12 maio 2026
Expectativa Índice cheio: +0,6% m/m, +3,7% a/a;
Realidade: Índice veio em +0,6% m/m, +3,8% a/a.
Expectativa do Núcleo: +0,3% m/m, +2,7% a/a;
Realidade: Núcleo avançou +0,4% m/m, +2,8% a/a.
De acordo com o relatório divulgado hoje pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA registrou alta mensal de 0,6%, em linha com o esperado. Quando anualizada, a inflação foi de 3,8% em abril, acima da expectativa de 3,7%, e atingindo o maior patamar desde maio de 2023. O núcleo do CPI (excluindo alimentos e energia) subiu 0,4% no mês (maior desde janeiro de 2025) e 2,8% em 12 meses, também acima das expectativas e acima da leitura de 2,6% anualizada) em março.

A leitura mais quente da inflação, impulsionada por energia e tarifas, reduz as chances de corte de juros pelo Fed no curto prazo. A abertura do dado mostra uma inflação que não se restringe somente a preços de energia, e mesmo em moradia volta a preocupar. Com uma inflação ainda persistentemente acima da meta, e dados recentes do mercado de trabalho (Payroll) demonstrando resiliência, o mercado mantém a visão de que o Banco Central Americano não deve cortar juros em 2026, e aumenta o risco de que o mercado comece a precificar altas de taxa em 2027. Isso tende a manter os yields dos Treasuries elevados (especialmente nos vencimentos mais curtos e médios), pressionando o dólar para cima contra moedas emergentes, incluindo o Real.
Abrindo o dado, o principal vetor de alta da inflação mensal foi a alta de 3,8% nos custos com energia (responsável por mais de 40% da variação do índice cheio), com forte contribuição da gasolina. Alimentos subiram 0,5% no mês. O custo de moradia (shelter) acelerou para +0,6% (após ter desacelerado nos meses anteriores). Os custos de habitação aumentaram 0,6% depois de terem diminuído nos meses anteriores, indicando que a inflação é um problema que vai além dos impactos da guerra no Irã. A categoria de vestuário sensível às tarifas aumentou 0,6%, e as tarifas aéreas aceleraram 2,8%, acumulando alta de 20,7% em 12 meses em. As tarifas também pareceram atingir outras áreas, com mobiliário doméstico, subindo 0,7%.
Impacto no mercado: os yields dos Treasuries subiram com o anúncio (maior pressão sobre juros futuros). Futuros de ações abriram negativos (S&P 500 recuou), enquanto as probabilidades de alta de juros pelo Fed até o fim do ano subiram para cerca de 30%, segundo dados da CME. O dólar se fortaleceu internacionalmente e contra o Real sobe levemente para o patamar de R$ 4,90.
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@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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