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Núcleo da inflação mais alto e guerra devem esfriar apostas de cortes de juros

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

13 mar 2026

Expectativa x Realidade

Expectativa Índice cheio: +0,3% m/m e +2,9% a/a;
Índice: +0,3% e +2,8%, respectivamente.

Expectativa do Núcleo: +0,4% m/m e +3,1% a/a;
Núcleo: +0,4% e +3,1%, respectivamente.

Expectativas para os gastos pessoais: +0,3%
Gastos Pessoais: +0,4%

O relatório de 13 de março de 2026 do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (BEA) mostrou que o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Federal Reserve, subiu 0,3% em janeiro de 2026 — resultando em uma taxa de inflação anual de 2,8%, ligeiramente abaixo dos 2,9% de dezembro de 2025 e em linha com as expectativas do mercado.

No entanto, o núcleo (que exclui os preços voláteis de alimentos e energia) indicou uma alta mensal de cerca de 0,4%, com taxa anualizada de 3,1%, em linha com as expectativas, mas acelerando ligeiramente dos 3,0% de dezembro e mantendo-se em níveis elevados, o maior desde períodos anteriores em 2025.

Além dos dados de preços, o relatório mostrou alta de 0,3% na renda pessoal (em linha com o esperado) e avanço de 0,4% nos gastos dos consumidores, levemente acima do previsto. Preços de bens subiram 0,4% — ainda influenciados pelas tarifas impostas pelo governo Trump — enquanto serviços avançaram 0,3%, indicando pressões inflacionárias mais amplas, não concentradas apenas em bens.

O relatório de hoje, referente a janeiro de 2026 (ainda defasado), mostrou-se em linha, ou ligeiramente mais quente no núcleo, do que o esperado, com o core PCE subindo para 3,1% anual — reforçando preocupações sobre a persistência da inflação acima da meta de 2%. Embora o dado cheio tenha suavizado um pouco para 2,8%, a aceleração no núcleo preocupa por sugerir que a desinflação pode estar pausando ou revertendo parcialmente, após uma tendência de estabilização ou melhora gradual nos meses anteriores. Esse número tende a reduzir apostas em cortes de juros próximos ou agressivos no curto prazo, com o mercado agora precificando menor probabilidade de afrouxamento monetário iminente (embora o Fed continue monitorando dados mistos de atividade, emprego e possíveis impactos externos, como tensões geopolíticas no Oriente Médio que afetam energia). O Fed deve manter cautela, com foco em evidências sustentadas de retorno à meta.

Em termos de impactos, podemos dizer que foram limitados. O mercado segue influenciado pelas notícias do conflito no Oriente Médio.

Sobre o dado. O Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) além de ser a medida preferida de inflação pelo Fed, monitora as variações nos preços de uma ampla gama de bens e serviços consumidos pelas famílias, com foco nos gastos reais em vez de itens fixos. Diferentemente do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), produzido pelo Bureau of Labor Statistics, que utiliza uma cesta de bens rígida e pesos baseados em pesquisas de consumo de um período específico (atualizados a cada dois anos), o PCE é um índice com ajustes dinâmicos para refletir mudanças no comportamento dos consumidores, minimizando o viés de substituição (quando as pessoas trocam itens mais caros por mais baratos). Além disso, o PCE atualiza seus pesos anualmente, inclui mais gastos com saúde financiados por empregadores e serviços financeiros (que o CPI exclui em grande parte), e geralmente registra taxas de inflação ligeiramente inferiores ao CPI devido a essas metodologias mais flexíveis e abrangentes.

@willcastroalves

Estrategista-chefe da Avenue Securities


William Castro Alves

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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