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O Brasil entra na rota de Trump e mais: Avenue connection e earnings season nos EUA

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

15 jul 2025

VEM AÍ O AVENUE CONNECTION

Desta vez a Weekly está mais resumida porque, para falar dos impactos no mercado, quero te convidar a acompanhar o nosso Avenue Connection. Teremos diversos painéis para abordar tudo o que você pode esperar sobre economia, renda fixa e variável americana. Enfim, um lineup de peso com muita informação para você. Tenho certeza de que os painéis e os conteúdos que apresenteremos durante o evento te ajudarão – e muito – a navegar nesse mar de investimentos globais.

Saiba mais: Nos dias 16 e 17 de julho, São Paulo será palco da segunda edição do Avenue Connection – The International Investment Summit, o maior e mais influente encontro sobre investimentos internacionais no Brasil. Promovido pela Avenue, uma empresa Itaú, o evento reunirá presencialmente mais de 2 mil convidados, 40 palestrantes e algumas das mentes mais relevantes do mercado global. Além disso, clientes Avenue poderão assistir à transmissão online pelo portal do evento.

Para participar, basta se inscrever aqui!

Voltando à Weekly

Começando aqui a nossa conversa com o tradicional recap de eventos que marcaram a última semana, dando destaque para as notícias sobre a implementação de tarifas pelos EUA aos demais países.  Como havíamos antecipado na coluna da semana passada, já era esperado que as tarifas seriam o principal assunto nesses primeiros dias de julho.

O BRASIL ENTRA NA ROTA DE TRUMP

Em 9 de julho, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras – a maior entre 22 países notificados, com implementação prevista para o dia 1º de agosto. A título de curiosidade, segue abaixo uma lista com as alíquotas aplicadas a diferentes países:

Fonte: WHG on X, 09/jul/2025

A medida foi justificada por alegados desequilíbrios comerciais e pela “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro, citado por Trump como vítima de decisões do STF, que ele também classificou como “censura” a plataformas americanas.

Motivação. A carta de Trump foi o grande destaque do noticiário local, desencadeando diversas análises e interpretações sem fim. De fato, a motivação dessa medida não foi corrigir um déficit comercial — justificativa utilizada para outros países — já que uma de nossas jabuticabas econômicas é o fato de o Brasil apresentar déficits comerciais com os EUA. Desde 2009, por exemplo, acumulamos US$ 88,61 bilhões de déficit, ou seja, o Brasil compra mais produtos e serviços dos EUA do que vende para os americanos. Portanto, a motivação, já explicitada por Trump em sua carta, parece estar ligada a uma série de acontecimentos e posicionamentos adotados pelo Brasil nos últimos anos, vistos como antagônicos aos interesses dos EUA.

Fonte: Carta de Trump: leia íntegra do texto | Economia | G1, 09/jul/2025

Reação brasileira. A primeira reação do governo brasileiro foi marcada por críticas e um tom de embate, reafirmando a soberania nacional e a Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122), que permite retaliações comerciais. Lula negou os déficits comerciais alegados por Trump e convocou reuniões de emergência com os seus ministros para discutir possíveis respostas, incluindo retaliações cruzadas em serviços e propriedade intelectual. O governo brasileiro ressaltou, ainda, a preocupação em evitar efeitos inflacionários decorrentes de tarifas sobre bens essenciais importados dos EUA, como combustíveis e medicamentos.

Leitura, impacto e interpretação. Existe muita incerteza no ar e tudo o que vamos escrever aqui pode ser rapidamente alterado, dependendo das repostas de ambos os países. Mas vamos a alguns pontos importantes:

A notícia é negativa para o Brasil, pois reduz a competitividade de produtos brasileiros, especialmente porque grande parte das exportações do Brasil para os EUA se refere a commodities facilmente encontradas em outros mercados, tornando mais simples para os americanos substituírem fornecedores;

Mais uma vez, diante do elevado grau de incerteza que cerca esse assunto e do potencial de escalada desses conflitos, entendemos que este é mais um evento que reforça a necessidade de ter parte do capital atrelado a investimentos no exterior, como forma de proteção contra mudanças de regras que possam restringir o acesso de brasileiros a ativos dolarizados. Não obstante, eventos que catalisam a percepção de risco com a economia brasileira costumam refletir rapidamente na valorização da moeda americana ante o real.

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E NA ECONOMIA…

A ata da última reunião do FOMC (comitê de política monetária americano), realizada em 18 de junho, foi o dado econômico mais aguardado da semana. Mais uma vez, o documento refletiu a postura atual do Fed de “esperar para ver” antes de realizar qualquer mudança na política monetária. Com o índice PCE de inflação em 2,3% — acima da meta de 2% – e uma economia que segue resiliente, a ata indicou que o Fed pode tanto pausar cortes nos juros, diante das pressões inflacionárias provocadas pelas tarifas, quanto simplesmente aguardar para analisar a evolução do cenário e dos próximos dados econômicos. De acordo com a ferramenta CME Fedwatch Tool, o mercado continua projetando dois cortes de juros ainda neste ano, um em setembro e outro em dezembro. 

Fonte: CME Group.com, 14/jul/2025

No mercado de trabalho, os pedidos de seguro-desemprego trouxeram sinais mistos: enquanto os novos pedidos caíram, sugerindo um nível de estresse ainda baixo no mercado, os pedidos contínuos subiram para quase 2 milhões – o maior patamar desde o final de 2021, indicando maior cautela nas contratações em meio às incertezas relacionadas à política comercial.

