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CPI de junho: inflação americana surpreende - desta vez, para baixo

14 jul 2026

Resumo

Expectativa x Realidade

Expectativa Índice cheio: -0,1% m/m, +3,8% a/a
Realidade: Índice veio em -0,4% m/m, +3,5% a/a

Expectativa do Núcleo: +0,2% m/m, +2,8% a/a
Realidade: Núcleo avançou +0,0% m/m, +2,6% a/a

Leitura

De acordo com o relatório divulgado hoje pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA registrou queda mensal de 0,4%, a maior queda desde abril de 2020, revertendo a alta de 0,5% de maio e superando as expectativas de leve recuo. Na comparação anual, a inflação desacelerou para 3,5% (abaixo das expectativas de ~3,8% e do 4,2% de maio), interrompendo a alta recente. O núcleo do CPI (que exclui alimentos e energia) ficou estável no mês (0,0%, abaixo da expectativa de +0,2% e do +0,2% de maio), ou 2,6% quando anualizado (abaixo dos 2,9% anteriores e das previsões de ~2,8%). A queda foi impulsionada principalmente pelo recuo nos preços de energia (especialmente gasolina, após o cessar fogo entre EUA e Irã), que mais do que compensou aumentos em abrigos, alimentos e outros componentes.

Fonte: CNBC.com 10/jul/2026

A inflação americana surpreendeu para baixo em junho de 2026 refletindo a forte queda observada nos preços do petróleo, o índice de energia caiu 5,7% em junho, embora ainda tenha registrado uma alta de 15,7% em termos anuais. Embora os dados de inflação tenham trazido algum alívio, é improvável que mudem a atual interpretação acerca dos juros nos EUA, de que devemos ter um aumento nos próximos meses. O banco central segue inclinado a elevar sua taxa básica em setembro, após manter o tom duro sobre a necessidade de controlar a inflação. O governador Christopher Waller afirmou recentemente que seriam necessários vários meses de leituras positivas para confirmar o retorno sustentável à meta de 2%. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçou que o controle da inflação é a prioridade máxima da instituição, afirmando que “acertar a política monetária” é o objetivo central para superar a alta de preços dos últimos anos. Com isso, o mercado precifica manutenção da taxa na reunião de julho (atualmente em 3,50%-3,75%) e alta de 25 pontos-base em setembro.

Abrindo o dado, o principal vetor da variação mensal foi a energia, com forte contribuição da gasolina, que recuou significativamente após o cessar-fogo entre EUA e Irã. Alimentos subiram modestamente (~0,2–0,3% no mês, mantendo alta anual em torno de 3,0%). O custo de moradia (shelter) continuou pressionando, mas com desaceleração (cerca de +0,3% no mês). As tarifas aéreas tiveram variação mista, enquanto alguns destaques positivos incluíram itens como comunicação, cuidados pessoais e recreação. Quedas foram observadas em categorias como seguro de veículos, mobiliário e, em menor grau, veículos novos. O núcleo (que não leva em conta alimentos e energia) ficou estável no mês, refletindo o alívio generalizado nos componentes voláteis.

Impacto no mercado: o impacto direto percebido nos yields dos Treasuries que cederam ao dado mais fraco que o esperado; destaque para os vértices mais curtos que cederam mais. Futuros de ações reagiram de forma positiva, em especial as ações ligadas ao setor de tecnologia. O índice dólar cedeu e contra o Real opera perto da estabilidade nos R$ 5,13.

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@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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