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Warhol, molduras e dólares: uma lição comportamental para investidores globais

Por Martin Iglesias, responsável pela Recomendação de Investimentos do Itaú Unibanco

01 ago 2025

Agosto chegou com aquele clima de fim de férias no hemisfério norte, e com ele, o aniversário de Andy Warhol. Nasceu em 6 de agosto de 1928, e não é segredo que eu gosto dele. Não apenas pelo que pintou, mas pelo que provocou. Warhol foi muito mais que um artista. Foi um disruptor, um visionário que enxergou arte onde ninguém via. Nas latas de sopa Campbell, nos retratos coloridos de Marilyn Monroe, no consumo, na repetição e na própria fama. Tive a oportunidade de ver os dois quadros, o da Marilyn e o das sopas, na minha última viagem a Nova York. E fiquei ali, parado, pensando em como ele sabia brincar com o ordinário até fazê-lo virar extraordinário.

Curiosamente, foi ali que me veio à cabeça uma das armadilhas mais comuns no mundo dos investimentos: o narrow framing.

Esse conceito da economia comportamental descreve o hábito que temos de tomar decisões olhando só para uma parte do todo. É como julgar uma obra de arte só pela moldura. Você ignora a composição, as cores, a história por trás do quadro, e foca na moldura dourada, achando que ela resume a obra. Quando, na verdade, ela só a cerca.

No universo dos investimentos, o narrow framing aparece de várias formas. Mas há uma que vejo com frequência: a tentativa de decidir se vale a pena investir no exterior olhando apenas para a cotação do dólar. “Ah, o dólar tem caído, então agora não vale mais investir lá fora.” Ou: “O dólar está caro, vou esperar.”

A cotação do dólar é só a moldura.

A obra de arte está no centro da tela. São os ativos que você está comprando, o potencial de retorno, o risco diversificável, os setores e geografias que podem equilibrar sua carteira, as taxas de juros globais, os fundamentos econômicos. Avaliar investimentos internacionais só pela taxa de câmbio é como torcer o nariz para quadro do Warhol porque a moldura não te agradou.

Investir fora do Brasil, seja em renda fixa ou variável, é uma forma de ampliar horizontes, diversificar riscos e acessar outras fontes de retorno. Claro, o câmbio influencia. Mas não define tudo. O dólar pode cair e mesmo assim você ter um excelente desempenho com ativo bem-posicionado.

Martin Iglesias

Responsável pela Recomendação de investimentos do Itaú Unibanco

E, se me permite um conselho meio poético: amplie o seu enquadramento. Saia da visão estreita. Olhe a tela toda.

Talvez, como Warhol, você descubra beleza e retorno onde não esperava.

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Martín Iglesias

Especialista líder de recomendação de investimentos do Itaú Unibanco

Tem trinta anos de mercado, é responsável pela Recomendação de investimentos do Itaú Unibanco e membro da rede ANBIMA de Educação para Investidores. Pós-graduado em Finanças e Banking EAESP/FGV, Mestre em Economia pela EESP/FGV, onde leciona há vinte anos nos cursos de pós-graduação. É especialista em investimentos e finanças comportamentais. É autor dos livros “Investimentos: um livro de segredos e conselhos” e “4 dimensões de uma vida em equilíbrio”, “Investimentos: textos para nunca mais esquecer”, “Finanças Comportamentais e Arquitetura de Escolhas” e “Viajando nos Investimentos”. É colunista do íon e conteudista do Podcast Itaú Inversiones Colômbia.

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