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Payroll setembro 2026: mercado de trabalho desacelera nos EUA

02 out 2026

Resumo

Expectativa x Realidade

Expectativa de criação de 84 mil postos de trabalho

Houve a criação de 29 mil postos de trabalho

Dado anterior foi revisado de 162 mil para 133 mil

Expectativa para taxa de desemprego: 4,1%

Taxa de desemprego observada: 4,2%

Expectativas para os salários: +3,1% anual e +0,3% mensal

Salários cresceram +3,0% na comparação anual e +0,1% na comparação mensal

Leitura e Impacto

O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) divulgou hoje, 2 de outubro de 2026, o relatório de empregos não agrícolas de setembro de 2026. O relatório mostrou a criação de 29 mil postos no mês, bem abaixo da expectativa do mercado de 84 mil empregos. Houve revisões negativas para os meses anteriores: julho passou de um ganho de 21 mil para uma queda de 10 mil, e agosto foi revisado de +162 mil para +133mil, totalizando 29 mil empregos a menos do que o previamente reportado. A taxa de desemprego ficou 1 ponto percentual acima do esperado e do reportado anteriormente, ficando em 4,2%, confirmando a perda de força do mercado de trabalho após a desaceleração do verão. Em termos de ganhos salariais, o aumento em base anual ficou em +3,0% e o mensal em +0,1%, o menor ritmo desde 2021 ambos abaixo do esperado.

Em termos de impacto no mercado, o dado reforça uma leitura dovish: um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado, com revisões negativas e desemprego em alta, tende a reduzir a probabilidade de o Fed manter uma postura restritiva, pressionando os yields dos Treasuries para baixo. Ativos de risco reagiram de forma mista: por um lado, a perspectiva de juros mais baixos favorece as bolsas; por outro, a fraqueza do mercado de trabalho levanta preocupações sobre o ritmo de crescimento.

A abertura do dado por mostrou ganhos concentrados em saúde (+17 mil), construção (+11 mil) e indústria (+9 mil). Do lado das perdas, destacaram-se governo (-17 mil), serviços temporários (-11 mil), informação (-10 mil) e atividades financeiras (-7 mil). O setor de lazer e hospitalidade desacelerou para +10 mil, após ganho de 37 mil em agosto.

Fonte: Bloomberg – Elaboração Avenue


O payroll de setembro veio mais fraco que o esperado em todas as medições, com revisões negativas e desemprego em alta, , reforçando uma leitura dovish para os juros. Isso reduz o ímpeto de mercado e as apostas de elevação de juros na próxima reunião do FOMC na reunião de 27 e 28 de outubro, e suaviza a amplitude do movimento de alta nos yields recentes.

No mercado de juros, o efeito foi de uma queda nos yields, sobretudo na ponta curta, com a redução de apostas mais agressivas de aumentos de juros olhando a frente. No câmbio, a queda dos yields reduz o suporte recente ao dólar, já que um mercado de trabalho mais fraco reduz o diferencial de juros a favor dos Estados Unidos.

Na bolsa, apesar do viés positivo de juros mais baixos para ativos de risco, entendemos que um mercado de trabalho mais fraco pode levantar preocupações sobre o consumo, o qual é um importante vetor para o crescimento econômico. Ainda é cedo para falar, pois trata-se de apenas um dado isolado que sugere um nível de atividade econômica menos dinâmica.

Do lado da inflação, o núcleo do PCE também surpreendeu para baixo em agosto, confirmando uma desaceleração mais rápida do que a antecipada.

Por fim, entendemos que, o dado de forma isolada não muda a leitura nem a tendência e discussão vigente no mercado sobre a necessidade de aumentos de juro. Apenas abranda as expectativas mais hawkish do mercado e traz de novo a atenção aos dados de inflação para a inferência dos próximos passos do Fed.

Para mais comentários como este, acesse: avenue.us/mercados

@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities

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