21 set 2026
Você provavelmente nunca ouviu falar em disprósio, neodímio ou térbio no seu dia a dia, mas eles estão no seu celular, no motor de carros elétricos, nas turbinas eólicas e até em sistemas de defesa. Esses elementos fazem parte de um grupo de 17 minerais conhecidos como terras raras, e nos últimos anos saíram da obscuridade técnica para o centro do tabuleiro geopolítico mundial.
O motivo é simples: quem controla essas matérias-primas controla, em boa medida, o ritmo da transição energética, da indústria de tecnologia e da corrida por inteligência artificial.
E hoje esse controle está concentrado quase inteiramente em um único país, a China, o que tem levado Estados Unidos, Europa e outros mercados a correrem contra o tempo para reduzir essa dependência.
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Neste artigo, você vai entender o que são as terras raras, por que elas se tornaram estratégicas, como a China construiu seu domínio, o papel do Brasil nessa disputa, os movimentos recentes dos Estados Unidos para reduzir a dependência chinesa e como esse tema se conecta com quem pensa em diversificar seu patrimônio internacionalmente.
Apesar do nome, as terras raras não são exatamente raras na crosta terrestre. Esses minerais existem em abundância e são encontrados como produtos secundários em depósitos de outros bens minerais, principalmente nióbio e fosfato. O termo “raras” tem a ver com a limitação da tecnologia de extração e refino, não com a escassez do recurso em si.
Tecnicamente, o grupo reúne 17 elementos químicos: os 15 lantanídeos, mais o escândio e o ítrio. Cada um tem propriedades magnéticas e eletrônicas específicas, o que os torna praticamente insubstituíveis em uma série de tecnologias modernas. Eles estão presentes em:
O verdadeiro desafio não é encontrar esses minerais, mas processá-los. A extração e, principalmente, o refino são caros, tecnicamente complexos e geram impacto ambiental significativo, o que fez com que poucos países se especializassem nessa etapa crítica da cadeia.

Elaboração: Avenue

Elaboração: Avenue
Ao longo de décadas, a China investiu pesadamente em capacidade de mineração, refino e fabricação de componentes de alto valor agregado, enquanto outros países optaram por não competir nesse mercado, considerado pouco rentável e ambientalmente sensível na época.
O resultado é uma concentração expressiva em toda a cadeia. Cerca de 60% da mineração global ocorre em território chinês, mas o dado mais relevante está no processamento: 91% de todo o refino mundial é feito por empresas chinesas, que também produzem 94% dos ímãs permanentes usados em turbinas, motores e equipamentos de defesa. Em termos de reservas, a China lidera com cerca de 44 milhões de toneladas, quase metade do total mundial.
Essa posição dominante deu à China um instrumento de pressão comercial relevante. Em episódios recentes de tensão comercial, o país já chegou a suspender exportações de terras raras para os Estados Unidos em meio à guerra comercial entre os dois países, evidenciando como esse controle pode ser usado como moeda de troca em negociações geopolíticas.
Os efeitos dessa concentração já apareceram fora da China. Fabricantes de automóveis e de componentes eletrônicos ao redor do mundo enfrentaram gargalos de fornecimento em períodos de maior tensão comercial, o que reforçou, em Washington e em outras capitais, a percepção de que depender de um único fornecedor para insumos críticos de defesa e tecnologia é um risco estratégico, não apenas comercial.
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Diante desse cenário, os Estados Unidos têm ampliado investimentos em projetos de mineração e processamento fora da China, buscando parcerias em países com reservas relevantes, entre eles o Brasil e a Índia. Essa movimentação inclui aquisições diretas de empresas do setor, incentivos governamentais para desenvolver capacidade doméstica de refino e acordos bilaterais com países produtores.
Mesmo minas históricas dos próprios Estados Unidos, como a de Mountain Pass, na Califórnia, dependiam do envio do material extraído para a China para ser refinado, o que mostra como o gargalo não está na extração, mas na etapa de processamento, ainda concentrada majoritariamente em território chinês.
Um exemplo concreto dessa disputa: a negociação de aquisição da brasileira Serra Verde, em Goiás, pela mineradora norte-americana USA Rare Earth, avaliada em US$ 2,8 bilhões, foi descrita pelo BTG como um marco significativo para a história das terras raras no Ocidente. A Serra Verde, em Minaçu (GO), foi a primeira mina do tipo a operar comercialmente fora da Ásia.
Esse tipo de operação tende a se repetir. Empresas americanas de mineração, defesa e tecnologia estão entre as mais expostas a esse movimento de reorganização das cadeias de suprimento globais, o que torna o setor um dos temas mais observados por quem acompanha o mercado americano de perto.

