Por Agência Reuters
06 mar 2026
A guerra no Irã impulsionou um aumento significativo na demanda por petróleo e gás da Rússia, disse o Kremlin nesta sexta-feira, aumentando as exportações que foram afetadas nos últimos anos pelas sanções relacionadas à guerra com a Ucrânia.
O conflito com o Irã, agora em seu sétimo dia, deixou o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para a navegação, praticamente fechado, isolando os países de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.
“Estamos vendo um aumento significativo na demanda por recursos energéticos russos em decorrência da guerra no Irã”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres nesta sexta-feira, acrescentando que a Rússia “continua sendo um fornecedor confiável” tanto de petróleo quanto de gás, incluindo GNL (Gás Natural Liquefeito).
Na quinta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA concedeu uma isenção de 30 dias permitindo que a Índia compre petróleo russo atualmente retido no mar. A medida surge após meses de pressão dos EUA para que Nova Déli não comprasse barris russos.
Peskov recusou-se a divulgar os possíveis volumes que poderiam ser enviados para a Índia em função da isenção.
Segundo três fontes consultadas pela Reuters, os negociadores estão vendendo petróleo bruto russo Urals para a Índia com um prêmio de US$4 a US$5 por barril em relação ao Brent, com entrega prevista para março e início de abril.
O desconto do petróleo bruto em relação ao Brent no porto russo de Primorsk, no Mar Báltico, diminuiu em cerca de US$5 por barril, para aproximadamente US$20 por barril na base FOB (free on board), que não leva em consideração o transporte e alguns outros custos para o vendedor, segundo cálculos da Reuters divulgados nesta sexta-feira.
“Assim, o conflito no Estreito de Ormuz está criando condições favoráveis para o crescimento das receitas da Rússia com as exportações de energia”, disse Igor Yushkov, analista da Universidade Financeira, instituição estatal russa.
O diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirmou nesta sexta-feira que depender da Rússia para o fornecimento de gás seria um erro econômico e político, considerando a crescente oferta global de GNL.
Após a Rússia ter iniciado a guerra contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, o Ocidente agiu rapidamente para reduzir sua dependência do petróleo e do gás russos, a espinha dorsal da economia de Moscou.
A União Europeia impôs diversas restrições à importação e exportação de vários produtos, resultando numa queda de 61% nas vendas para a Rússia e de 90% nas importações vindas do país entre o início de 2022 e o final de 2025.
As exportações de gás natural da Rússia para a Europa caíram 44% em 2025, atingindo o nível mais baixo desde meados da década de 1970, após o fechamento de uma importante rota de trânsito pela Ucrânia e devido à eliminação gradual das importações de combustíveis fósseis da Rússia pela União Europeia.
Bruxelas também elaborou um plano para interromper as importações russas de GNL até o final de 2026 e de gás por gasoduto até 30 de setembro de 2027. Já o presidente Vladimir Putin sugeriu que a Rússia poderia cortar as exportações de GNL e gás para a Europa.
“A estratégia energética da União Europeia — baseada na ideia de que os volumes russos poderiam ser permanentemente substituídos por uma combinação de GNL dos EUA, do Catar e de outros países, além de energias renováveis aceleradas — está agora seriamente em questão”, disse Christopher Weafer, analista da consultoria Macro-Advisory.
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