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Exclusivo: Governo Trump está elaborando uma proibição de dispositivos chineses para data centers, dizem fontes

05 ago 2026

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está elaborando uma proibição às importações para os EUA de novos modelos de componentes chineses para data centers, segundo informaram à Reuters quatro pessoas a par do assunto, em uma iniciativa que visa proteger a infraestrutura que sustenta o crescimento da inteligência artificial.

A Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), que supervisiona o setor de telecomunicações dos EUA, está trabalhando na medida para proibir a importação de novos transceptores ópticos chineses, que permitem que os dados trafeguem por cabos de fibra óptica à velocidade da luz dentro dos data centers. As autoridades esperam publicar a medida ainda este ano, quando ela entraria em vigor.

A medida, que não havia sido divulgada anteriormente, visa impedir que empresas chinesas roubem dados, instalem malware ou interrompam o serviço em data centers dos EUA, que abrigam os chips utilizados para treinar e executar modelos de IA.

A FCC ainda poderia modificar ou arquivar a restrição, ressaltaram as fontes, que falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos delicados. Mas este é o mais recente exemplo da tentativa do governo Trump de limitar as incursões tecnológicas chinesas em setores de ponta dos EUA antes que elas se tornem parte integrante da cadeia de suprimentos.

“Os transceptores definitivamente representam um risco”, disse Divyansh Kaushik, especialista em políticas de IA da Beacon Global Strategies, empresa de consultoria sediada em Washington, D.C. “À medida que a expansão dos data centers ganha escala, é preciso garantir que a cadeia de suprimentos dos data centers esteja segura desde o início”, acrescentou ele.

A Casa Branca e a FCC não responderam aos pedidos de comentários. A embaixada chinesa em Washington afirmou que Pequim faz um apelo aos Estados Unidos a “dar ouvidos às vozes objetivas e racionais das comunidades empresariais de ambos os países” e a “parar de difamar as empresas chinesas e ameaçá-las com sanções”.

“A China tomará todas as medidas necessárias em resposta a qualquer ação que cause dano material aos seus interesses”, acrescentou.

Os defensores de uma linha dura em relação à China no governo Trump estão empenhados em evitar outra situação como a da Huawei, em que os equipamentos de telecomunicações fabricados pela empresa chinesa — alvo de pesadas sanções — estavam tão profundamente integrados à infraestrutura dos EUA que os esforços para removê-los foram lentos, caros e incompletos.

A FCC sempre foi independente, mas, em junho, a Suprema Corte dos EUA endossou a demissão, por Trump, de um membro democrata da Comissão Federal de Comércio, ampliando os poderes presidenciais sobre o governo, incluindo certas agências reguladoras.

Uma proibição dos EUA sobre novos modelos de dispositivos chineses para data centers provavelmente afetaria a chinesa Zhongji Innolight , uma das maiores vendedoras globais de transceptores, que foi incluída em junho na lista do Pentágono de supostas empresas chinesas apoiadas pelas Forças Armadas. A lista pode ser um prenúncio de medidas mais duras. A Innolight não respondeu aos pedidos de comentários.

Uma proibição também poderia elevar os custos para empresas norte-americanas de nuvem, como a Amazon Web Services , já que poderia forçá-las a migrar para outros fabricantes, como a Coherent e a Lumentum , ambas sediadas nos EUA, que devem se beneficiar com a medida.

A Innolight detém uma participação líder de 27% no mercado global de transceptores para data centers, de acordo com a Counterpoint Research. A Coherent e a Lumentum vendem tecnologia competitiva, mas não têm escala suficiente para substituir os fornecedores chineses, segundo um relatório da Foundation for American Innovation. A Innolight gera 90% de sua receita fora da China, acrescentou o relatório.

A AWS, a Coherent e a Lumentum não responderam aos pedidos de comentários.

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Agência Reuters

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