Elaboração: Avenue
O Brasil detém uma das maiores reservas de terras raras do mundo. Segundo o USGS, o país tem cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos, ou 23% do total global, ficando atrás apenas da China. Já pela métrica mais rigorosa adotada pela ANM no Sumário Mineral 2025, esse estoque foi revisado para 11,4 milhões de toneladas, mas o país permanece na segunda posição mesmo assim.
O problema está no descompasso entre reserva e produção. O Brasil exportou apenas 20 toneladas de terras raras em 2024, um volume praticamente irrelevante diante das cerca de 390 mil toneladas produzidas globalmente no período. Isso acontece porque o país ainda não possui tecnologia industrial em escala para transformar esse potencial em produção relevante, um gargalo considerado decisivo pelo setor mineral.
Do lado regulatório, o tema já chegou ao Congresso. A Câmara dos Deputados aprovou, em maio de 2026, o Projeto de Lei 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, agora em tramitação no Senado. O próprio governo brasileiro condicionou o avanço das negociações com os Estados Unidos sobre cooperação em terras raras à consolidação desse marco legal, o que mostra como o tema já ultrapassou o campo técnico e se tornou parte central do debate sobre soberania e modelo de desenvolvimento do país.
Esse é um retrato recorrente da economia brasileira: recursos naturais abundantes, mas capacidade limitada de agregar valor e disputar posições mais avançadas na cadeia produtiva. Enquanto isso, o capital e a tecnologia de ponta que transformam esses minerais em produtos de alto valor continuam concentrados fora do país.
Para quem pensa em vida global, esse contraste é revelador: entender onde o valor real está sendo criado em uma cadeia produtiva, e não apenas onde a matéria-prima é extraída, é parte do raciocínio que também vale para decisões de investimento.
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A disputa por terras raras não é um assunto distante da sua carteira. Ela está diretamente ligada a setores que já fazem parte do radar de quem investe no mercado americano, como mineração, defesa, tecnologia e energia limpa. Empresas americanas ligadas a essas cadeias têm ganhado protagonismo justamente por estarem no centro da estratégia de redução de dependência da China.
Isso não significa que investir em terras raras seja simples ou livre de riscos. É um setor sensível a decisões políticas, sujeito a mudanças regulatórias, a oscilações de preço das commodities e com histórico de volatilidade.
Mas acompanhar esse tipo de movimento estrutural ajuda a entender melhor o cenário macroeconômico que influencia o mercado americano como um todo, algo essencial para quem já tem ou está construindo uma carteira internacional.
Um exemplo ilustrativo: investidores que acompanham temas de transição energética e segurança de cadeias de suprimento costumam observar ETFs temáticos ligados a mineração, defesa e infraestrutura tecnológica como forma de se expor a esse movimento de forma diversificada, em vez de apostar em uma única empresa ou mineradora.
| Exemplo ilustrativo Este exemplo é exclusivamente para fins ilustrativos. Os casos individuais podem variar. Qualquer informação fornecida não é um resumo completo ou uma declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento e não constitui uma recomendação. |
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Não. Apesar do nome, elas existem em quantidade relativamente abundante na crosta terrestre. A dificuldade está na extração e, principalmente, no refino, etapas caras, tecnicamente complexas e concentradas em poucos países.
Porque investiu por décadas em capacidade de mineração, refino e fabricação de componentes, enquanto outros países não priorizaram esse setor. Hoje a China concentra a maior parte da produção e a quase totalidade do refino global.
Sim. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo, atrás apenas da China, mas ainda produz muito pouco em relação ao seu potencial, por falta de capacidade industrial de processamento em escala.
Elas influenciam setores como mineração, defesa, tecnologia e energia limpa, que fazem parte de índices e ETFs temáticos acessíveis a quem investe fora do Brasil. Entender esse cenário ajuda a interpretar movimentos macroeconômicos que afetam o mercado americano.
Como qualquer investimento, envolve riscos. É um setor sensível a decisões políticas, mudanças regulatórias e à volatilidade de preços de commodities. Antes de investir, é importante entender seu perfil de investidor e como esse tipo de exposição se encaixa na sua estratégia.
As terras raras deixaram de ser um tema técnico restrito à indústria e se tornaram um dos principais eixos da disputa entre as maiores potências do mundo. Essa competição por recursos críticos molda decisões de investimento, política externa e a velocidade da transição energética global, e o Brasil está no meio desse tabuleiro, com um potencial ainda pouco explorado.
Para quem constrói uma vida financeira mais internacionalizada, entender esses movimentos geopolíticos é parte de acompanhar de perto as forças que moldam o mercado americano. Abrir uma conta internacional é o primeiro passo para transformar esse entendimento em posicionamento real dentro da sua carteira.
Este exemplo é exclusivamente para fins ilustrativos. Os casos individuais podem variar. Qualquer informação fornecida não é um resumo completo ou uma declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento e não constitui uma recomendação.
O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica.
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