Home Notícias Economia Mercados

Ata mostra um Fed dividido, conforme o esperado

20 maio 2026

Ata da Decisão de Política Monetária do Fed – Abril

Foi divulgada hoje a ata da última reunião do banco central americano (Fed) de abril, na qual os diretores optaram por manter os juros entre 3,50% e 3,75% pela terceira vez em 2026.

Essa foi uma reunião na qual não houve uma decisão unânime nos juros, com um dirigente votando favoravelmente a um corte de juros.

Houve ainda divergência sobre o viés para os juros olhando a frente, mostrando um Fed bastante dividido.

De acordo com as atas da reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), divulgadas nesta quarta-feira (20/05/2026), a maioria dos dirigentes do Federal Reserve sinalizou que pode ser necessário aumentar os juros caso a inflação continue elevada, principalmente devido aos efeitos da guerra no Irã.

Embora o Fed tenha mantido a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, houve forte divergência interna: quatro membros votaram contra a decisão na comunicação, o maior número de dissidências desde 1992. A maioria dos participantes indicou que, se a inflação não recuar, algum “endurecimento adicional da política monetária” (rate hike) poderá ser apropriado. A preocupação central é o forte impacto da guerra no Irã, que fez os preços da energia dispararem e elevou a inflação geral acima de 3%. Mesmo a inflação núcleo, que exclui alimentos e energia, também está em alta. Por isso, os dirigentes agora veem maior risco de que a inflação demore mais tempo para voltar à meta de 2%.

Embora alguns membros ainda defendam cortes de juros caso a economia e o mercado de trabalho enfraqueçam, a tendência majoritária foi mais hawkish (favorável ao aperto). Muitos participantes chegaram a defender a retirada da linguagem que indicava viés para redução de juros, mas a proposta não foi aprovada.

Essa foi a última reunião presidida por Jerome Powell. Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, agora assumirá o comando do Fed. Apesar da expectativa inicial de cortes de juros com a nova administração, o mercado passou a precificar maior probabilidade de alta de juros no final de 2026 ou início de 2027.

Em resumo: o Federal Reserve adotou um tom mais cauteloso e restritivo em resposta à inflação pressionada pela guerra no Irã.

Olhando a frente teremos Kevin Warsh assumindo o comando do Federal Reserve em um momento desafiador, com um banco central bastante dividido e um cenário com muitas incertezas. Embora o presidente Donald Trump tenha indicado Warsh com a expectativa de cortes de juros, as atas mostram que a inflação acelerada pela guerra no Irã mudou o cenário: os preços da energia elevaram a inflação geral acima de 3% e até a inflação núcleo está subindo. Com isso, o mercado agora precifica maior probabilidade de alta de juros no final de 2026 ou início de 2027, contrariando a expectativa inicial da nova administração.

O principal desafio de Warsh será convencer seus colegas de que os ganhos de produtividade impulsionados pela inteligência artificial terão efeito desinflacionário forte o suficiente para compensar o choque temporário dos preços de energia. Nos próximos meses, Warsh precisará equilibrar a pressão política por afrouxamento com os dados econômicos, em um Fed dividido e com Powell ainda presente no conselho.

Para mais comentários como este, acesse o blog da Avenue: avenue.us/mercados

@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities

Disclaimer

A Avenue Securities LLC é membro da FINRA e da SIPC. Oferta de serviços intermediada por Avenue Securities DTVM. Veja todos os avisos importantes sobre investimento: https://avenue.us/termos/.

As expressões de opinião são a partir desta data e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio. Não há garantia de que estas declarações, opiniões ou previsões aqui fornecidas se mostrem corretas. Este material está sendo fornecido apenas para fins informativos. Qualquer informação não é um resumo completo ou uma declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento e não constitui uma recomendação.

Não há garantia de que essas opiniões ou previsões aqui fornecidas se mostrem corretas. Os links estão sendo fornecidos apenas para fins informativos. A Avenue não é afiliada e não endossa, autoriza ou patrocina nenhum dos sites listados. A Avenue não é responsável pelo conteúdo de qualquer site ou pela coleta ou uso de informações sobre os usuários de qualquer site.

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

As mais lidas

Figure
23 abr 2026

Exclusivo: registro de oferta pública inicial de ações da...

Figure
30 abr 2026

Ministro das Relações Exteriores da China diz a Rubio que...

Figure
04 maio 2026

Dois mísseis atingem navio de guerra dos EUA que tentava...

Figure
27 abr 2026

Ação da Adidas sobe após “supertênis” ajudar em...

Recomendado para você

Figure
11 jul 2025

S&P 500 recua em relação a recordes, conforme tarifas...

Figure
12 jul 2025

Taxas dos DIs perdem força à tarde e ficam quase estáveis...

Figure
14 jul 2025

Futuros de Wall Street têm leve baixa com novas ameaças...

Figure
14 jul 2025

Dólar sobe com aversão ao risco após novas ameaças...

Avenue

Faça parte da vida global

Abrir conta