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Desafios da economia brasileira: Marcos Lisboa analisa entraves e caminhos para o crescimento

No Avenue Connection 2025, Marcos Lisboa analisa os desafios estruturais da economia brasileira e propõe caminhos para um crescimento mais estável e sustentável, com foco em governança, inovação e reformas microeconômicas.

17 jul 2025

Resumo

Na tarde do segundo dia do Avenue Connection 2025, Marcos Lisboa voltou ao palco com uma apresentação que mergulhou nos principais obstáculos e instabilidades da economia brasileira. Ex-presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Lisboa fez um diagnóstico direto: o Brasil cresce menos, e de forma mais instável, do que seus pares globais. 

Evitando previsões de curto prazo e sem se deixar levar por análises superficiais, Lisboa propôs um olhar mais profundo e estrutural: o que impede o Brasil de crescer de forma consistente, e o que já está dando certo, apesar dos desafios? 

Em uma conversa que buscou pensar o país “dos nossos filhos e netos”, o economista apresentou dados, comparações internacionais e propostas que esquentaram o debate. A seguir, reunimos os principais pontos da sua apresentação.

O crescimento que não engrena

Lisboa iniciou com um recado direto:

Quando me chamam para falar de Selic, PIB do ano ou câmbio do fim do semestre, ligaram para a pessoa errada.

Marcos Lisboa

Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda

Seu foco estava além dos números do momento: ele queria tratar do Brasil de longo prazo, das causas estruturais que travam nosso desenvolvimento.

De maneira clara, apontou: o Brasil cresce menos, e de forma mais instável, do que outras economias emergentes. “É muito comum no país discutirmos política pública sem olhar para as experiências de outros países. Celebramos, por exemplo, a queda da pobreza nos anos 2000 como um feito isolado, mas o mundo inteiro reduziu a pobreza nesse período”, destacou.

O diagnóstico, segundo o economista, não é agradável, mas precisa ser aceito. “Diagnóstico não se negocia”, reforçou. Ele mostrou que, desde a década de 1990, o Brasil tem ficado para trás em comparação com países semelhantes. “Temos muitos anos de crescimento fraco da renda por trabalhador e uma probabilidade alta de vivermos anos ruins, algo que não ocorre com tanta frequência em outras economias”.

Volatilidade: marca registrada da economia brasileira

Um dos pontos centrais da apresentação foi a instabilidade da economia nacional. Lisboa trouxe dados que mostram como o Brasil oscila entre momentos de grande expansão e outros de forte retração. 

O problema é que, ao contrário de países mais previsíveis, como os EUA,  que crescem em média 2% ao ano com consistência, o Brasil tem uma “cauda inferior” muito pesada, ou seja, enfrenta crises com frequência acima da média global.

Além disso, ele alertou que tanto nas fases boas quanto nas ruins o país costuma errar o tom. “Nos bons tempos, expandimos gastos públicos de maneira ineficiente e multiplicamos distorções regulatórias. Nos maus tempos, as reformas são tímidas e os ajustes fiscais, paliativos”, explicou. O resultado é uma trajetória econômica marcada por altos e baixos.

Mas há exceções (e bons exemplos)

Apesar das críticas, o especialista destacou que há áreas e setores no país que conseguiram escapar dessa lógica de instabilidade e baixo desempenho. 

Dentro dessa perspectiva, um dos destaques é o agronegócio, que, graças à combinação de políticas públicas e inovação tecnológica, se tornou altamente produtivo e competitivo. 

Também foram mencionados os avanços na área de tecnologia, como o Porto Digital, em Recife, e o Sapiens Parque, em Santa Catarina, além dos esforços em inovação no Rio Grande do Sul.

O setor financeiro também foi lembrado. “O sistema Pix é um exemplo claro de como podemos inovar com impacto. O Banco Central tem feito um trabalho notável com o DREX e a regulação digital”, pontuou. 

Essas ilhas de excelência provam que o país tem potencial, o desafio é fazer com que essas boas práticas se espalhem.

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Macro, micro e as regras do jogo

Boa parte da apresentação foi dedicada à análise da diferença entre os problemas macroeconômicos e microeconômicos, e por que, na visão do economista, é na “micro” que mora a grande virada para as soluções. “A macro é só um pedacinho da economia. A micro é o todo. São as regras do jogo, os incentivos, o ambiente de negócios”, afirmou.

Os problemas clássicos da economia brasileira não ficaram de fora do debate: infraestrutura deficiente, sistema tributário complexo (ainda que a reforma de 2023 traga avanços), excesso de regulação, insegurança jurídica e baixa competitividade. 

Esses fatores, juntos, desencorajam investimentos e dificultam a inovação:

A gente trata o problema como se fosse taxa de juros ou câmbio. Não é isso que explica por que um país enriquece ou empobrece

Marcos Lisboa

Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda

Governança pública: um nó a ser desatado

Um dos pontos mais críticos da fala foi voltado à governança da política pública. Para Lisboa, o Executivo precisa liderar com responsabilidade, estabelecendo planos nacionais claros e transparentes para áreas como saúde, educação, segurança e ciência. 

Em sua visão, a melhor forma de lidar com os desafios é com transparência, critérios técnicos bem definidos e foco em resultados.

Nesse sentido, a articulação entre Executivo e Congresso precisaria ser mais coordenada, com menos disputas políticas e mais cooperação em torno de metas comuns. Mas também é preciso reconhecer que a construção de consensos em torno de políticas públicas exige esforço e diálogo.

Segundo ele, aprimorar os critérios de avaliação das políticas públicas e se inspirar em boas práticas internacionais pode ajudar o Brasil a avançar com mais qualidade e eficiência, especialmente em áreas como educação.

Caminhos possíveis e um convite à realidade

Na parte final da apresentação, Lisboa foi realista, mas sem cair no pessimismo. Reconheceu que transformar o país exige tempo, esforço e continuidade. “Se quisermos superar essas dificuldades, precisamos começar uma agenda de longo prazo. Regras para a concorrência, fortalecimento da democracia, respeito ao Estado de Direito”.

Ele destacou o papel essencial do Estado em áreas estratégicas, como saúde, ciência, tecnologia e energia, e defendeu o fortalecimento das instituições públicas que funcionam. Ao mesmo tempo, alertou: “Num país em que o Estado é tão suscetível a conceder privilégios, a tentação dos lobbies é muito forte. O setor privado também é sócio do problema”.

E concluiu com um recado para os participantes do evento, muitos deles gestores e investidores: “Aprendam a conviver num mundo de alta volatilidade. Cuidem da diversificação, da gestão de riscos. A realidade é essa, e vai ser assim por um bom tempo”.

Em resumo, a participação de Marcos Lisboa no Avenue Connection 2025 foi mais que uma aula de economia: foi um chamado à maturidade do debate público. Com dados, comparações internacionais e reflexões sobre política, produtividade e governança, ele reforçou que não há soluções fáceis, mas há caminhos. 

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Redação Avenue

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