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O início da jornada do CFA

Por Tomás Roque, Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue

23 set 2025

Existem alguns caminhos que, antes de começar, a gente sabe que serão difíceis, custosos e extensos. O CFA é exatamente assim.

Apesar de saber o que te espera, é difícil compreender totalmente o que é essa viagem. Como um passageiro ainda no meio da turbulência, vou contar um pouco como e por que eu decidi iniciar essa jornada.

Background

Desde pequeno eu estudava bastante, seja ensino fundamental, médio e até na faculdade. Como se é esperado, a dificuldade e profundidade dos temas foram crescendo aos poucos.

Cursei Economia na UNESP, em Araraquara no interior de São Paulo. Lembro como se fosse hoje o primeiro choque: Cálculo 1. Estava visitando o Banco Central Brasileiro com a UNESP, na Avenida Paulista, quando toda a turma recebeu email com a nota da primeira prova. Nenhuma acima de 4.

Ali notei que seria diferente, que precisaria me dedicar muito mais para aprender e conseguir passar dessa matéria. Deu certo. O próximo desafio foi Cálculo 3. Nesse momento, nunca tinha visto algo tão difícil, complexo e assustador no quesito estudo. A dedicação, exercícios e revisões aumentaram muito, e consegui passar nessa disciplina tão difícil.

Até então, ali tinha sido meu maior desafio, que mais demandou. Mal sabia que, alguns anos depois, encararia uma prova totalmente diferente, em inglês, com um conteúdo tão extenso como um mestrado, considerando todo o programa do CFA.

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De onde veio essa ideia?

No começo eu não pensava em fazer essa prova. Na realidade, eu não acreditava que conseguiria passar da primeira fase, quem dirá terminar todo o programa. Mas, aos poucos, fui entendendo melhor como ela funcionava, e que não seria impossível se tornar um CFA Charterholder – como são chamados aqueles que passam nas 3 provas, têm mais de 4.000 horas de trabalho relevante para a área de investimentos, e recebem 2 a 3 recomendações profissionais sobre sua jornada de trabalho e seu caráter profissional.

O meu primo, que trabalha há muitos anos no mercado financeiro, me incentivou a iniciar essa jornada, mostrando como que era, e que fazia sentido, caso eu pensasse em continuar a carreira no mercado financeiro. Na época, fiquei na dúvida entre o CFA e um mestrado em economia, mas os benefícios do CFA superaram os do mestrado, na minha realidade.

Apesar do custo inicial do CFA assustar (US$ 1140, para provas a partir de 2026), quando se compara com um MBA ou mestrado, geralmente o custo total é menor. Mas como eu falei no texto O custo invisível do CFA, esse não é, nem de perto, o maior custo para fazer essa prova.

Certificações anteriores

Antes de ir para o CFA, eu cheguei a tirar outras certificações. Mas antes de contar brevemente sobre elas, tenho uma opinião um tanto quanto contraditória: A ideia de considerar certificações como soluções de problemas ou como uma escadinha da carreira, não faz sentido.

Vou explicar melhor. Uma certificação pode ser tanto regulatória, para permitir que você atue em certa área ou desempenhe certa função, ou ela não é regulatória, e agregaria conhecimento em certo assunto.

Para certificações regulatórias, não existe escapatória. Caso queira atuar em certa posição ela é necessária. Agora, as que não são obrigatórias, como o CFA e CFP, são diferenciais, cada uma em certa expertise.

Essa ideia de “escadinha” é bastante brasileira. Abaixo é possível ver um gráfico mostrando uma pirâmide das certificações no Brasil. Eu busquei, mas não consegui encontrar nada similar nos EUA. Isso acontece por vários motivos, mas um deles é o número muito maior de certificações para cargos específicos, sendo a maior parte regulatória.

Quando entrei no mercado financeiro, tirei o CEA, pois me parecia a porta de entrada mais fácil. Hoje sei que a melhor forma é conhecimento prático, aplicado no dia a dia, solucionando as questões do cliente. De toda forma, esse foi o começo. Após ingressar em uma gestora, fui incentivado a obter o CGA e CGE, certificações brasileiras para o universo de fundos.

Consegui passar nas duas. E seria hipócrita da minha parte falar que não ajudaram na minha trajetória. Sempre falo: na dúvida, é melhor ter do que não ter. Mas para ter, ela precisa fazer sentido. Eu sempre sentia falta de mais aplicação no dia a dia, na rotina, e a gente sabe que a teoria é bem diferente da prática.

Agora já dentro da Avenue, passei no SIE, minha primeira certificação internacional. Ela serviu como uma porta de entrada, para entender melhor o mercado americano, e as suas principais características. Com ela, conseguia explicar melhor para o cliente algumas situações, pormenores e diferenças para o mercado brasileiro.

Como esperado, tinha uma “próxima”. Sempre tem. No meu caso foi o Series 99, certificação focada para a área de operações, que cuida de todo o backoffice de uma instituição financeira. Apesar de ter passado, dado o caminho que estava trilhando para minha carreira, foi a que teve menos aplicação prática.

Ou seja, cada certificação teve uma justificativa, um motivo para eu tirar, seja para me especializar em algum assunto, ou porque era regulatória. O que eu sou contra é fazer certificações a esmo, pois, como falei antes, elas não conseguem refletir totalmente o dia a dia e nem o aprendizado que o próprio trabalho, conversas e treinamentos conseguem trazer.

Pagamento da prova serve como combustível

Quando decidi fazer o L1 do CFA, utilizei uma técnica que sempre me ajudou: eu pago inscrição, marco a prova, e depois disso começo a estudar. Eu admiro muito quem consegue começar o estudo de uma certificação sem uma data predefinida. Eu não consigo, preciso ter uma data, uma meta.

Consigo fazer um paralelo com corrida. Neste ano corri minha primeira – e por enquanto única – meia maratona. Enquanto ela estava no âmbito das ideias, eu corria sem avançar muito. Depois, quando marquei a prova, os treinos mudaram, ficaram mais longos, intensos, cansativos. E recompensadores.

Ter uma data, um objetivo, uma meta ajudam muito o processo. E na maior parte das vezes, o processo é mais transformador do que o resultado final. Me lembro quando cruzei, depois de um extremo esforço, a linha de chegada da meia maratona. Foi o ápice, a coroação de alguns meses treinando. Mas o mais importante foram os meses de treinamento, me desenvolvendo, aprimorando.

O mesmo ocorre com o CFA. Quando passei no Level 1, foi uma euforia sem tamanho – ainda mais levando em conta que reprovei a primeira vez que fiz a prova, assunto do meu próximo texto. Mas de pouco importa se a jornada, os 7 meses estudados, não foram igualmente recompensadores, difíceis e desafiadores.

O dia da prova, seja do CFA, seja de uma meia maratona, apenas coroa um progresso feito meses atrás. É esse progresso que devemos focar. A medalha (aprovação) é consequência.

Referências:

DISCLAIMER

Oferta de serviços intermediada por Avenue Securities DTVM. Avenue Securities Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (“Avenue Securities DTVM”) é uma distribuidora de valores mobiliários brasileiros, devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil (“BCB”) e pela comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). Os saldos disponíveis em Reais são mantidos na Avenue Securities DTVM Ltda., uma instituição financeira regulada. Os fundos detidos pela Avenue Securities DTVM não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Veja todos os avisos importantes: https://avenue.us/termos/.

Tomás Roque

Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue

Formado em Economia pela UNESP com distinção e extensão em Business na Tampere University – Finlândia. Possui as certificações CGA, CGE e Series 99.

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