Antes de iniciar nossa reflexão semanal, convido você a conhecer a nova página de conteúdo da Avenue. Acreditamos que oferecer informação de qualidade é uma das formas mais sólidas e eficazes de fortalecer nossa conexão com quem acompanha de perto o universo dos investimentos. Nessa nova plataforma, reunimos análises, trilhas de educação financeira e insights sobre o mercado internacional — tudo pensado para aprimorar a sua tomada de decisão e expandir a sua perspectiva global. Espero que aproveite e, principalmente, se sinta ainda mais próximo de nós nesse novo espaço:

A SEMANA QUE PASSOU

A semana passada foi relativamente “morna” em termos de indicadores econômicos. O destaque ficou para o Flash PMI de julho – indicador que mede as tendências da economia nos segmentos de serviços e indústria, capturando a expansão ou contração desses setores em bases mensais, com base em pesquisas realizadas junto a gerentes de compras.
Em linhas gerais, a pesquisa mostrou que a atividade econômica americana continua crescendo, puxada pelo setor de serviços, enquanto a indústria apresentou sinais de contração. O índice composto revelou que a atividade cresceu mais rapidamente em julho ante o mês anterior, subindo de 52,9 para 54,6. Como o indicador permanece acima da marca de 50 (limite que separa expansão de contração), o resultado sugere que o setor privado norte-americano vem ganhando fôlego
Vale observar, contudo, que os setores apresentaram dinâmicas distintas: o PMI Industrial recuou de 52,9 para 49,5, sinalizando perda de força na indústria. Em contrapartida, o PMI de Serviços avançou de 52,9 para 55,2, indicando fortalecimento da demanda.
Segundo Chris Williamson, economista-chefe de Negócios da S&P Global Market Intelligence:
“O setor de serviços dos EUA relatou uma combinação bem-vinda de crescimento sustentado e aumento de contratações em junho, mas também relatou pressões elevadas sobre os preços, o que pode aumentar a pressão sobre os formuladores de políticas para que permaneçam cautelosos em relação a qualquer novo afrouxamento da política monetária”.
O gráfico abaixo evidencia essa diferença de performance entre indústria e serviços:

Fonte: PMI S&P Global, 24/jul/2025
Olhando à frente, ele ainda destacou:
“Os dados preliminares do PMI indicaram que a economia dos EUA cresceu a uma taxa acentuadamente mais alta no início do terceiro trimestre, consistente com a expansão da economia a uma taxa anualizada de 2,3%. Isso representa uma melhora acentuada em relação à taxa de 1,3%, sinalizada pela pesquisa para o segundo trimestre”.
O gráfico seguinte compara o nível do PMI com o crescimento de PIB, mostrando a correlação entre esses dois indicadores e que o nível atual de PMI é compatível com uma taxa de crescimento superior a 2%, em linha com a análise mencionada anteriormente pelo economista da S&P Global.

Fonte: PMI S&P Global, 24/jul/2025
Ou seja, trata-se de mais um dado que reforça a resiliência da economia americana e a continuidade do seu crescimento. Corroborando essa visão, a ferramenta GDP Now, do Fed de Atlanta, também projeta uma estimativa de crescimento do PIB em 2,4% para o 2T25. Portanto, a despeito de todos os receios, comentários e perspectivas negativas, a economia americana segue em expansão.

RESULTADOS
Outro foco importante do mercado foram os resultados corporativos. A seguir, ressaltamos três deles:
- Tesla (TSLA): as ações da montadora de carros elétricos de Elon Musk sofreram após a empresa ter reportado números bem aquém do esperado pelo mercado, com a receita registrando uma queda de 12%. Em resposta, Musk convidou os acionistas a concentrarem sua atenção nos desenvolvimentos esperados para o futuro da empresa, como os robotaxis e os robôs humanóides Optimus;
- Google (GOOGL): a Alphabet, controladora do Google, reportou números acima dos esperados pelo mercado em todas as suas linhas de negócios. Um ponto sensível do balanço, que influenciou o desempenho das ações, foram os investimentos projetados pela empresa: a Alphabet anunciou que pretende investir US$ 85 bilhões em capital durante o ano de 2025 (CAPEX) – valor US$ 10 bilhões acima ao estimado anteriormente. Segundo a companhia, o aumento se deve à “forte e crescente demanda por nossos produtos e serviços em nuvem”;
- IBM (IBM): a IBM apresentou resultados melhores do que os esperados pelo mercado. Ainda assim, as suas ações reagiram negativamente devido ao desempenho aquém do previsto no segmento de software – a receita do setor atingiu US$ 7,39 bilhões, levemente abaixo dos US$ 7,49 bilhões estimados. Além disso, as margens brutas também ficaram abaixo do consenso, o que foi interpretado como um fator negativo pelos investidores.
Trouxemos aqui alguns dos destaques, mas tem muito mais acontecendo. Então, aproveite e salve a página Resultados Trimestrais – Temporada de balanços nos EUA para acompanhar a cobertura completa feita pelo nosso time de especialistas!
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IMPACTOS NO MERCADO

