07 ago 2026
Expectativa x Realidade
Expectativa de criação de 80 mil postos de trabalho.
Houve uma contração de 23 mil postos de trabalho.
Dado anterior foi revisado de 57 mil para 20 mil.
Expectativa para taxa de desemprego: 4,2%.
Taxa de desemprego observada: 4,1%.
Expectativas para os salários: +3,5% anual e +0,3% mensal.
Salários cresceram +3,2% na comparação anual e +0,1% na comparação mensal
O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) divulgou hoje, 7 de agosto de 2026, o relatório de empregos não agrícolas de julho de 2026. O relatório nos trouxe uma perda de 23 mil postos no mês, bem abaixo da expectativa de mercado de 80 mil empregos criados. Tivemos revisões negativas para os meses de junho (revisão de 37 mil, de +57 mil para +20 mil) e maio (revisão de 66 mil, de +129 mil para +63 mil), totalizando 103 mil empregos a menos do que o previamente reportado.
Já a taxa de desemprego demonstrou melhora para 4,1% (abaixo da leitura anterior de 4,2%) – sinalizando sinais mistos em um mercado de trabalho que continua a esfriar nos Estados Unidos. Em termos de ganhos salariais, o aumento em base anual ficou em +3,2% e o mensal em cerca de +0,1% (+2 centavos), ambos abaixo do ritmo anterior.
Em termos de setores, a saúde continuou liderando os ganhos, adicionando 22 mil cargos. Já na ponta negativa, o governo local de educação registrou perda de 50 mil empregos e o varejo perdeu 19 mil no mês.
Em termos de impacto no mercado, o dado provocou reação dovish nos mercados, ou seja: a interpretação de uma menor chance de alta de juros pelo Fed em setembro, fez com que os yields dos Treasuries americanos recuassem, com isso o dólar sofreu pressão de baixa e o ouro ganhou suporte; por fim esse cenário misto acaba sendo visto como favorável para ativos de risco no curto prazo, então vimos os futuros de bolsa reagindo positivamente.

O Payroll de julho trouxe certa surpresa no mercado, com impactos na interpretação do cenário econômico atual. A contração de postos de trabalho associada a revisão dos dados anteriores, trouxe a média de criação de vagas de emprego para apenas 34 mil nos últimos 12 meses. Ainda assim, a taxa de desemprego caiu e ainda vimos os salários crescendo, ainda que em menor medida.
Quais as consequências diretas?
(i) Reforça um cenário de desaceleração na economia. Ainda assim, considerando o histórico de volatilidade do dado e com todos os eventos que vivemos atualmente (conflito, investimentos em AI, Copa do Mundo, entre outros), entendemos que o dado de forma isolada não é suficiente para justificar uma interpretação fortemente negativa da atividade.
(ii) Traz de volta o olhar e o cuidado do mercado também com o mercado de trabalho, após um foco maior em inflação nos últimos meses.
(iii) Traz uma leitura mais dovish pelo mercado e reduz-se ou se afastam cenários de superaquecimento da economia que exija uma postura mais rígida pelo Banco Central Americano. Não por acaso vimos os yields refletindo diretamente ao dado.
(iv) A percepção de desaceleração marginal, mas não recessão, aliada a mudança de orientação acerca dos juros, acaba por favorecer ativos de risco como ações e moedas emergentes.
A abertura do dado por setores mostrou que a queda foi puxada por uma redução de 50 mil vagas no setor de educação pública local e pela perda de 19 mil empregos no varejo; o setor de atividades financeiras também registrou uma queda de 14 mil postos de trabalho; já o setor de saúde, que vinha liderando a criação de empregos, registrou um aumento de 22 mil vagas, número esse abaixo da média de 36 mil observada nos últimos 12 meses.ação de madeira, veículos automotores e peças, varejo, utilities, informação, e lazer e hospitalidade liderando as perdas com -61 mil.
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@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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