O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% pela segunda vez em 2026, em linha com a expectativa do mercado.
O Banco Central Americano reconheceu a incerteza adicionada pelo conflito no Irã, ainda que no comunicado não indique o potencial impacto de tal evento.
Ademais os dirigentes ajustaram suas expectativas para economia adicionando uma perspectiva mais elevada para inflação ao fim de 2026, assim como uma mudança marginal no crescimento econômico para cima.
O Fed manteve as projeções para juros ao fim de 2026.
Destaques
- Essa ainda não foi uma decisão unânime, com 11 dirigentes votando a favor da manutenção de juros e 1 dirigente (Stephen Miran, indicado por Trump) votando a favor de um corte de 0,25p.p.
- O comunicado que acompanha a decisão ficou praticamente inalterado. A principal mudança foi a adição da frase que reconhece o componente de incerteza que o conflito no Irã trouxe ao cenário: “the implications of developments in the Middle East for the U.S. economy are uncertain” (“as implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas”).
- Não houve mudança no gráfico de pontos (“dot plot” do Fed).
- Adicionalmente houve mudanças nas projeções econômicas, essencialmente:
- Incorporando um cenário de inflação maior em 2026, ainda que relativamente brando para 2027.
- Um maior crescimento econômico na margem em 2026 e 2027.
- Manteve inalterado o cenário para juros.
Abaixo o gráfico que mostra a evolução da taxa básica referência de juros nos EUA:
Fonte: Bloomberg. Elaboração: Avenue Intelligence – 18/03/2026
Impacto
- Yields dos títulos de dívida dos EUA sobem, em linha com o desempenho que já acontecia no dia;
- O índice dólar (índice DXY) se valoriza levemente, e contra o Real sobe para R$ 5,22;
- As bolsas americanas reagiram de forma negativa.
Abaixo a tabela de resumo das projeções do FOMC.
Fonte: FOMC 18/mar/2026
Aqui os destaques da entrevista com o presidente do Fed, Jerome Powell, e da decisão de juros.
- Guerra. Powell afirmou que a economia dos EUA está “indo bem”, mas há grande incerteza quanto aos impactos da guerra no Oriente Médio nos preços do petróleo. “Não sabemos quais serão os efeitos disso. Realmente, ninguém sabe”, disse ele.
- Choque de Petróleo. Powell afirmou que o choque de alta nos preços do petróleo pode pressionar a economia dos EUA para baixo, reduzindo gastos e empregos, ao mesmo tempo em que eleva a inflação. No entanto, como os EUA são exportadores líquidos de energia, parte desse impacto negativo seria compensada pelo maior lucro das petrolíferas, que poderiam aumentar a produção — desde que vejam uma alta persistente e duradoura nos preços. Ainda assim, Powell comentou que a alta dos preços do petróleo deve elevar a inflação no curto prazo: “as expectativas de inflação de curto prazo subiram nas últimas semanas, provavelmente refletindo essa alta expressiva do petróleo. No curto prazo, preços mais altos de energia vão pressionar a inflação geral para cima, mas ainda é cedo para saber o alcance e a duração dos impactos na economia”, disse o presidente do Fed.
- Situação difícil. Powell afirmou que o Fed enfrenta uma “situação difícil”, precisando equilibrar os riscos no mercado de trabalho (com viés de baixa, o que sugeriria cortes de juros) e na inflação (com viés de alta, o que indicaria manutenção ou até elevação das taxas).
- Inflação. Powell afirmou que o Fed projeta avanço na inflação este ano para convergir a meta de 2%, mas mais lento do que o desejado. “Haverá algum progresso, não tanto quanto esperávamos, mas deve começar a aparecer no meio do ano, com os efeitos das tarifas diminuindo”, disse. Ele destacou que a previsão de cerca de dois cortes de juros em 2026 é condicional: se a inflação não recuar como esperado, os cortes não ocorrerão.
- Stagflation/Estagflação. Powell refutou um cenário de estagflação. Ele disse que não utilizaria o termo “estagflação” para descrever a economia dos Estados Unidos e ressaltou o quanto a atual situação difere da década de 70 quando o termo foi cunhado – naquele momento o desemprego estava na casa dos dois dígitos e a inflação era realmente elevada de acordo com ele.
Leitura
Conforme amplamente esperado o FOMC optou por manter a taxa de juros inalterada. Por outro lado, o reconhecimento do conflito e as mudanças nas projeções reforçam um cenário prospectivo mais difícil e desafiador para os formuladores de Política Monetária. O choque de petróleo do conflito no Oriente Médio elevou as projeções de inflação (para ~2,7% em 2026), reduzindo as chances de cortes rápidos. O tom principal do comunicado e da entrevista foi o de ressaltar o nível de incerteza, o mercado já vem ajustando suas expectativas de juros para 2026, precificando no máximo um corte nesse ano, com Powell destacando riscos bilaterais (inflação para cima, emprego para baixo) e dizendo que o Fed está no “limite superior” da restrição, sem pressa para afrouxar.
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@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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