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Mais um conflito no Oriente Médio movimentando o mercado

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

02 mar 2026

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O evento

No último sábado (28 de fevereiro de 2026), Estados Unidos e Israel iniciaram uma operação militar conjunta de grande escala contra alvos estratégicos no Irã, incluindo instalações nucleares, militares e de comando. Denominada “Fúria Épica” pelo lado americano e com codinomes como “Leão Rugidor” pelo lado israelense, a ação resultou na eliminação do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e de altos comandantes da Guarda Revolucionária. Os ataques prosseguiram no domingo, com novas ondas de bombardeios em Teerã e outras localidades. O Irã respondeu com lançamentos de mísseis e drones contra território israelense e bases americanas no Golfo Pérsico (Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Jordânia), levando ao fechamento de espaços aéreos regionais e à escalada de tensões em nível não observado desde as décadas de 1970 e 1980. O contexto imediato envolveu o colapso de negociações nucleares recentes, tendo os objetivos declarados sido a neutralização das capacidades nucleares e balísticas iranianas.

Reação e impactos no mercado – no curto prazo

No curto prazo, a reação do mercado tende a ser imediata, refletindo o clássico padrão de aversão ao risco em episódios geopolíticos de alta intensidade. Em termos práticos, temos:

  • Elevação dos níveis de volatilidade e aumento da aversão ao risco em nível global.
  • Isso tende a gerar quedas nos mercados de renda variável. Aqui nos referimos, em contexto geral, aos índices acionários. Em termos setoriais, segmentos como aviação, empresas de cruzeiro, turismo e aquelas que se relacionam mais diretamente com o Oriente Médio tendem a sofrer mais. Por outro lado, ações do segmento de defesa e de petróleo podem performar positivamente.
  • Fortalecimento de moedas consideradas refúgio em meio a crises – caso especialmente do dólar, mas também do franco suíço, iene japonês e, eventualmente, do euro. No mercado cambial, o dólar americano se beneficia da saída de capitais de mercados emergentes.
  • Essa aversão ao risco também tende a reduzir o apetite e o fluxo para moedas e mercados emergentes.
  • Nas commodities, o principal impacto tende a ser sentido no petróleo, em função do prêmio de risco associado a possíveis interrupções de oferta e/ou ataques a instalações que causem disrupções na oferta. O risco de disrupção no Estreito de Ormuz — corredor por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial — pode impulsionar altas.
  • O ouro e as commodities metálicas também tendem a ser demandados como ativos de segurança. O ouro, em particular, tende a ser demandado como um ativo de refúgio.

Histórico e impactos a médio prazo

O histórico de conflitos no Oriente Médio oferece alguns parâmetros para avaliação prospectiva – importante ressaltar que não há garantia alguma de que a performance ou o padrão observados no passado irão se repetir. Fundamental é entender que os impactos variam conforme a duração do conflito, interrupções no suprimento de petróleo e respostas de bancos centrais. Esse é o ponto central para qualquer análise: a magnitude de repostas e ataques de ambos os lados, bem como a extensão de duração do conflito.

Ainda que o Irã seja um país de grandes proporções e com capacidade militar, a verdade é que diversas crises no Oriente Médio nas últimas décadas mostram que, em 6 a 8 semanas, normalmente os mercados acionários se recuperam e o petróleo devolve parte das altas iniciais, exceto em choques extremos, como foram os casos da Guerra do Golfo (1990-1991). No mercado acionário, os conflitos no Oriente Médio causaram quedas iniciais nas bolsas devido à aversão ao risco, mas com recuperações relativamente rápidas quando os conflitos foram breves.

Em contrapartida, caso haja persistência e/ou intensificação do conflito, poderemos ver níveis de volatilidade elevados, com índices acionários em tendência lateral ou retornos limitados, além de pressões adicionais sobre fluxos de capital em mercados emergentes.

Em 12 meses, a experiência histórica aponta para resiliência: choques geopolíticos isolados raramente impedem a recuperação quando os fundamentos econômicos globais permanecem sólidos. Nas Guerras do Golfo (1990-1991) e do Iraque (2003), observou-se queda inicial expressiva nos índices acionários (o S&P 500 recuou entre 5% e 11% nos primeiros dias ou semanas), seguida de recuperação acelerada à medida que a incerteza se dissipava. Em horizonte de 12 meses, os retornos foram frequentemente positivos. Os preços do petróleo apresentaram picos iniciais relevantes, mas tenderam a reverter parte significativa da alta quando a oferta global se ajustou ou o conflito não se prolongou de forma extrema.

Conclusão

Os eventos geopolíticos no Oriente Médio requerem cautela e monitoramento por parte dos investidores. Os principais vetores de transmissão para os mercados permanecem consistentes: aumento da aversão ao risco, elevação dos custos energéticos com impacto inflacionário importado e potencial ajuste nas políticas monetárias pelos bancos centrais para mitigar efeitos recessivos. No entanto, embora a incerteza gere volatilidade no curto prazo, o registro histórico sugere que episódios dessa natureza, para investidores com horizonte de médio e longo prazo, frequentemente se convertem em momentos de oportunidade.

Nós, da Avenue, estamos prontos para te ajudar a navegar as turbulências que o mercado apresenta, mantendo o foco em uma alocação estrutural e global que te permita atravessar momentos como esse. Acesse o nosso time de assessoria.


@willcastroalves

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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