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Calor extremo coloca à prova consumo de bebidas alcoólicas e afeta fabricantes na Europa

03 jul 2026

O calor extremo na Europa está colocando à prova a suposição de que verões quentes significam um aumento nas vendas de bebidas alcoólicas, com estudos indicando que os consumidores se mostram menos propensos a pegar uma cerveja gelada ou um Aperol Spritz quando a temperatura fica insuportável.

As vendas de bebidas alcoólicas aumentam, em média, com a temperatura até pouco mais de 32 graus Celsius; a partir daí, o efeito positivo se torna menor, constataram pesquisadores da Universidade da Califórnia, da ETH Zurich e da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

O efeito variou de acordo com a região geográfica e foi menos pronunciado em áreas já quentes, segundo o artigo publicado em março, baseado em dados de vendas no varejo dos EUA entre 2006 e 2023.

“De modo geral, o clima quente é bom para o consumo. Mas também há um limite máximo… além do qual o calor se torna simplesmente desconfortável”, disse Marten Lodewijks, presidente da empresa de pesquisa de mercado de bebidas IWSR, acrescentando que isso inverte a tendência para alguns consumidores.

A onda de calor do verão na Europa, que começou em 20 de junho, foi a mais intensa já registrada no continente, causando milhares de mortes a mais e sobrecarregando os sistemas de saúde, prejudicando a geração de energia e danificando a infraestrutura.

Autoridades de saúde europeias recomendaram que as pessoas evitem o álcool, que aumenta a desidratação e o calor corporal. O consumo e as vendas em lojas foram temporariamente proibidos em Paris.

“Há uma diferença importante entre clima quente e calor extremo”, disse Kristian Henningsen, diretor global de relações públicas da Carlsberg, acrescentando que o calor extremo pode levar as pessoas a ficarem em casa em vez de saírem para tomar uma bebida.

A cervejaria dinamarquesa está focada em oferecer mais opções aos consumidores, como cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool e refrigerantes, em parte para se adaptar a essas mudanças, disse Henningsen à Reuters.

Outros grandes fabricantes de cerveja e destilados se recusaram a comentar ou não responderam aos pedidos de comentários sobre os prováveis efeitos de condições climáticas mais extremas em seus negócios.

CANSADOS E DESCONCENTRADOS

Grandes cervejarias, como a Anheuser-Busch InBev (ABI.BR), já atribuíram anteriormente os resultados decepcionantes do verão a um clima atipicamente frio ou chuvoso, período em que os consumidores normalmente recorrem a bebidas mais leves e geladas, como a cerveja.

Outra grande fabricante de cerveja disse à Reuters que o clima é um dos principais indicadores que ela leva em conta ao fazer previsões de vendas de cerveja.

David Lambert, um padre de 59 anos de Londres, disse que se sentiu menos inclinado a consumir bebidas alcoólicas durante o recente clima extremo no Reino Unido, quando as temperaturas atingiram um recorde de 37,7 graus Celsius em Norfolk, no leste da Inglaterra.

“Eu certamente não bebi tanto álcool na semana passada. Não dá para… Isso só deixa a gente apático, cansado, fora de si”, disse Lambert à Reuters no pub The Sun Wharf, da rede JD Wetherspoon, em Londres.

Os funcionários do pub estavam mais ocupados do que o normal durante a onda de calor, disse o chefe de turno Yash Hitesh Hansora à Reuters. Os clientes — que inicialmente procuravam um espaço ao ar livre, algo que o The Sun Wharf não oferece — logo pediam ar-condicionado e gelo.

Spiros Malandrakis, gerente global de insights para bebidas alcoólicas da Euromonitor International, disse que o calor extremo pode ter efeitos contraditórios para quem atua no setor de bebidas.

Além de levar algumas pessoas a beber menos, as ondas de calor podem prejudicar as economias e o poder de compra, além de afetar a agricultura, aumentando os custos de produção de bebidas alcoólicas, afirmou.

Malandrakis também previu que algumas pessoas beberão mais em um mundo que “parece estar literalmente em chamas”.

O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia afirmou que as ondas de calor se tornarão mais frequentes e intensas.

Cientistas afirmam que a onda de calor na Europa teria sido praticamente impossível sem as mudanças climáticas causadas pelo homem, que estão aquecendo o continente a um ritmo mais rápido do que qualquer outro.

Para alguns, o calor ainda é a desculpa perfeita para tomar uma bebida.

“Há algo no Sol que dá vontade de servir uma taça de vinho”, disse Teresa Angell, de 57 anos, que trabalha no suporte de faturamento em Londres.

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Agência Reuters

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