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BlackRock e os UCITS ETFs: eficiência e inovação para o investidor global

Por Cristiano Castro, Diretor da BlackRock

18 set 2025

Um sistema financeiro robusto e a maturidade do mercado de capitais firmaram os Estados Unidos como o mais líquido e profundo mercado de ETFs (Exchange Traded Funds) do planeta. Mas, ao avaliarmos as opções de internacionalização da carteira, o investidor global tem olhado para o outro lado do Atlântico em busca de um instrumento fundamentado na estrutura regulatória da Europa pode trazer uma série de benfícios, principalmente, aos investidores brasileiros: os ETFs UCITS.

A sigla é formada pelo acrônimo da expressão Undertakings for Collective Investment in Transferable Securities, um conjunto de normativas que visa à unificação das regras de negociação de fundos de investimentos na União Europeia (UE). O nome longo e em inglês esconde um objetivo simples: oferecer um “passaporte financeiro” que permite transitar por todo o mercado europeu sem precisar se adequar à complexa regulação de cada um dos 27 países do bloco.

O arcabouço regulatório representa a evolução de sucessivas diretivas que começaram a ser estruturadas em 1985. À época, o projeto de integração europeia ainda engatinhava, mas já existia uma ambição de unificar o mercado de fundos da mesma maneira que já vinha sendo feito com bens e serviços. Desde então, o UCITS se transformou em uma espécie de selo para atestar a credibilidade de um instrumento que siga as normas europeias. Um volume expressivo desses instrumentos, inclusive, está baseado na Irlanda – por isso, também são conhecidos pelo apelido de “ETFs Irlandeses”.

O rápido aperfeiçoamento desse amplo guarda-chuva regulatório vem atraindo interesse além das fronteiras do Velho Continente. Por exemplo, os ETFs UCITS não enfrentam a incidência do imposto sucessório (estate tax) vigente nos EUA, ao mesmo tempo que o withholding tax – imposto sobre rendimentos retido na fonte – tende a ser menor na UE e, dependendo do instrumento, chegando à isenção total.  

Além disso, ao contrário dos ETFs baseados nos Estados Unidos, os ETFs UCITS, baseados na Europa, possuem a possibilidade do lançamento de diferentes classes, permitindo ao investidor escolher entre a classe de distribuição de dividendos e a classe de acumulação de dividendos. Na segunda opção, existe o benefício do re-investimento do dividendo, contribuindo para o efeito composto na rentabilidade gerando um grande efeito nos retornos do ETF, potencializados ao longo do tempo. 

O arcabouço regulatório do UCITS foi desenhado a partir de rígidas diretrizes que fortalecem a proteção do investimento. Um fundo dessa categoria, por exemplo, é proibido de investir mais de 10% de seus ativos líquidos em papéis de um único emissor. Assim, há maior diversificação e menor exposição a riscos. Há ainda exigências de comunicações regulares e restrições à alavancagem excessiva, entre outros benefícios.

Os fortes pilares de proteção ganham ainda mais relevância em um cenário de instabilidade nos mercados globais, diante de incertezas sobre juros, tarifas e política fiscal.

É imprescindível que o investidor sempre converse com seu assessor para entender, de maneira transparente, se essas diferenças fazem sentido no portfólio. Mesmo assim, esses múltiplos pontos entregaram ao UCITS a função de “padrão-ouro” no sistema de salvaguardas de investimentos. Por isso, os ETFS com esse selo se popularizaram não apenas na Europa, mas também em jurisdições com mercados menos líquidos, como América Latina e Ásia.

Crescimento vertiginoso

No ano passado, os ETFs UCITS computaram entradas líquidas de 261,1 bilhões de euros, mais de 50% superior ao valor registrado em 2023 (169,2 bilhões de euros), de acordo com a Associação Europeia de Fundos e Gestão de Recursos (EFAMA). Houve crescimento particular no segmento de renda fixa, em meio ao ciclo de cortes de juros nas maiores economias do mundo. 

A demanda em ascensão tem encontrado uma oferta também em expansão, que amplia a liquidez. São mais de 2,6 mil ETFs UCITs disponíveis atualmente. Entre os principais players do setor, a BlackRock vem expandindo a participação na área com uma oferta crescente de produtos.

Os ETFs iShares permitem a criação de blocos de construções eficientes necessários para alcançar quase todas as partes do mercado, seja com exposições amplas seja de exposições de maior precisão. A gestora tem mais 900 ETFs UCITs e share classes disponíveis, com US$ 1,1 trilhão em ativos sob gestão, o que equivale a 40% de todo o segmento.

Para os próximos anos, a BlackRock acredita em expansão do universo dos ETFs UCITs, em meio à pressão pela redução de custos e a disseminação de canais de distribuição inovadores.

O movimento também é amplificado pela transformação estrutural causada pelo fim da chamada “Grande Moderação”, o período marcado por juros estáveis e inflação estável globalmente. A guinada fortalece a demanda pelo uso de ETFs como ferramentas de construção de portfólios em diferentes contextos de risco. Com isso, o instrumento vem se consolidando em um ambiente de digitalização e modernização, à medida que transparência e tecnologia impulsionam o crescimento.

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Cristiano Castro

Diretor de Desenvolvimento de Negócios da BlackRock no Brasil

Cristiano é responsável pelos times de relacionamento com os clientes de Wealth Management e Institucional. Suas experiências anteriores incluem passagens pelo BNP Paribas, Goldman Sachs Asset Management, Itaú Unibanco Asset Management, Citibank, Ambev e CTIS. É mestre em Economia pelo Insper, pós-graduado em Gestão de Risco pela FIA/USP e graduado em Administração pela UNB, além de ser membro da Comissão de varejo da ANBIMA.

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