Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue
11 ago 2025
Antes de iniciarmos o nosso papo semanal, um aviso rápido: na última quinta-feira (07), apresentei uma live em que discutimos o cenário macroeconômico, os impactos das tarifas nas economias global e brasileira, além dos desdobramentos nos mercados de rendas fixa e variável.
A gravação já está disponível em nosso canal e convido você a acessá-la pelo link:
Bolsa nas máximas, tarifas e impactos no Brasil – Conexão Avenue (07/08/25)
Bom, a semana foi relativamente tranquila em termos de indicadores econômicos, como podemos observar na agenda abaixo:
No entanto, o foco obviamente recaiu sobre a aplicação das tarifas.
Na semana passada, entraram em vigor as tarifas aplicadas pelos EUA para o mundo. Mas como ficaram as tarifas para os diferentes países? Pois bem, estas matérias trazem uma ótima maneira de acompanhar os detalhes:
E para complementar, o mapa a seguir também resume de forma bem clara a situação atual (08):
Fonte: Newsweek.com, 07/ago/2025
Muito se fala sobre as tarifas – como elas podem prejudicar a economia, pressionar a inflação e afetar as relações internacionais. Mas quase ninguém discute o impacto positivo que elas têm na arrecadação dos Estados Unidos.
Não estou aqui para defendê-las, mas o fato é que elas adicionaram uma boa quantia aos cofres americanos. Antes mesmo da entrada em vigor das últimas tarifas, a arrecadação sobre importados já havia disparado, como mostra o gráfico do jornal New York Times. Somente até julho, os impostos alfandegários, junto com alguns tributos especiais de consumo, arrecadaram US$ 152 bilhões – quase o dobro dos US$ 78 bilhões líquidos registrados no mesmo período do ano fiscal anterior, de acordo com o Tesouro. E mais: as projeções indicam que, se mantidas, essas tarifas podem gerar mais de US$ 2 trilhões em receita adicional na próxima década.
Vamos agora explorar algumas análises e gráficos que considero especialmente interessantes.
Na renda fixa, um ponto que chama a atenção é como o spread entre os títulos high yield e investment grade “fechou” (se reduziu). O gráfico abaixo ilustra bem essa dinâmica.
A leitura aqui é simples: o prêmio para investir em títulos de maior risco está muito perto das mínimas de 10 anos. Ou seja, o rendimento extra que os investidores exigem para aplicar nesses papéis, quando comparado a um título de 10 anos do Tesouro, está em níveis extremamente baixos.
E o que isso significa? Basicamente, que o mercado tem se mostrado bastante complacente com o risco, enquanto a atratividade da classe high yield caiu de forma significativa.
Fonte: The Daily Chartbook on X, 06/ago/2025
Outros dois retratos interessantes sobre o fluxo na bolsa…
Recompras. O primeiro mostra que o volume de buybacks (recompras de ações) anunciados pelas empresas atingiu um novo recorde. No mês passado, as companhias americanas anunciaram US$ 166 bilhões em recompras – o maior valor já registrado em julho, superando com folga o recorde anterior de US$ 88 bilhões, em 2006. Esse volume também representa o triplo da média de 2021-2023 e mais do que o dobro do montante registrado em 2024. No acumulado do ano, as recompras anunciadas chegam a US$ 926 bilhões, um aumento de US$ 108 bilhões em relação ao recorde anterior, estabelecido em 2022 (fonte).
Ao anunciá-las, as companhias não têm a obrigação de executar as recompras, mas esses anúncios costumam ter algumas funções importantes, como:
No fim das contas, esse é um movimento “bullish”, ou seja, um sinal de que as empresas americanas estão apostando nelas mesmas. E isso reflete o momento atual, em que as bolsas estão próximas das máximas históricas, ajudando a reforçar e retroalimentar o sentimento positivo no mercado.
