15 jul 2026
Por Tomás Roque, Analista de Investimentos e Conteúdo da Avenue Banco de Investimentos
Faz tempo que eu queria escrever a frase desse título. Fui aprovado no Exame 52 CFP®. Nos últimos textos trouxe um pouco de como foi esse processo, o que achei dos estudos, até mesmo do dia da prova. Hoje, vou trazer algumas reflexões que tive durante esse período, e os próximos passos que trilharei nos estudos.
Por já ter feito algumas outras provas e certificações no mercado, acaba sendo mais familiar esse processo para mim. Isso vem desde a escola, onde vários colegas meus sabiam bem mais sobre uma matéria, mas na hora da prova, o nervosismo e a pressão afastavam o conhecimento. Saber fazer uma prova é uma habilidade. E isso não significa que, necessariamente, o conteúdo foi aprendido, mas sim que o conteúdo foi absorvido para um momento específico, geralmente de curto prazo.
Nós somos instruídos a aprender a passar na prova, não a aprender o conteúdo. Isso é bem visível pela quantidade de pessoas que “colam” durante a escola e faculdade, por exemplo. Se o intuito é aprender, não faz sentido copiar de alguém, uma vez que – quase – nada daquilo será levado para o futuro.
Algo que tenho buscado fazer é aplicar ao máximo o que tenho aprendido no meu dia a dia, para conseguir transformar informações e conteúdos que são, muitas vezes, teóricos, em situações práticas no cotidiano. Faço isso pois percebi que aprendo melhor dessa forma. E, felizmente, essa repetição, principalmente a espaçada, é uma das técnicas que mais tem respaldo acadêmico, como diz o artigo Improving students’ learning with effective learning techniques: promising directions from cognitive and educational psychology.
Querendo ou não, essa é a parte que sempre estará com a gente, o aprendizado adquirido durante os estudos para a certificação. Perceber que você aprendeu algo novo, que consegue entender novas notícias, participar de novas conversas, é extremamente recompensador. Notar valor nessas conquistas é um dos principais impulsionadores do aprendizado. ano. Não existe um “melhor” absoluto; tudo depende da necessidade de liquidez e dos objetivos de cada investidor.
Mas é claro que um não funciona sem o outro. A ideia não é só pensar no aprendizado, e sim aprender a ponto de conseguir passar na prova com confiança, sabendo que fez o seu melhor, e que boa parte daquele conteúdo, muitas vezes extenso, faz parte de você. A ideia das certificações – não que isso seja a realidade – é que a prova seja essa “coroação” de todo o processo. Todavia, sempre reforço, se é iniciada uma jornada de alguma certificação, só o conteúdo não é o bastante, assim como só o selo pode ser uma espécie de casca, e por dentro ser oco, sem o aprendizado necessário. É preciso os dois, em conjunto.
Muitas vezes, parece distante chegar no objetivo final, passar na certificação. A estratégia que me manteve motivado durante os mais de 80 dias de estudos foi dividir em pequenos blocos de estudos, sempre fazendo a repetição espaçada. Durante um tempo, ouvi muito falar sobre essa ou outras técnicas, e me pareciam só uma espécie de atalho para os estudos. Aplicando bastante ela, entendi que é diametralmente oposta. Como citei anteriormente, essa é uma das técnicas com mais respaldo científico, e vou trazer um pouco como eu usei nessa minha preparação e que usarei nas próximas.
O CFP tem 8 módulos, com alguns sendo mais extensos que outros. A principal ideia é, de forma resumida, estudar um mesmo assunto, repetidas vezes, de formas distintas, em um espaço de tempo determinado. Traduzindo: se na 1ª e 2ª semana eu estudei o módulo 1, na 3ª semana estudo o módulo 2 e na 4ª semana eu faço alguns exercícios do módulo 1. E esse processo vai se intercalando durante todo o estudo.
No fim do dia, faz sentido, uma vez que quase tudo que fazemos bem foi por conta de alguma repetição daquela atividade. Existe uma história de uma aula de pintura que mostra isso. Um professor tinha 2 salas, e tinha que desenvolver algum projeto para o semestre. Para a 1ª turma, ele disse para os alunos fazerem um único quadro, perfeito, com todas as melhores técnicas. Para a 2ª, ele disse para os alunos fazerem a maior quantidade de quadros que conseguissem.
Os melhores quadros não saíram da turma que buscou perfeição, mas sim daquela que pintou tantos quadros que foi melhorando com o tempo. Não existe um segredo para conseguir estudar, o que existem são técnicas para melhorar a absorção. Mas nada supera a HSC: Horas Sentadas na Cadeira.
Apesar de ter passado no Exame 52 do CFP, o estudo não se encerra agora. Aliás, uma coisa que aprendi é que ele nunca acaba. Parece clichê esse tipo de frase, mas as coisas são clichê por um motivo. É através do estudo que conseguimos nos atualizar, expandir a forma como vemos o mundo, e alçar novos voos. Como é comum falar em reuniões, de próximos passos, vou finalizar todo o processo do CFP, para, assim, voltar ao CFA Level 2, que iniciarei os estudos em breve.
Costumo falar que as coisas mais interessantes que consegui fazer e alcançar na vida foram por conta do estudo. Para mim, ele acaba tendo uma função clara. Sei que muitas pessoas não enxergam dessa forma, mas espero que esse texto – e outros que fiz aqui na minha coluna – incentivem a ver os estudos, formais ou não, por um prisma diferente, como uma oportunidade.
DUNLOSKY, J.; RAWSON, K. A.; MARSH, E. J.; NATHAN, M. J.; WILLINGHAM, D. T. Improving students’ learning with effective learning techniques: promising directions from cognitive and educational psychology. Psychological Science in the Public Interest, v. 14, n. 1, p. 4-58, 2013. Disponível em: PubMed.
PLANEJAR. Conheça o Exame. Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro, [2026]. Disponível em: https://www.planejar.org.br/conheca-o-exame.
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