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Payroll: mercado de trabalho americano cresce em junho, mas menos do que o previsto

02 jul 2026

Resumo

Expectativa x Realidade

Expectativa de criação de 114 mil postos de trabalho.
Foram criados 57 mil postos de trabalho.
Dado anterior foi revisado de 172 mil para 129 mil.

Expectativa para taxa de desemprego: 4,3%.
Taxa de desemprego observada: 4,2%.

Expectativas para os salários: +3,5% anual e +0,3% mensal.
Salários cresceram +3,5% na comparação anual e +0,3% na comparação mensal.

Leitura e Impacto

O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) divulgou hoje, 2 de julho de 2026, o relatório de empregos não agrícolas de junho de 2026.

O relatório nos trouxe uma criação de 57 mil postos no mês, abaixo da expectativa de mercado de 114 mil empregos criados. Tivemos revisões negativas para os meses de maio (revisão de 43 mil) e abril (revisão de 31 mil).

Já a taxa de desemprego demonstrou melhora marginal para 4,2% (abaixo das três leituras anteriores, de 4,3%) – demonstrando um mercado de trabalho resiliente nos Estados Unidos.

Em termos de ganhos salariais, tanto o aumento em base anual (+3,5%), quanto o aumento em base mensal (+0,3%), vieram em linha com o que previa o mercado.

Em termos de setores, Serviços privados de educação e saúde foram os líderes da criação de empregos em junho, adicionando 69 mil cargos ao mercado. Já na ponta negativa, o setor de lazer e hospitalidade registrou uma perda de 61 mil empregos no mês, revertendo a tendência do mês anterior.

A criação de empregos no mês de junho, ainda que abaixo do esperado e com revisões negativas, sustenta a ideia de um mercado de trabalho americano resiliente, que criou mais de 500 mil postos de trabalho nos primeiros 6 meses do ano.

Mesmo com um Banco Central Americano (Fed), sob a nova presidência de Kevin Warsh, que passa a não dar pistas sobre decisões futuras, entendemos que o foco da preocupação atual do comitê gira em torno do controle da inflação. Ainda mais depois do discurso de Warsh ontem, 01/jul, pontuando mais uma vez que “está animado com a recente desaceleração das expectativas de inflação, mas que o nível atual ainda não é satisfatório”.

Fonte: BLS (elaboração Avenue)

O impacto do dado de hoje é de queda nos yields dos principais vértices das treasuries americanas (com exceção dos vértices mais longos, como 20 e 30 anos).

Os vértices mais curtos, que apresentam a maior variação, recalibram as expectativas de aumento de juros no curto prazo, mas que:

i) permanecem, ainda, em níveis mais elevados que os observados há um mês (antes das projeções atuais do FOMC); e
ii) ainda precificam um aumento na taxa de juros em 2026.

Em termos de dólar, vemos a moeda americana cedendo tanto contra o real (com o USD/BRL cedendo para a casa de 5,19), quanto em nível global (com o índice DXY cedendo aproximadamente -0,7%).

O mercado aguarda o discurso de Kevin Warsh na próxima decisão do Fed, dia 29/jul, ainda que com um discurso mais “contido”.

Abrindo o dado por setores, o que observamos é uma alta pautada no setor privado (+49 mil), enquanto o setor público adicionou apenas 8 mil postos em junho.

O destaque positivo fica dentro do guarda-chuva de serviços, com:

Já setores onde vimos destruição de cargos são mineração e extração de madeira, veículos automotores e peças, varejo, utilities, informação, e lazer e hospitalidade liderando as perdas com -61 mil.

Para mais comentários como este, acesse: avenue.us/mercados

@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGR Gestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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