Por Martin Iglesias, responsável pela Recomendação de Investimentos do Itaú Unibanco
12 jul 2025
Começar uma nova coluna é como abrir uma janela em outro fuso horário. O mundo continua o mesmo — mas o ângulo muda. A partir de hoje, nos encontraremos aqui para falar sobre investimentos internacionais, tentando decifrar o mapa financeiro global com olhos brasileiros e bússola americana. E não há forma melhor de começar essa travessia do que falando dele: o dólar.*
Em um cenário global caracterizado pela crescente diversidade econômica e geopolítica, o dólar continua desempenhando um papel central nos mercados financeiros internacionais. Além de sua função como meio de troca, ele é amplamente utilizado como referência em contratos, reserva de valor e instrumento de liquidez durante períodos de instabilidade
Muitos já anunciaram sua queda. Poucos entenderam sua persistência.
A verdade é que o dólar permanece dominante por um motivo simples e poderoso: não há substituto à altura. A cada novo ciclo de inquietação geopolítica ou volatilidade econômica, surgem especulações sobre a próxima moeda hegemônica. Mas, até agora, nenhuma proposta conseguiu atravessar a superfície.
O bitcoin, com toda a sua tecnologia disruptiva, ainda é mais sonho do que moeda. Volátil demais para servir como unidade de conta global, cercado por incertezas regulatórias e preso a um comportamento mais especulativo do que funcional. Ser reserva de valor requer mais do que escassez: exige estabilidade — e confiança.
O euro, embora robusto, continua sendo uma construção regional. Tem força, sim, mas fala em voz baixa fora de suas fronteiras. A sua governança fragmentada e a ausência de uma união fiscal completa o tornam pouco ágil em crises. O iene japonês, que já brilhou como promessa nos anos 80, parece ter perdido o fôlego nas décadas seguintes, soterrado por juros negativos e uma economia que envelhece com pressa.
E o yuan, moeda da China que alguns veem como sucessora natural? Por ora, sua participação no comércio global ainda é modesta. A falta de convertibilidade plena e o controle estatal sobre o sistema financeiro limitam sua ambição. Afinal, para que uma moeda seja aceita globalmente, é preciso não apenas que o país a deseje — mas que o resto do mundo confie.
Por isso, enquanto o tempo faz o que faz de melhor — passar — o dólar segue no comando. Oscila, claro. Enfraquece às vezes, ganha força noutras. Mas não perde a centralidade.
Nesta coluna, vamos falar de oportunidades globais, de riscos internacionais com impactos aqui e de como construir uma carteira que respire o mundo. Mas hoje, começamos com essa verdade tranquila:
O dólar ainda dita o compasso. E vai seguir regendo a melodia por muito tempo.
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*O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica.