Expectativa x Realidade
Expectativa de criação de cerca de 65 mil postos de trabalho.
Houve a criação de 165 mil postos de trabalho.
Revisões positivas: agosto foi revisado de +133 mil para +186 mil (+53 mil) e setembro de +29 mil para +60 mil (+31 mil), totalizando +84 mil empregos a mais do que o previamente reportado.
Expectativa para taxa de desemprego: 4,2%.
Taxa de desemprego observada: 4,1% (queda de 0,1 p.p.).
Expectativas para os salários: cerca de +0,3% mensal e ~+2,9% anual.
Salários cresceram +0,4% na comparação mensal e +3,1% na comparação anual.
Leitura e Impacto
O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) divulgou hoje, 6 de novembro de 2026, o relatório de empregos não agrícolas de outubro de 2026. O relatório mostrou a criação de 165 mil postos no mês, bem acima da expectativa do mercado (cerca de 62–65 mil). Houve revisões positivas para os meses anteriores, totalizando 84 mil empregos a mais do que o previamente reportado. A taxa de desemprego caiu para 4,1%, abaixo do esperado e do reportado anteriormente. Em termos de ganhos salariais, o aumento em base mensal ficou em +0,4% e o anual em +3,1%, ambos acima do esperado.
Em termos de impacto no mercado, o dado reforça uma leitura hawkish: um mercado de trabalho mais forte e resiliente do que o esperado, com revisões positivas, desemprego em queda e salários acelerando, tende a reduzir a probabilidade de o Fed adotar uma postura mais dovish, pressionando os yields dos Treasuries para cima. Ativos de risco reagiram de forma mista: por um lado, a força do mercado de trabalho favorece o crescimento e o consumo; por outro, a perspectiva de juros mais altos por mais tempo pode pesar.
A abertura do dado mostrou ganhos concentrados em serviços profissionais e empresariais (+70 mil), saúde (+42 mil) e transporte e armazenagem (+25 mil), além de indústria (+19 mil). Do lado das perdas ou fraqueza, destacou-se lazer e hospitalidade (-13 mil). O governo teve ganho modesto de +6 mil.

Fonte: Bloomberg – Elaboração Avenue
O payroll de outubro veio mais forte que o esperado em todas as medições principais, com revisões positivas, desemprego em queda e salários acelerando, reforçando uma leitura hawkish para os juros. Isso aumenta o ímpeto de mercado para apostas de juros mais altos por mais tempo (ou reduz a chance de cortes) e sustenta o movimento de alta nos yields recentes.
No mercado de juros, o efeito foi de alta nos yields, sobretudo na ponta curta, com a redução de apostas mais agressivas de cortes de juros olhando para a frente. No câmbio, a alta dos yields dá suporte ao dólar, já que um mercado de trabalho mais forte amplia o diferencial de juros a favor dos Estados Unidos.
Na bolsa, apesar do viés negativo de juros potencialmente mais altos para ativos de risco, um mercado de trabalho mais forte sustenta o consumo e o crescimento econômico. Ainda é um dado isolado, mas sugere um nível de atividade econômica mais dinâmico do que o temido após o verão.
Do lado da inflação, a aceleração salarial merece atenção, embora o foco continue nos dados de preços. Por fim, o dado de forma isolada não muda radicalmente a leitura vigente, mas abraça as expectativas mais hawkish do mercado e reforça a atenção aos próximos dados de inflação e ao mercado de trabalho para a inferência dos próximos passos do Fed.
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@willcastroalves
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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