Por Bernardo Caram, Agência Reuters
11 dez 2025
BRASÍLIA, 10 Dez (Reuters) – O Banco Central decidiu nesta quarta-feira manter a taxa Selic em 15% ao ano, como esperado, e não sinalizou quando poderá iniciar um ciclo de cortes nos juros, reforçando que a manutenção desse nível por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação à meta.
O comunicado da decisão, tomada de forma unânime pela diretoria da autarquia, manteve quase a integralidade da mensagem apresentada em novembro, com poucas alterações, que incluíram projeções melhores para a inflação à frente.
“O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, apontou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC no comunicado, adotando a palavra “adequada” no lugar de “suficiente”, usada em novembro.
“O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, acrescentou, pregando cautela na política monetária diante da elevada incerteza.
A decisão desta quarta veio em linha com a expectativa de mercado captada em pesquisa da Reuters, na qual todos os 41 economistas entrevistados projetavam que o BC manteria a Selic em 15% neste mês.
O foco dos analistas, no entanto, estava em possíveis sinalizações da autarquia sobre quando poderá cortar a taxa, em meio a sinais crescentes de esfriamento gradual da economia e de um movimento de melhora das expectativas para os preços à frente, com a inflação corrente retornando nesta quarta-feira para dentro do intervalo de tolerância da meta.
Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), notou que o comunicado não apresentou qualquer indicação sobre flexibilização da política monetária neste momento.
“O Copom não abriu espaço para cortes imediatos e mantém postura de cautela diante da incerteza externa e das expectativas de inflação ainda acima da meta”, disse.
O economista do ASA Leonardo Costa avaliou que o comunicado tem tom neutro para levemente duro, com potencial de esvaziar parte da aposta do mercado de corte já na reunião do Copom de janeiro.
Já a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, disse que o BC não abriu espaço para discussão do início da flexibilização monetária, o que deve deixar o mercado dividido para a próxima reunião, mas ponderou estar mantendo previsão de corte em janeiro, “condicionada a nova evolução positiva do cenário”.
O BC melhorou nesta quarta sua projeção de inflação para este ano em relação a novembro, de 4,6% para 4,4%, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros.
Para o fechamento de 2026, a projeção caiu de 3,6% para 3,5%. Em relação ao segundo trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa ficou em 3,2%, contra previsão anterior de 3,3%.
Para fazer as projeções do cenário de referência divulgadas nesta quarta, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,35, contra R$5,40 usados na reunião de novembro.
Para o BC, indicadores de atividade seguem apresentando moderação, “como observado na última divulgação do PIB” –que desacelerou a 0,1% no terceiro trimestre.
No comunicado, a autarquia deixou de dizer que o mercado de trabalho “ainda mostra dinamismo”, passando a afirmar apenas que apresenta “resiliência”.
Em relação à inflação corrente, a autarquia disse que dados seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta. O BC ainda deixou inalterado seu balanço de riscos para os preços à frente, reiterando que as chances de alta e de baixa seguem mais elevadas que o usual.
O mercado financeiro tem melhorado as projeções para os preços, mas com maior resistência em períodos mais longos, sempre em níveis ainda fora do centro da meta de 3%, alvo que o BC tem repetido que trabalha firmemente para alcançar.
A previsão para o IPCA de 2025 no boletim Focus caiu de 4,55% antes do encontro do Copom em novembro para 4,40% nesta semana. Para 2026, as expectativas baixaram de 4,20% para 4,16%. O dado de 2027, no entanto, foi mantido em 3,80%.
O centro da meta contínua para a inflação é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
A decisão desta quarta-feira representa a quarta manutenção consecutiva da Selic em 15% ao ano, patamar alcançado após sete elevações feitas até julho deste ano e que levaram a taxa ao patamar mais alto em quase duas décadas.
No cenário externo, o BC disse que o ambiente segue incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, o que demanda cautela de países emergentes.
Mais cedo nesta quarta, o Federal Reserve cortou a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75%, em votação dividida, e sinalizou que provavelmente fará uma pausa em outras reduções nos custos de empréstimos, prevendo mais um corte de 0,25 ponto em 2026 e outro em 2027.
(Por Bernardo Caram)
DISCLAIMER
Avenue Securities Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (“Avenue Securities DTVM”) é uma distribuidora de valores mobiliários brasileira devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil (“BCB”) e pela Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) Os saldos disponíveis em Reais são mantidos na Avenue Securities DTVM Ltda., uma instituição financeira regulada. Os fundos detidos pela Avenue Securities DTVM não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Veja todos os avisos importantes em: https://avenue.us/termos/