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Tim Cook deixa o comando da Apple: o que fica dos últimos 15 anos

04 ago 2026

Resumo

Tim Cook comandou a última teleconferência de resultados da sua gestão na Apple. Depois de 15 anos no cargo, ele passa o comando a John Ternus, hoje vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware, em 1º de setembro de 2026, e segue na empresa como presidente executivo do conselho (Chairman).

E o último balanço da era Cook veio com recordes. No 3º trimestre fiscal de 2026 (2T26), divulgado após o fechamento em 30 de julho, a Apple reportou receita de US$ 109,42 bilhões, alta de 16% na comparação anual e acima do consenso de US$ 108,86 bilhões. O lucro ajustado por ação (EPS) foi de US$ 2,02 (ante US$ 1,57 um ano antes e US$ 1,89 esperados pelo mercado), embora US$ 0,11 desse resultado venha de reembolso de tarifas – sem esse ganho, o EPS teria vindo praticamente em linha com as projeções. O crescimento foi puxado por iPhone (US$ 54,3 bilhões), Mac (US$ 10,4 bilhões) e Serviços (US$ 30,7 bilhões), com a margem bruta em 50,1%.

Apesar dos números recordes, a reação do mercado foi negativa: a ação recuou cerca de 7,7% no after-market, negociada perto de US$ 307,61. O que pesou foi o guidance – a companhia projeta crescimento de receita entre 9% e 11% no trimestre atual, citando restrições de oferta/cadeia, abaixo dos 12% que o mercado esperava. Ou seja, Cook encerra a gestão entregando um trimestre de crescimento nas principais linhas de negócio, mas deixa para John Ternus a tarefa de administrar as expectativas sobre o ritmo de crescimento daqui para frente.

Passar o bastão numa empresa de US$ 4 trilhões não é um evento qualquer, e a saída de Cook é um momento para olhar com calma para o que mudou na Apple nesses 15 anos – e por que isso importa para quem acompanha o mercado americano daqui do Brasil.

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A sucessão de Cook

Tim Cook assumiu o posto de CEO da Apple em agosto de 2011, após Steve Jobs anunciar que deixaria a posição, permanecendo, na época, como Chairman do Conselho. Na época, gerou-se muito ruído sobre o futuro da Apple, dado que Cook não tinha o mesmo reconhecimento quem possui atualmente.

Ainda assim, o mercado acompanhou a evolução da empresa, em 2011 valendo cerca de US$ 350 bilhões de valor de mercado. Hoje a empresa está perto de US$ 4 trilhões – foi a primeira companhia americana a passar por US$ 1 trilhão (2018), US$ 2 trilhões (2020), nessa ordem. A receita seguiu o mesmo ritmo: saiu de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para US$ 416 bilhões em 2025. Diversos fatores contribuíram para o crescimento de valor de mercado da Apple, o programa de recompra de ações, o ganho de participação de mercado do iPhone, novas receitas de produtos e serviços, entre outros.

O principal ponto é, Cook em uma de suas primeiras entrevistas após ser anunciado como CEO disse: “Steve foi um visionário. Meu papel nunca foi substituí-lo. […]. Estou focado em ser um bom CEO da Apple”. Em outras palavras, Cook não tentou ser um novo Steve Jobs. Em vez disso, construiu seu próprio legado e, ao longo dos anos, provou seu valor à frente da companhia. Agora, o mercado parece se preparar para um movimento semelhante: virar a página da era Cook, marcada pela expansão da Apple, para acompanhar o que poderá ser o início da era John Ternus.

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Da fábrica para a nuvem: o operador que sucedeu o visionário

Antes de virar CEO, Cook já era conhecido dentro da Apple por outro motivo: foi ele quem reformulou a operação da empresa depois de ser contratado em 1998. Fechou os estoques físicos de componentes e as linhas de produção próprias, e passou a terceirizar a fabricação com contratos de longo prazo, um modelo que virou padrão da indústria e ajudou a Apple a manter margens altas mesmo crescendo em ritmo acelerado.

Esse know-how de cadeia de suprimentos foi usado, já como CEO, para expandir a presença da Apple na China, como mercado consumidor e como base fabril. O movimento trouxe crescimento relevante, mas também deixou a empresa mais exposta a tensões comerciais entre EUA e China, tema recorrente nos últimos anos e que se conecta diretamente com o comportamento do dólar frente a outras moedas – algo que já exploramos neste conteúdo sobre o índice DXY.

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O que não existia quando Cook assumiu

Boa parte do que hoje é rotina no ecossistema Apple simplesmente não existia em 2011:

O ponto comum entre essas apostas é que nenhuma teve o impacto disruptivo do iPhone. E isso não é acidente: ao contrário de Steve Jobs, Cook nunca tentou se posicionar como o “visionário de produto” da empresa. A gestão dele foi construída em cima de execução, disciplina de capital e posicionamento institucional – privacidade de dados, segurança cibernética e sustentabilidade ambiental se tornaram bandeiras de marca da Apple, num contraponto direto a concorrentes que monetizam dados de usuários de forma mais agressiva.

Como investir em IA: oportunidades, riscos e estratégias globais

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O que fica para quem acompanha a Apple de perto

Trocas de CEO em empresas desse porte quase sempre vêm acompanhadas de ruídos e incertezas. No curto prazo, o mercado tende a concentrar sua atenção nas dúvidas: quem assume, quais serão as prioridades e se a cultura da companhia será preservada. Mas é importante separar ruído de informação e lembrar que empresas como a Apple passam anos se preparando para momentos como esse.

A sucessão não é um evento isolado, mas parte de um processo contínuo de formação de lideranças. Foi assim quando Tim Cook sucedeu a Steve Jobs e, se John Ternus for o escolhido, provavelmente será assim novamente. O desafio não será substituir Cook, mas construir seu próprio legado, da mesma forma que Cook fez há quinze anos.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura.

Fontes consultadas

Disclaimers

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Investimentos em ações envolvem risco de mercado e potencial perda do principal investido. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura.

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Bruno Yamashita

Com mais de 7 anos de experiência no mercado financeiro, iniciou a carreira no Bank of America Merrill Lynch, posteriormente teve passagens pelos times de Equity Research cobrindo mercados emergentes na gestora britânica Aberdeen (que conta com cerca de GBP 490 bilhões de ativos sob gestão), fez parte do time de Investment Banking do Goldman Sachs no Brasil, e foi analista de Global Equities cobrindo diversos setores como tecnologia, consumo (básico, discricionário e luxo) e saúde em um multi family office no Brasil. Atualmente, atua como analista do time de Alocação e Inteligência da Avenue. Bruno é formado em administração com ênfase em finanças pela ESPM-SP e possui a certificação CGA.

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