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Como esperado, Fed mantém os juros inalterados a despeito das incertezas

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

29 abr 2026

O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% pela terceira vez em 2026, em linha com a expectativa do mercado.

Mais uma vez, o Fed reconheceu a incerteza com os desenvolvimentos no Irã e impactos em termos de preços de energia.

Em mais uma reunião, tivemos uma decisão não unânime nos juros, com um dirigente votando favoravelmente a um corte de juros. Houve ainda divergências sobre o comunicado apresentado.

Destaques

Abaixo o gráfico que mostra a evolução da taxa básica referência de juros nos EUA:

Fonte: Bloomberg. Elaboração: Avenue Intelligence – 29/04/2026

Impacto

Aqui os destaques da entrevista com o presidente do Fed, Jerome Powell, e da decisão de juros:

Leitura

A decisão do FOMC de manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,50%–3,75% pela terceira reunião consecutiva foi amplamente esperada, mas o resultado transformou o que seria um evento rotineiro em um dos mais divididos desde 1992: Um dissidente (Stephen Miran) votou por um corte imediato de 25 p.p., enquanto outros três (Hammack, Kashkari e Logan) se opuseram ao viés de afrouxamento (“easing bias”) mantido no comunicado. Isso reflete a tensão atual no mandato duplo do Fed, que enfrenta uma inflação ainda “elevada” (agravada pela guerra no Oriente Médio e preços de energia) versus um mercado de trabalho que perde força, mas sem sinais claros de recessão. A mensagem é de com o Fed optando por esperar mais dados antes de mover as taxas, priorizando estabilidade de preços sem sacrificar o emprego máximo.

Na coletiva de imprensa — a última de Jerome Powell como Chair — o tom foi ao mesmo tempo sereno e firme. O foco agora se volta para a reunião de junho de 2026, a primeira possivelmente sob o comando de Kevin Warsh. O mercado (de acordo com a FedWatch Tool) segue esperando que não ocorram cortes em 2026. Se os dados de maio e junho confirmarem inflação “elevada”, o ciclo de cortes pode ser adiado ou até revertido; se o mercado de trabalho piorar mais rápido, o viés dovish deve ganhar força.

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@willcastroalves

Estrategista-chefe da Avenue Securities


William Castro Alves

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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