EUA:

@willcastroalves

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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