Por Bernardo Caram, Agência Reuters
06 nov 2025
BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central decidiu nesta quarta-feira manter a taxa Selic em 15% ao ano, em decisão unânime de sua diretoria, e pregou uma manutenção da taxa nesse nível por período bastante prolongado para atingir a meta de inflação, sem apresentar sinalização sobre possíveis cortes à frente.
Após apontar em setembro que seguiria avaliando se a manutenção desse nível de juros por período longo era capaz de arrefecer a inflação até o alvo de 3%, o BC agora ajustou o tom, indicando ter ganhado convicção de que essa estratégia levará ao cumprimento do objetivo.
“O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado.
A autarquia manteve no documento a ponderação de que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado, argumentando que o cenário incerto demanda cautela.
“No comunicado, ele continua dizendo que o cenário exige uma política monetária em patamar significativamente contracionista por um período bastante prolongado, sinalizando que vai continuar alto para os próximos meses”, disse Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital.
Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine, afirmou que o comunicado praticamente elimina chances de cortes na Selic em dezembro. Para ele, a gestão de Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central é a mais hawkish (dura) desde 2016.
“Mantemos a expectativa de início de ciclo de afrouxamento monetário a partir da primeira reunião do BC de 2026”, afirmou.
A decisão desta quarta veio em linha com a expectativa de mercado captada em pesquisa da Reuters, na qual todos os 40 economistas entrevistados de 27 a 31 de outubro projetavam que o BC manteria a Selic em 15% neste mês.
O foco dos analistas, no entanto, estava nas possíveis sinalizações da autarquia sobre quando poderá cortar a taxa, movimento que é esperado com ansiedade pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto o juro em nível elevado resfria a economia e impacta negativamente as contas públicas às vésperas de um ano eleitoral.
Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a atual taxa Selic como “exageradamente” restritiva e defendeu que a autoridade monetária desse ao menos uma sinalização sobre cortes à frente diante de dados melhores da inflação corrente e das expectativas.
No documento, o Copom passou a afirmar que dados de inflação cheia apresentaram “algum arrefecimento”, mas ainda se mantiveram acima da meta.
O BC melhorou nesta quarta sua projeção de inflação para este ano em relação a setembro, de 4,8% para 4,6%, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros.
Para o fechamento de 2026, a projeção foi mantida em 3,6%. Em relação ao segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa ficou em 3,3%.
Para fazer as projeções do cenário de referência divulgadas nesta quarta, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,40, mesmo patamar usado na reunião de setembro.
O mercado tem melhorado as projeções para os preços, mas em níveis ainda fora do centro da meta de 3%. A previsão para o IPCA de 2025 no boletim Focus caiu de 4,83% antes do encontro do Copom em setembro para 4,55% nesta semana. Para 2026, as expectativas baixaram de 4,30% para 4,20%, enquanto o dado de 2027 foi de 3,90% para 3,80%.
O centro da meta contínua para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
O BC ainda fez um ajuste no comunicado, retirando a menção a uma “certa moderação” no crescimento econômico e passando a apontar apenas que observa uma “trajetória de moderação”, ainda que dentro do esperado, apesar de o mercado de trabalho ainda mostrar dinamismo.
Após sete elevações consecutivas que levaram a Selic ao patamar mais alto em quase 20 anos, o BC interrompeu em julho o ciclo de alta nos juros básicos, decidindo nesta semana pela terceira manutenção consecutiva da taxa em 15%.
No comunicado desta quarta, o BC não fez alterações no seu balanço de riscos para os preços à frente, reafirmando que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual.
(Por Bernardo Caram)
DISCLAIMER
Avenue Securities Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (“Avenue Securities DTVM”) é uma distribuidora de valores mobiliários brasileira devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil (“BCB”) e pela Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) Os saldos disponíveis em Reais são mantidos na Avenue Securities DTVM Ltda., uma instituição financeira regulada. Os fundos detidos pela Avenue Securities DTVM não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Veja todos os avisos importantes em: https://avenue.us/termos/