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PCE: Índice preferido do FED mostra inflação em alta, mas em linha com o mercado e comportada na variação mensal

25 jun 2026

Resumo

Expectativa x Realidade

Expectativa Índice cheio: +0,5% m/m e +4,1% a/a;

Índice: +0,4% e +4,1%, respectivamente.

Expectativa do Núcleo: +0,3% m/m e +3,4% a/a;

Núcleo: +0,3% e +3,4%, respectivamente.

Expectativas para os gastos pessoais: +0,6%

Gastos Pessoais: +0,7%

O relatório de 25 de junho de 2026 do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (BEA) mostrou que o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Federal Reserve, subiu 0,4% em maio de 2026, número esse levemente aquém dos +0,5% esperados pelo mercado, resultando em uma taxa de inflação anual de 4,1%, acima dos 3,8% de abril. Já o núcleo (que exclui os preços voláteis de alimentos e energia) indicou uma alta mensal de 0,3%, com taxa anual de 3,4%, ambos em linha com as projeções do mercado, mas ainda elevado e acima dos 3,3% de abril.

Além dos dados de preços, o relatório mostrou que os gastos dos consumidores avançaram 0,7% em maio, acima do esperado pelo mercado (+0,6%), enquanto a renda pessoal aumentou 0,7% (contra expectativa de alta de 0,4%). Por fim, a taxa de poupança aumentou para 3%. Preços de bens subiram 0,4%, pressionados novamente por gasolina (+6,5% e acima dos 5,5% em abril), e serviços avançaram 0,5%, acima dos 0,3% do mês anterior, indicando pressões inflacionárias mais amplas (destaque para transporte e seguros).

Junto a divulgação do PCE, tivemos a terceira e última leitura do PIB do 1º trimestre de 2026, com números revisados para cima; saindo de um crescimento de 1,6% para 2,1% anualizado. O Departamento de Comércio atribuiu a revisão a ajustes positivos nos investimentos privados, gastos do governo, e melhora na balança comercial (redução de importação mais do que compensou a leve queda nas exportações), enquanto gastos dos consumidores foi revisado para baixo.

O relatório de hoje trouxe algum alívio, ainda que os últimos dados estejam refletindo uma pressão de preço de uma forma mais ampla. Embora as leituras anuais tenham ficado dentro do previsto, o número cheio mensal mais fraco gera alguma esperança de que a alta de preços observada no mês anterior esteja começando a perder força, com aumentos mais moderados no preço de energia. Ainda é cedo para apostar nisso. Por outro lado, também é verdade que a inflação continua em patamares elevados e bem acima da meta do banco central americano. O mercado passa a apostar que a política monetária possa ter uma alta ainda em 2026. A inflação vinha se aproximando da meta de 2% do Fed, mas foi desviada pelo conflito no Oriente-Médio e pelo impacto das tarifas, levando os formuladores de Política Monetária a darem maior ênfase ao risco inflacionário visto no último comunicado do FOMC, sendo o primeiro liderado por Kevin Warsh, especialmente agora que o mercado de trabalho dá sinais de estabilização.

Em termos de impactos, vimos os yields dos títulos de dívida americana cederem levemente; o índice dólar opera em leve queda e contra o Real a moeda americana valoriza levemente.

Sobre o dado. O Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) além de ser a medida preferida de inflação pelo Fed, monitora as variações nos preços de uma ampla gama de bens e serviços consumidos pelas famílias, com foco nos gastos reais em vez de itens fixos. Diferentemente do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), produzido pelo Bureau of Labor Statistics, que utiliza uma cesta de bens rígida e pesos baseados em pesquisas de consumo de um período específico (atualizados a cada dois anos), o PCE é um índice com ajustes dinâmicos para refletir mudanças no comportamento dos consumidores, minimizando o viés de substituição (quando as pessoas trocam itens mais caros por mais baratos). Além disso, o PCE atualiza seus pesos anualmente, inclui mais gastos com saúde financiados por empregadores e serviços financeiros (que o CPI exclui em grande parte), e geralmente registra taxas de inflação ligeiramente inferiores ao CPI devido a essas metodologias mais flexíveis e abrangentes.

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@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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