O S&P 500 e o Nasdaq atingiram novamente máximas históricas, impulsionados pelo otimismo em relação aos acordos comerciais. Um importante acordo comercial entre os EUA e o Japão reduziu as tarifas de 25% para 15% no início da semana, fortalecendo o sentimento positivo do mercado. Também houve avanços nas negociações com Filipinas e Indonésia, além da perspectiva de potenciais acordos com a União Europeia – fatores que continuaram impulsionando as ações.
UMA SEMANA MUITO IMPORTANTE SE INICIA…
Entramos em uma semana carregada de indicadores econômicos — PIB, PCE, Payroll e decisão de juros —, aliada à divulgação de resultados corporativos e à proximidade da data-limite para definição das tarifas (prazo final das negociações em 1º de agosto)… e tudo isso com mercados operando próximos às máximas, tornando esta uma semana especialmente relevante para o cenário financeiro.
Por isso, o foco desta coluna será ajudar você, leitor/investidor, a se preparar para os diversos eventos que tendem a mexer com os diferentes mercados: juros, bolsa e câmbio.
Agenda
Na agenda econômica, destacam-se:
- Atividade: na quarta-feira (30), teremos a primeira leitura do PIB do 2T25 dos EUA. A expectativa é de crescimento, potencialmente distorcido para cima devido à queda nas importações, reflexo da antecipação ocorrida no primeiro trimestre por conta do receio com tarifas. Analistas estimam um crescimento de 2,4%;
- Juros: também na quarta-feira (30), acontece a decisão de juros pelo Banco Central americano. A expectativa é que o Federal Reserve mantenha as taxas estáveis entre 4,25% e 4,50% durante a reunião de 30 de julho, com os mercados precificando uma chance inferior a 3% de corte neste momento. No entanto, a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell, às 15h30 (horário de Brasília), será acompanhada de perto em busca de sinais sobre um possível corte em setembro (probabilidade de 62%).
Um tom moderado de Powell, sugerindo flexibilização futura, poderia impulsionar as ações, especialmente as de pequena capitalização e as cíclicas. Por outro lado, uma postura mais agressiva, enfatizando a inflação estável (por exemplo, CPI básico em 2,9% ao ano), poderia pressionar as ações de crescimento;
- Inflação: na quinta-feira (31) será divulgado o PCE – o dado de inflação mais acompanhado pelo Fed. Dados recentes do CPI (2,7% em relação ao ano anterior) e do PPI (2,3% em relação ao ano anterior) sugerem uma inflação contida, mas o mercado se preocupa com o impacto das tarifas nos preços. Uma leitura do PCE acima do esperado poderia reduzir as expectativas de corte de juros, pressionando as ações;
- Mercado de trabalho: teremos ainda uma semana cheia de dados que vão nos ajudar a estimar a saúde e nível de atividade do mercado laboral americano. Na terça-feira (29), será divulgado o relatório JOLTs; na quarta-feira (30), sai o ADP, que traz a geração de empregos no setor privado; e, na sexta-feira (1º), é a vez do Payroll, principal indicador do mercado de trabalho nos EUA. O relatório de julho trará insights importantes sobre a robustez do mercado. Para efeito de comparação, no mês anterior foram criados 147 mil empregos (acima da previsão de 110 mil) e a taxa de desemprego ficou em 4,1%. Desse modo, um relatório forte tende a reforçar a narrativa de “economia saudável”, enquanto números mais fracos podem aumentar as apostas em cortes de juros;
- Tarifas: além dessa agenda bastante intensa, o prazo de 1º de agosto se destaca como uma data importante para a definição das tarifas. O governo americano está negociando acordos com diferentes países e os investidores esperam algumas reduções ou extensões tarifárias. No entanto, caso não haja consenso, tarifas mais altas — como 30% para México e União Europeia — podem ser restabelecidas, gerando instabilidade nos mercados.
Veja a agenda completa para os próximos dias:

Resultados corporativos
Por fim, a agenda corporativa também está extremamente carregada, com resultados das grandes empresas de tecnologia: Apple, Amazon, Microsoft e Meta. Além delas, teremos nomes tradicionais como Visa, Mastercard, P&G, Boeing, Starbucks, Paypal, Ford, Kraft Heinz, Exxon, Chevron, entre outras… enfim, a lista é grande e o calendário completo você confere abaixo:

Até o momento, 34% das empresas do S&P 500 já divulgaram os seus resultados, sendo que 84% superaram as expectativas de lucros e 68% bateram as estimativas de receitas. De acordo com Charlie Bilello, os lucros operacionais do S&P 500 no 2º trimestre cresceram 7% em relação ao mesmo período do ano passado – o 10º trimestre consecutivo de alta ano a ano (fonte).

Lembre-se: para acompanhar de perto todos os números já divulgados e se manter atualizado sobre a temporada de balanços nos EUA, acesse: Resultados Trimestrais Archives – Avenue Connection.
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Aquele abraço!
William Castro Alves
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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