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Apple processa OpenAI e dois ex-funcionários por roubo de segredos comerciais

13 jul 2026

Nesta sexta-feira, a Apple processou a OpenAI e dois ex-funcionários, alegando apropriação indevida de seus segredos comerciais para beneficiar a incursão da proprietária do ChatGPT no mercado de hardware para o consumidor, numa escalada dramática da tensão já existente entre as duas empresas.

A ação, movida no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, alega uma ação coordenada para roubar informações confidenciais da Apple, incluindo projetos de produtos, processos de fabricação e estratégias da cadeia de suprimentos.

A OpenAI não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

O processo foi movido contra Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos, e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produto para iPhone e Apple Watch, bem como contra a OpenAI Foundation, o OpenAI Group PBC e a io Products. Nenhuma das partes respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A Apple alegou que Liu não devolveu um laptop corporativo fornecido pela empresa e, posteriormente, usou uma falha de autenticação para acessar a rede interna da Apple, baixando “dezenas de arquivos confidenciais da Apple relacionados a hardware”.

A fabricante do iPhone também alegou que o chefe de hardware da OpenAI, Tan, vinha “usando metodicamente informações confidenciais da Apple para beneficiar a OpenAI”, enviando para si mesmo por email informações sobre fornecedores da Apple e resumos internos do setor antes de sua saída.

A Apple alegou que Tan incentivou funcionários da Apple a levarem peças da empresa para entrevistas de emprego na OpenAI para sessões de “mostrar e contar”, citando um incidente em sua denúncia onde um candidato a emprego na OpenAI teria dito que “nem sabia que podíamos pegar essas coisas do escritório”.

Mais de 400 ex-funcionários da Apple agora trabalham para a OpenAI, afirmou a Apple no documento, acrescentando que “não é surpreendente” que alguns deles tenham conhecimento de suas informações confidenciais.

“O fato de a OpenAI agora empregar pessoas que antes tinham acesso aos segredos comerciais da Apple não dá à OpenAI o direito de usar essas informações para impulsionar seus esforços em hardware”, escreveu a fabricante do iPhone em sua queixa.

A Apple também alegou que funcionários da OpenAI buscaram informações confidenciais de fornecedores da Apple, chegando a instruir um desses fornecedores a realizar o que a Apple chamou de técnica secreta de acabamento de metal, acreditando que a OpenAI tinha permissão da Apple para usar a técnica. A OpenAI comprou a startup de hardware io Products, fundada pelo ex-designer da Apple Jony Ive, no ano passado, em um negócio de US$6,5 bilhões, em uma tentativa de expandir sua atuação além do software para o hardware voltado ao consumidor. Ive não é citado no processo.

TENSÕES ACUMULADAS

As tensões entre as duas empresas de tecnologia têm prejudicado seu relacionamento, à medida que a corrida para desenvolver produtos de IA intensificou a competição por talentos e tecnologia proprietária.

Em sua queixa, a Apple alegou ter entrado em contato com a OpenAI em fevereiro, expressando preocupação com o vazamento de suas informações confidenciais e solicitando uma reunião para discutir o assunto, mas não obteve resposta. Uma pessoa familiarizada com o caso informou à Reuters em maio que a OpenAI estava explorando opções legais contra a Apple, incluindo notificar a gigante da tecnologia sobre uma quebra de contrato, mas possivelmente sem entrar com um processo judicial completo.

Em 2024, a Apple anunciou a integração de sua tecnologia “Apple Intelligence” em todos os seus aplicativos, incluindo a Siri, e trouxe o chatbot ChatGPT da OpenAI para seus dispositivos.

A parceria permite que os usuários acessem os resultados do ChatGPT por meio da Siri, enquanto os usuários de iPhone também podem se inscrever para o ChatGPT diretamente no menu de configurações do iOS. A Apple lançou uma reformulação da Siri, há muito aguardada, no mês passado. A atualização chega dois anos depois que a Apple prometeu grandes melhorias que foram repetidamente adiadas.

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Agência Reuters

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