Por Agência Reuters
16 abr 2026
A disparada do ouro no mercado internacional impulsionou o faturamento e as exportações do metal brasileiro no primeiro trimestre, em meio a uma busca global por ativos de proteção e diante de incertezas relacionadas a instabilidades geopolíticas, afirmaram representantes do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), nesta quarta-feira.
O faturamento do minério de ouro no Brasil somou R$13,5 bilhões no primeiro trimestre, alta de 45% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Ibram, que representa mineradoras com atuação no Brasil, como Vale, AngloGold Ashanti e Kinross Gold.
As exportações de ouro do Brasil, por sua vez, alcançaram US$2,338 bilhões, salto de 89,3% na mesma base de comparação, enquanto o volume embarcado cresceu 8,7%, para 18,3 toneladas, informou o Ibram.
O desempenho refletiu sobretudo a forte valorização do metal no exterior. Segundo o Ibram, o preço médio trimestral do ouro subiu 70,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025, para US$4.875,39 por onça troy, em um ambiente de maior aversão ao risco e incerteza geopolítica.
O presidente interino do Ibram, Pablo Cesário, disse que as tensões geopolíticas estão provocando choques de preços e reforçando a busca por ativos de reserva de valor, como o ouro.
“Especialmente, talvez, com a queda da credibilidade das criptomoedas, o ouro está se tornando, de novo, o principal produto de reserva de valor”, afirmou Cesário, em sua primeira coletiva de imprensa sobre resultados trimestrais após assumir a liderança do instituto de forma interina no início de março.
A alta do ouro ajudou a compensar a fraqueza do minério de ferro, principal produto da mineração brasileira, cujo faturamento caiu 3% no período, para R$37,5 bilhões, ainda assim equivalente a 48% da receita total do setor.
No total, o faturamento da mineração brasileira somou R$77,9 bilhões no primeiro trimestre, alta de 6% em relação a um ano antes. As exportações do setor alcançaram US$11,4 bilhões, avanço de 21,5%.
Apesar do impulso trazido pelo ouro, Cesário destacou que o Ibram acompanha com preocupação discussões no Congresso sobre mudanças nas regras de rastreabilidade do metal, por avaliar que substitutivo ao PL 3025/2023 em debate pode abrir espaço para a volta da autodeclaração de origem em pontos de compra.
Segundo Cesário, isso poderia facilitar novamente a entrada de ouro do garimpo ilegal no mercado formal brasileiro.
O substitutivo, segundo o Ibram disse em nota, ainda retira da Agência Nacional de Mineração (ANM) a atribuição de rastrear o metal e a transfere para a Casa da Moeda. “Estamos muito preocupados. Nossa posição é contra o projeto, do modo como ele está… porque ele significa a retomada da lavagem de ouro ilegal no Brasil”, disse Cesário.
Segundo ele, medidas adotadas desde 2023 para exigir maior documentação nas transações ajudaram a reduzir a comercialização de ouro ilegal no mercado doméstico. O executivo afirmou que a preocupação é que uma eventual flexibilização reverta esse movimento justamente quando o metal opera em níveis historicamente elevados.
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