Fonte: The Kobeissi Letter on X, 06/ago/2025
Insiders. Por outro lado, o ratio entre as compras e as vendas dos chamados “insiders” – aqueles que trabalham na empresa – encontra-se em uma mínima. Isso indica que eles têm vendido bem mais do que comprado ações. A relação compra/venda dos insiders caiu para 0,26 – a menor desde julho de 2024, sendo também a segunda leitura mais baixa dos últimos quatro anos. Apenas 151 empresas do S&P 500 registraram compras de ações por insiders no mês passado, o menor número desde, pelo menos, 2018.
Essa venda intensa por parte dos insiders, que presumivelmente têm um conhecimento profundo sobre as suas próprias empresas, sugere um certo ceticismo quanto à sustentabilidade do cenário atual. No entanto, é importante destacar que essas vendas muitas vezes decorrem de motivações pessoais, como planejamento patrimonial ou exercício de opções de ações, e não necessariamente estão atreladas às condições do mercado.
Fonte: The Kobeissi Letter on X, 05/ago/2025
E as expectativas de um catching up por parte das demais empresas em relação às dez maiores dos Estados Unidos acabaram ficando apenas nisso: expectativas.
O gráfico abaixo traz à tona uma verdade importante sobre o mercado de renda variável americano: o crescimento de lucros tem sido extremamente concentrado.
Segundo reportagem do Financial Times, as dez maiores ações do S&P 500 respondem por um terço dos lucros totais do índice, com os setores de tecnologia e finanças registrando um crescimento anual nos lucros trimestrais de 41% e 12,8%, respectivamente (fonte).
Fonte: Financial Times, 03/ago/2025
Agenda
Nesta semana, o foco estará na atualização dos indicadores de inflação nos EUA. Na terça-feira (12), será divulgado o índice de preços ao consumidor americano (CPI), e na quinta-feira (14) é a vez dos preços ao produtor (PPI). Além disso, na sexta-feira (15), sairá o dado de vendas no varejo americano.
Confira, abaixo, a agenda completa:
EEstamos nos aproximando do final da safra de resultados. Até aqui, mais de 91% das empresas do S&P 500 já divulgaram os seus números, com 69% superando as estimativas de receita e 81% superando as previsões de lucro por ação.
Entre os destaques, chama a atenção o fato de esta ser uma das melhores temporadas de resultados em anos. Cerca de 63% das empresas do S&P 500 superaram as expectativas de lucro em pelo menos 1 desvio-padrão, a maior porcentagem registrada nos últimos quatro anos. Ou seja, além de bater as estimativas, muitas empresas apresentaram resultados que ultrapassaram significativamente as projeções do mercado.
Ao mesmo tempo, apenas 10% das companhias ficaram abaixo das expectativas em pelo menos 1 desvio-padrão – a menor porcentagem dos últimos 12 meses e bem inferior à média de longo prazo, que é de 13%.
O gráfico abaixo ilustra bem esse desempenho:
Fonte: The Kobeissi Letter on X, 07/ago/2025
Regra de ouro? E observar o desempenho das companhias é crucial, pois, segundo a famosa “regra de ouro” do mercado, a lucratividade das empresas é um fator determinante para o desempenho ações. O que isso significa? Que há uma correlação lógica entre o desempenho das ações na bolsa e o desempenho das próprias empresas. Afinal, uma ação nada mais é do que um pedaço de uma companhia.
O gráfico abaixo demonstra essa relação, mostrando o lucro operacional das empresas do S&P 500 em comparação com o desempenho do índice:
Fonte: Gui_Zanin_no X, 07/ago/2025
Em um momento de muito questionamento sobre o valuation da bolsa americana, ou quão “caro” o mercado de ações parece estar, é importante lembrar que as altas não são totalmente desprovidas de fundamento, sobretudo considerando que a lucratividade das empresas continua em expansão.
Quanto aos resultados específicos divulgados na semana passada, podemos destacar:
Por fim, teremos uma agenda bem mais leve nesta semana:
Vale lembrar que você pode acompanhar todos os resultados já divulgados na página: Resultados Corporativos Archives – Avenue Connection.
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Aquele abraço!
William Castro Alves
Estrategista-chefe da Avenue Securities
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