Por Martin Iglesias, responsável pela Recomendação de Investimentos do Itaú Unibanco
01 set 2025
Era 1985. O mundo pulsava entre sintetizadores e guitarras elétricas, enquanto Michael Jackson reinava nas paradas e Madonna desafiava convenções. As ruas exibiam cores fortes, cabelos armados e ombreiras largas, símbolos de uma década que celebrava o excesso e a confiança no futuro. Ao mesmo tempo, nos salões de mármore do Plaza Hotel, em Nova York, outro espetáculo se desenrolava — menos pop, mais silencioso, mas com impacto profundo sobre a economia global.
No dia 22 de setembro de 1985, Estados Unidos, Japão, Alemanha Ocidental, França e Reino Unido selaram o que ficaria conhecido como Acordo do Plaza. O dólar, fortalecido por políticas monetárias restritivas e pelo apetite internacional por ativos americanos, havia subido a alturas que ameaçavam a competitividade da indústria dos EUA. Era preciso trazê-lo de volta, antes que sufocasse as exportações e desgastasse as relações comerciais. O pacto funcionou: em um ano, o dólar caiu cerca de 20%, redesenhando os fluxos globais e mostrando que até as maiores potências podiam se alinhar em busca de estabilidade.
Quarenta anos se passaram. Os cabelos já não são tão armados, mas as tensões continuam eriçadas. O pano de fundo mudou: a Guerra Fria deu lugar a uma ordem multipolar, a globalização se expandiu e agora parece se reorganizar. Em 2025, os Estados Unidos enfrentam novamente os desafios externos, mas o caminho adotado é diferente. Em vez de acordos multilaterais como o do Plaza, a estratégia atual recorre mais a tarifas comerciais, utilizadas como instrumentos de negociação e reposicionamento frente a parceiros.
Essa abordagem, iniciada no primeiro mandato de Donald Trump e retomada agora, reflete uma mudança de estilo: menos foco na coordenação internacional, mais ênfase em medidas voltadas a interesses domésticos. Trata-se de uma estratégia que busca defender competitividade e reequilibrar fluxos comerciais em um cenário mais fragmentado do que o de 1985.
O Acordo do Plaza entrou para a história como um raro momento em que grandes economias atuaram lado a lado. Quatro décadas depois, o cenário é outro, mas a questão de fundo permanece: como equilibrar moedas, comércio e confiança em um mundo que nunca deixa de se transformar?
E neste 22 de setembro de 2025, quando o Plaza completa seus 40 anos, a lembrança desse episódio serve não apenas como registro histórico, mas como convite à reflexão sobre os diferentes caminhos que as nações escolhem para lidar com seus desequilíbrios. O tempo passou, os instrumentos mudaram, mas uma constante permanece: o dólar. Ele continua sendo o fio condutor das finanças internacionais, a referência contra a qual se medem fluxos, preços e expectativas. Foi assim em 1985, é assim em 2025 — e provavelmente seguirá sendo assim, enquanto o mundo buscar equilíbrio entre suas divergências e a necessidade de um denominador comum.
Porque, no fim, a história pode mudar de cenário e de personagens, mas a moeda que conduz a narrativa ainda é a mesma: o dólar.
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