Por Tomás Roque, Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue
21 ago 2025
Chatered Financial Analyst. Para os mais próximos, CFA. Essa é a certificação mais reconhecida no mercado financeiro internacional, e com certeza uma das mais prestigiadas. Antes de contar um pouco da minha jornada, que ainda está em curso, trago um pouco da história do CFA: como que, há 62 anos, ele nasceu, e hoje é tão requisitado no mercado financeiro.
Apesar da data oficial do primeiro exame ser 1963, a história remonta à 1947, quando as quatro sociedades pioneiras – Boston, Chicago, Nova York e Filadélfia – uniram forças para formar a National Federation of Financial Analysts Societies (NFFAS). Este marco representa o nascimento institucional da profissão de analista de investimentos, e a instituição que futuramente viria a ser o CFA.
Após 16 anos, o primeiro exame oficial do CFA foi feito com 284 candidatos dentro dos EUA. Mas foi só em 1964 que ele tomou a forma que tem até hoje: 3 níveis, abordando os temas mais recentes de finanças, desde uma parte geral de finanças, análise de ativos, até a aplicação do aprendizado na gestão de portfólios.
A ideia de virar um CFA Charterholder – como são chamados aqueles que passam nas 3 provas, tem mais de 4.000 horas de trabalho relevante para a área de investimentos, e recebem 2 a 3 recomendações profissionais sobre sua jornada de trabalho e seu caráter profissional, não partiu inicialmente de mim. Meu primo, que trabalha no mercado financeiro há mais de 2 décadas, comentou comigo sobre essa certificação, e na época eu quase não conhecia. Só tinha ouvido falar, quase como algo etéreo, distante.
Durante um período de 2 anos, no início da minha carreira, eu tinha certeza de que não faria a prova, que ela era muito difícil. Mas depois de alguns anos daquela conversa que tive com meu primo, estou estudando para o Level 2, buscando cada vez mais entender conceitos e aplicações práticas que eram muito complicadas.
Talvez você já tenha ouvido falar nessa prova, e provavelmente o tom da conversa é que ela é muito difícil, demandante, complicada. Tudo isso é verdade, e tem um motivo para isso acontecer. Hoje existem menos de 200.000 CFA Chaterholders no mundo. Quando vamos para o Brasil, existem pouco mais de 1.600. A diferença fica perceptível quando vemos que o setor financeiro na brasil emprega perto de 1,7% da força de trabalho, isso dá algo por volta de 1,8 milhão de pessoas. Isso é 0,09% do mercado financeiro com essa certificação, um número muito baixo.
Quando comparamos com o mundo, como é possível ver no gráfico abaixo, a estimativa, visto que o número de CFA Charterholders não é divulgado em todos os países, é que temos muito poucos, tendo em vista o tamanho da nossa população. Portugal tem praticamente metade de Charterholders, mas com uma população quase 20 vezes menor.
Fonte: CFA Institute, Elaboração própria
Ainda corroborando a dificuldade e extensão dessa jornada, passar de primeira nas três provas não é tarefa simples: tanto que em torno de 10% dos candidatos conseguem esse feito. Claro, essa estatística é válida considerando os 3 níveis independentes, e não quer dizer que eles são, necessariamente. A imagem abaixo mostra as médias de porcentagens de candidatos que passaram em cada exame nos últimos 10 anos.
Fonte: CFA Institute
Existe uma “regra de ouro”, que o candidato médio estuda algo em torno de 300 horas por prova, o que daria algo em torno de 6 meses. Muitos usam isso como balizador, mas eu não acho a melhor opção. Especialmente porque o candidato médio não passa na prova, e muitos acabam desistindo. Para melhor absorver o conteúdo, faz mais sentido deixar mais tempo para estudo, 9 a 12 meses, por exemplo. Esse é um processo longo, de 2 a 3 anos, e mais importante que passar, é aprender o conteúdo rico que a certificação entrega.
Esse é o maior desafio que tive até hoje, no que tange a parte acadêmica/profissional da vida. Se desafiar, aprender e entender temas mais complexos de finanças é um grande motor para continuar se desenvolvendo. As coisas mais interessantes que fiz na vida vieram através do estudo, por isso vejo uma função muito clara dele na minha vida, e busco compartilhar esse sentimento com os outros.
Mais difícil que a matéria em si, são os “nãos” que você fala durante esse processo. São “nãos” para festas, reuniões familiares, aniversários, encontro com amigos, happy hours, feriados, viagens etc. A gente subestima o quão difícil é fazer a mesma atividade durante mais de 6 meses (prazo que geralmente o candidato médio estuda por level, lembrando que o candidato médio não passa), todos os dias.
Todos os movimentos que fizemos e vamos fazer na vida, tem algum custo. No curto prazo, é preciso renunciar a algo, e geralmente a vida social é a escolhida, visto que saúde e vida profissional são mais difíceis de ficarem escanteadas. O custo das provas do CFA também é alto, mas ele é visto desde o momento que você decide fazer a prova.
O custo invisível dos “nãos” só é possível sentir no trajeto.
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