Por fim, a Pesquisa de Sentimento de Pequenas Empresas da NFIB mostrou uma leve queda na confiança, com as empresas adotando uma perspectiva cautelosa sobre vendas e contratações. Um número crescente de proprietários sinalizou intenção de elevar preços, provavelmente em resposta a pressões de custos decorrentes das tarifas, o que pode alimentar ainda mais as preocupações com a inflação e impactar as ações voltadas para o consumidor.

IMPACTOS NO MERCADO

O S&P 500 e o Nasdaq atingiram novas máximas no início da semana, impulsionados pelo forte desempenho das maiores empresas de tecnologia, em especial a Microsoft, a Nvidia e a Apple. No entanto, após o anúncio de novas tarifas, o resultado semanal foi levemente negativo.

Apesar das ameaças tarifárias, o mercado demonstrou resiliência, com alguns analistas sugerindo que acordos comerciais ou adiamentos poderiam amenizar os impactos, embora persistam os riscos de disrupções econômicas mais profundas.

Já o desempenho setorial foi misto: energia subiu quase 3% e tecnologia da informação teve desempenho superior, enquanto o setor financeiro recuou quase 2% antes da temporada de resultados. Por fim, bens de consumo e serviços de comunicação tiveram um desempenho inferior.

A SEMANA QUE SE INICIA…

Nesta semana teremos indicadores importantes, com foco nos dados de inflação americana:

Confira abaixo a agenda completa:

Começou a safra de balanços nos EUA!

Além dos indicadores econômicos, a safra de balanços dará o seu pontapé inicial nesta semana, com os bancos e outras grandes empresas americanas divulgando os seus resultados.

Veja a programação para os próximos dias:

Cinco temas para acompanharmos nessa safra…

Esse será um teste muito importante para as ações, uma vez que os índices se encontram perto das máximas. Por isso, listamos aqui cinco pontos de atenção para o investidor:

  • Expectativas. Em geral, as expectativas de crescimento de lucros são baixas, com os lucros do S&P 500 projetados para crescer apenas 2,5% em relação ao ano anterior – o ritmo mais fraco desde meados de 2023, potencialmente estabelecendo um patamar baixo para as empresas superarem as expectativas;

  • Divergência. Apesar das expectativas baixas, há uma grande dispersão de projeções dos analistas, o que denota visões divergentes e sugerem maior volatilidade para esta safra;

  • Bancos em foco. A semana começa com os resultados dos grandes bancos, como o JPMorgan Chase e o Morgan Stanley, fornecendo insights sobre a saúde do consumidor e o seu apetite por negócios, com expectativas de lucros moderadas podendo abrir caminho para surpresas positivas;

  • Investimentos. Os gastos de capital das gigantes de tecnologia, especialmente da Microsoft, da Amazon, da Alphabet e da Meta, devem atingir US$ 337 bilhões no ano fiscal de 2026, acima dos US$ 311 bilhões e  impulsionados pelos investimentos em infraestrutura de IA, o que pode influenciar as avaliações gerais do setor;

  • Tarifas. Por fim… não há como ignorar o tema do momento, ou seja, os impactos das tarifas e das políticas comerciais da atual administração americana que atingem as empresas de diferentes formas.

Aproveita e já salva a página Resultados Trimestrais – Temporada de balanços nos EUA para acompanhar a cobertura completa feita pelo nosso time de especialistas!

“Crypto Week”

Na segunda-feira anterior (7), o Bitcoin atingiu um novo recorde histórico acima de US$ 120.000, alcançando a marca de US$ 122.600 e impulsionado pela demanda de compras pelos ETFs de Bitcoin, que bateram US$ 1,18 bilhão em influxos na quinta-feira (10) – o maior registro de 2025, segundo a Coin Metrics (Fonte). Lembrando que nas últimas seis a oito semanas, as compras institucionais levaram a um influxo de US$ 15 bilhões em ETFs de Bitcoin.

Além disso, há uma elevada expectativa para os próximos dias, pois a Câmara dos Representantes dos EUA começará a deliberar sobre uma série de projetos de lei sobre criptomoedas, no que foi apelidado de “Semana das Criptomoedas”. Em resumo, essas leis visam fornecer uma estrutura regulatória mais clara para o setor de ativos digitais.

Um dos projetos mais importantes em análise é o Genius Act, que poderia estabelecer barreiras federais para stablecoins atreladas ao dólar americano e criar um caminho para que empresas privadas emitam dólares digitais.

Não obstante, há também a expectativa no mercado de que os EUA anunciem um fundo soberano que possa comprar moedas digitais.

Que tal continuarmos esse papo no Twitter e Instagram? Siga @willcastroalves e me diga o que achou do conteúdo da semana. Até lá!

Aquele abraço!

William Castro Alves

Estrategista-chefe da Avenue Securities

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A Avenue Securities LLC é membro da FINRA e da SIPC. Oferta de serviços intermediada por Avenue Securities DTVM. Veja todos os avisos importantes sobre investimento: https://avenue.us/termos/.

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Antes de investir, considere os objetivos, riscos, taxas e despesas do investimento. Entre em contato com [email protected] para obter um prospecto contendo essas e outras informações importantes. Leia com atenção antes de investir.

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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