Em linha com o esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária Americana (FOMC) anunciou a manutenção na taxa referência da economia (Fed Funds Rate) em um intervalo entre 3,50% e 3,75%. A decisão vem após três reduções consecutivas nas taxas.
Destaques das mudanças no comunicado:
- Mais uma vez a votação não foi unânime, com 10 diretores votando pela manutenção, mas 2 diretores defendendo um novo corte de 25bps – Stephen I. Miran and Christopher J. Waller.
- O comitê elevou sua avaliação do crescimento econômico. “Indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem se expandido em ritmo sólido.”
- No balanço de riscos entre inflação e desemprego houve mudança na comunicação. O comitê reduziu suas preocupações com o mercado de trabalho em comparação com a inflação, sugerindo uma abordagem mais paciente para o atingimento do seu mandato duplo Fed de controle dos níveis de inflação e busca pelo pleno emprego. “O ganho de empregos permaneceu baixo, e a taxa de desemprego mostrou alguns sinais de estabilização” … “A inflação continua um pouco elevada.”
- O comitê ainda manteve a linguagem inserida em dezembro que foi interpretada pelo mercado como um direcionamento para interrupção nos cortes de juros. “Ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais na faixa alvo da taxa de fundos federais, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o equilíbrio dos riscos”.
Abaixo o gráfico que mostra a evolução da taxa básica referência de juros nos EUA:
Fonte: Bloomberg. Elaboração: Avenue Intelligence – 28/jan/2026.
Impacto.
- Yields dos títulos de dívida dos EUA sobem, mas a alta arrefeceu após a entrevista com o presidente do Fed.
- O índice dólar (índice DXY) sobe, se recuperando das quedas dos últimos dias, mas a alta arrefeceu após a entrevista com o presidente do Fed. Contra o Real, a moeda americana se valoriza para R$ 5,21;
- As bolsas americanas reagiram de forma neutra.
Leitura.
Conforme esperado pelo mercado, na decisão de política monetária anunciada hoje, 28 de janeiro de 2026, o Federal Reserve (Fed) optou por manter as taxas de juros inalteradas, mantendo o intervalo alvo para a taxa de fundos federais em 3,5% a 3,75%. Dois pontos chamaram a atenção: (i) a dissidência e não unanimidade na decisão, mostrando que o comitê segue dividido; (ii) a mudança na comunicação, mostrando uma abordagem cautelosa, em meio a uma atividade resiliente, uma inflação que mostra sinais de moderação, mas ainda não atingiu de forma sustentável a meta de 2%, e um mercado de trabalho que deu sinais de estabilização, com criação de empregos robusta e taxa de desemprego baixa.
Um ponto central dessa decisão é o balanço de riscos entre a inflação e o mercado de trabalho. De um lado, a inflação tem desacelerado nos últimos meses, impulsionada por fatores como a normalização das cadeias de suprimentos e a moderação nos preços de energia, mas persistem as pressões em setores como serviços e moradia – o que poderia reacender as pressões inflacionárias se o Fed relaxar prematuramente. Do outro, o mercado de trabalho deu sinais de estabilização, e vimos ganhos salariais sólidos e baixa taxa de desemprego, o que sugere que a economia ainda tem fôlego para suportar taxas mais altas sem cair em recessão, ainda que a redução no ritmo de contratações em alguns setores segue sendo um risco.
Olhando à frente, a perspectiva para os juros sugere uma pausa prolongada, com possíveis cortes modestos no segundo semestre de 2026, dependendo dos dados econômicos.
Abaixo os destaques da entrevista com o presidente do Fed, Jerome Powell, e da decisão de juros.
- Controvérsias e perguntas não respondidas. A entrevista coletiva começou com perguntas sobre questões como: intervenção política no Fed, o vídeo no qual Powell comenta sobre isso no âmbito da investigação que ele vem sofrendo; o apoio a Lisa Cook (a dirigente do Fed que também vem sendo investigada) e ainda questões sobre sucessão. Em geral, sobre todas essas questões, o presidente do Fed evitou comentar.
- Dólar. Outra pergunta a qual ele evitou comentar foi acerca do nível do dólar, sua desvalorização e sua volatilidade.
- Crescimento. O presidente do Federal Reserve, afirmou que as perspectivas de crescimento parecem mais promissoras em comparação com o ano passado. “Se observarmos os dados divulgados desde a última reunião, [há] uma clara melhora nas perspectivas de crescimento”, disse ele. Ele disse ainda que alguns dados do mercado de trabalho indicam sinais de estabilização.
- Inflação. Powell alertou ao fato de a inflação ter provavelmente atingido 3% em dezembro, mas que ele e os dirigentes acreditam que ela estaria a caminho de retornar à meta do Federal Reserve. Powell disse estar confiante de que a meta dos 2% será alcançada assim que o impacto das tarifas diminuir. “Essas leituras elevadas refletem, em grande parte, a inflação no setor de bens, que foi impulsionada pelos efeitos das tarifas. Em contrapartida, a desinflação parece estar continuando no setor de serviços”, afirmou.
- Tarifas. Sobre as tarifas, Powell comentou que espera ver “os efeitos das tarifas sobre os preços dos bens atingindo o pico e depois começando a diminuir, supondo que não haja novos aumentos tarifários significativos”. Ele disse ainda que se isso acontecer, será um sinal de que os dirigentes do Fed podem flexibilizar a política monetária.
- Juros olhando a frente. Powell ressaltou que a política monetária não segue um rumo predefinido e que as decisões serão tomadas reunião a reunião. Ele ainda disse acreditar que o Fed está “bem-posicionado” para determinar futuros ajustes à taxa de juros, dependendo dos dados econômicos que forem divulgados. Nesta coletiva de imprensa, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse: “Muitos dos meus colegas acham difícil analisar os dados recentes e afirmar que a política monetária é significativamente restritiva neste momento.”
@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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