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25 anos depois: o que as Torres Gêmeas ainda ensinam aos investidores

Por Martin Iglesias, responsável pela Recomendação de Investimentos do Itaú Unibanco

10 set 2026

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Na manhã de 11 de setembro de 2001, milhões de pessoas ao redor do mundo acompanharam pela televisão algo que parecia impossível. À medida que os aviões atingiam as Torres Gêmeas em Nova York, não era apenas um conjunto de edifícios que estava sendo destruído. Ali ruía também uma sensação de segurança que havia marcado boa parte do período pós-Guerra Fria.

Vinte e cinco anos depois, os atentados continuam sendo lembrados pelas vidas perdidas e pelo enorme impacto humano. Mas seus efeitos ultrapassaram a tragédia e transformaram a economia, os mercados financeiros, as viagens, a geopolítica e até hábitos cotidianos.

Quem embarcou em um avião antes de 2001 se lembra de um mundo muito diferente. Os controles de segurança eram mais simples, as áreas de embarque mais acessíveis e a preocupação com terrorismo internacional ocupava um espaço menor nas decisões de governos e empresas. O 11 de Setembro alterou profundamente a indústria da aviação. Novos protocolos de segurança elevaram custos operacionais, modificaram aeroportos em todo o planeta e mudaram a experiência de viagem para sempre.

Leia também: O ouro acabou. A riqueza permaneceu

Mas os mercados possuem uma característica frequentemente subestimada: sua capacidade de adaptação. As empresas continuaram inovando. Os consumidores continuaram comprando.

Martin Iglesias

Responsável pela Recomendação de investimentos do Itaú Unibanco

No campo econômico, o choque foi imediato. As bolsas americanas permaneceram fechadas por quase uma semana, algo raríssimo na história. Quando Wall Street reabriu, em 17 de setembro, o pânico dominava os investidores. Naquele primeiro pregão, o Dow Jones caiu 7,1%, enquanto o S&P 500 recuou 4,9% e o Nasdaq perdeu 6,8%. Ao final da primeira semana de negociações após a reabertura, o Dow acumulava perdas superiores a 14%, o S&P 500 havia recuado cerca de 11,6% e o Nasdaq aproximadamente 16%. Estima-se que mais de US$ 1,4 trilhão em valor de mercado tenha sido evaporado em apenas cinco sessões. [economiaen…gocios.com], [infomoney.com.br]

Naquele momento, vender parecia a decisão mais racional do mundo. Afinal, ninguém sabia se novos ataques ocorreriam, como os Estados Unidos reagiriam ou qual seria o impacto econômico de longo prazo. O medo era compreensível. E é justamente por isso que aquele episódio se tornou um importante estudo sobre o comportamento dos investidores.

Muitos dos que olharam apenas para os dias seguintes realizaram prejuízos expressivos. A sensação era de que o mundo havia mudado de forma irreversível. Em parte, de fato, havia mudado. Mas os mercados possuem uma característica frequentemente subestimada: sua capacidade de adaptação.

As empresas continuaram inovando. Os consumidores continuaram comprando. Os investimentos continuaram sendo feitos. E a economia, apesar dos obstáculos, seguiu em frente.

Os números ajudam a contar essa história. O S&P 500 recuperou as perdas ligadas diretamente ao choque dos atentados nos meses seguintes. Mais importante do que isso, quem permaneceu investido participou de um dos períodos mais extraordinários da história dos mercados. Entre setembro de 2001 e os anos subsequentes, surgiram ou ganharam escala gigantes que redefiniram a economia mundial, acelerando a revolução digital, o comércio eletrônico, os smartphones, a computação em nuvem e a inteligência artificial.

Naturalmente, o caminho não foi uma linha reta. Vieram a crise financeira de 2008, a pandemia de 2020 e vários outros momentos de tensão. Ainda assim, olhando para um horizonte de décadas, os índices americanos apresentaram valorização de várias vezes seu valor original, recompensando aqueles que conseguiram manter uma visão de longo prazo.

Existe uma lição poderosa escondida entre os escombros daquela manhã trágica. Os mercados não ignoram o sofrimento humano. Pelo contrário. Eles reagem violentamente à incerteza. Mas também refletem algo profundamente humano: a capacidade de reconstruir.

Os atentados de 11 de setembro mudaram aeroportos, políticas de segurança, relações internacionais e decisões econômicas. Mudaram o mundo. Mas não foram capazes de interromper o avanço da inovação, do empreendedorismo e da criação de riqueza.

Talvez seja essa a mensagem que permanece relevante 25 anos depois. Eventos inesperados continuarão surgindo. Crises continuarão assustando investidores. Manchetes continuarão produzindo medo. Mas a história mostra que aqueles que conseguem olhar além do nevoeiro dos acontecimentos costumam enxergar algo que o pânico não permite ver: a extraordinária capacidade de recuperação das sociedades, das empresas e dos mercados.

No fim das contas, os prédios podem cair. A confiança pode ser abalada. O medo pode dominar por algum tempo. Mas a reconstrução quase sempre começa antes mesmo de a poeira baixar. E é nela que mora a esperança.State.

Martín Iglesias

Martín Iglesias

Especialista líder de recomendação de investimentos do Itaú Unibanco

Tem trinta anos de mercado, é responsável pela Recomendação de investimentos do Itaú Unibanco e membro da rede ANBIMA de Educação para Investidores. Pós-graduado em Finanças e Banking EAESP/FGV, Mestre em Economia pela EESP/FGV, onde leciona há vinte anos nos cursos de pós-graduação. É especialista em investimentos e finanças comportamentais. É autor dos livros “Investimentos: um livro de segredos e conselhos” e “4 dimensões de uma vida em equilíbrio”, “Investimentos: textos para nunca mais esquecer”, “Finanças Comportamentais e Arquitetura de Escolhas” e “Viajando nos Investimentos”. É colunista do íon e conteudista do Podcast Itaú Inversiones Colômbia.

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Qualquer informação não é um resumo completo ou declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento e não constitui uma recomendação. Os investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os investidores.

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