15 set 2026
Como preparar a próxima geração para um mundo cada vez mais conectado, sem perder identidade e propósito pelo caminho? Essa foi a pergunta que guiou um dos encontros mais pessoais do Avenue Connection 2026, dentro do tema Geração Global. Amyr Klink, navegador conhecido por travessias históricas, e sua filha Marina Klink, atleta, escritora, administradora e estudante de medicina, dividiram experiências sobre educação, carreira e vida internacional.
A conversa não foi sobre recordes ou sobre aventura pelo mar. Foi sobre planejamento, gestão de risco e disciplina financeira, princípios que atravessaram décadas de expedições e que, segundo os dois, se aplicam diretamente à forma como uma família estrutura o próprio legado, inclusive o patrimonial.
Se você está pensando em como preparar a próxima geração para oportunidades internacionais sem perder de vista identidade e propósito, essa conversa tem muito a oferecer.

Amyr Klink foi direto ao contar que nunca teve a intenção de fazer travessias recordistas. Tudo começou quando ele acompanhou uma travessia mal sucedida de outro navegador e passou a analisar, uma a uma, as razões por trás dos fracassos: falhas de preparação, dieta mal planejada, escolha errada de materiais. Ao começar a escrever as soluções para esses problemas, ele percebeu que já estava mergulhado em um novo projeto.
Esse hábito de aprender com o erro dos outros, e não só com o próprio, se tornou um princípio que ele carrega para qualquer decisão complexa, incluindo as financeiras:
Amyr contou que, ao longo da vida, desenvolveu projetos muito complexos com base nesse aprendizado por observação. Para ele, entender onde os outros erraram virou um princípio prático, o mesmo raciocínio que vale para quem observa crises e falhas do sistema financeiro antes de tomar as próprias decisões.

Um dos relatos mais marcantes de Amyr envolveu um barco, segundo ele, de 140 toneladas, construído sem leme, inspirado no princípio da estabilidade uniforme das jangadas cearenses. Ele uniu conhecimento tradicional e tecnologia de ponta para desenvolver essa solução, mas foi sincero sobre os limites do próprio planejamento:
Ele relembrou ter perdido o leme na Antártica após um erro próprio, um lembrete de que nenhum nível de preparo elimina totalmente o risco, mas reduz o impacto quando as coisas saem do previsto.

Amyr também descreveu um dos projetos mais complexos de sua carreira: um barco desenhado não para nunca virar, mas justamente para capotar bem. Segundo ele, é impossível projetar uma embarcação inteiramente à prova de capotamento, então o caminho foi desenhar uma que fosse segura mesmo quando isso acontecesse.
Para viabilizar essa engenharia, ele passou anos trabalhando com equipes do setor aeronáutico no desenvolvimento de mastros de fibra de carbono. Ele contou ter se impressionado com o cuidado da indústria da aviação em imaginar e testar cada cenário possível antes mesmo de qualquer avião decolar, uma cultura de antecipação de riscos que ele tentou trazer para dentro da própria embarcação.
Um dos pontos mais reveladores da conversa foi sobre a relação de Amyr com dinheiro. Ao decidir construir do zero um novo projeto, o barco batizado Paraty 3, ele sabia que não teria recursos ilimitados e criou, segundo suas palavras, uma “programação de não desperdício financeiro”: todos os recursos disponíveis foram direcionados com um único foco, terminar o barco dentro do orçamento.
Segundo o próprio Amyr Klink, o projeto levou 8 anos para ser construído, ele navegou com essa embarcação por 22 anos e, ao final, vendeu o barco para o governo da Suíça por um valor superior ao que havia investido, um raro exemplo, em suas palavras, de ativo que não perde valor com o tempo.
Ele foi enfático sobre a decisão de não recorrer a patrocínio nem a alavancagem bancária: criou um programa de dez anos em que todas as receitas geradas eram reinvestidas integralmente no projeto do barco, buscando sempre soluções que não perdessem valor ao longo do tempo.
Amyr comentou que o mercado financeiro tem uma ansiedade recorrente de dobrar capital rapidamente, mas que seu objetivo era outro: fazer um investimento tecnicamente sólido, mesmo que isso significasse paciência.
Ele também contou que estudou economia e não gostou da experiência, mas que os dois anos em que trabalhou em um banco foram, segundo ele, extremamente importantes para sua trajetória. Foi ali que aprendeu a fazer contas ao longo do tempo, uma lição de vida que carregou para todos os projetos seguintes.
Amyr também falou sobre a decisão de levar as próprias filhas, ainda crianças, e outras crianças a bordo em determinadas viagens. Ele descreveu a experiência como caótica, com um grupo de crianças que se tornou, em suas palavras, um “time incontrolável” em dias de tempestade com sol e céu azul, justamente os dias em que elas menos queriam entrar na água.
A experiência o fez enxergar, na prática, algo que comparou à relação entre um gestor de investimentos e o patrimônio de um cliente: sentir na pele o peso de cuidar de algo que não é só seu. Segundo ele, quando está no comando, não se deixa impactar pelo pânico dos outros. Em tripulação, prefere que todos passem por todas as funções, incluindo as mais indesejadas, como faxina e inspeção de máquinas, porque isso gera respeito mútuo pelas tarefas de cada um.

Marina Klink cresceu vendo o pai partir e voltar de expedições. Ela contou que a mãe ajudava a lidar com a ausência, e que, quando adulta, entendeu o quanto aquilo era fora do comum. Na primeira vez em que embarcou e viu o horizonte sem nenhum pedaço de terra à vista, ela ficou desesperada, até o pai explicar, com calma, como havia construído cada parte do barco com as próprias mãos para que fosse seguro.
Foi esse entendimento, o de estar em um ambiente de risco conhecido, que a ajudou a atravessar os momentos de pânico:
Ela descreveu o barco como um ambiente de recursos escassos, mas nunca insuficientes: a sensação de finitude ensinava a não desperdiçar. Sua primeira função a bordo foi lavar a louça com água salgada, uma tarefa simples que, segundo ela, ensinou lições de gestão de recursos que passam despercebidas por quem vive com água disponível em quantidade infinita em terra.
Quando decidiu deixar a administração e o mercado financeiro para estudar medicina, Marina foi direta sobre o que aprendeu com o pai antes de tomar a decisão:
Ela reforçou que essa mudança de carreira não foi motivada por paixão repentina, mas por planejamento: entender o propósito e o destino antes de dar o passo. Segundo Marina, quando a decisão é guiada por propósito claro, mesmo uma virada de carreira significativa passa a fazer sentido.
Ela mencionou que todo o investimento feito em sua educação foi essencial para essa transição, e que aprendeu, ao trabalhar no mercado financeiro, a importância de executar tarefas e respeitar prazos, uma disciplina que carrega até hoje.
Ao final da conversa, Amyr resumiu, de forma direta, o que considera o verdadeiro capital a ser preservado por uma família:

A trajetória da família Klink mostra que planejamento de longo prazo, gestão de risco e disciplina financeira não são exclusividade do mercado, são princípios que atravessam qualquer projeto de vida, inclusive o de expandir horizontes para fora do Brasil.
Saiba mais sobre o tema central do evento: 🔗 Geração Global: o que é e por que ela é o tema do Avenue Connection 2026
Se o tema de preparar a próxima geração para viver fora despertou seu interesse, veja também: 🔗 Guia completo para estudar no exterior: planeje seu futuro passo a passo
E para quem pensa em transmitir patrimônio entre gerações: 🔗 Diáspora Patrimonial: a urgência de internacionalizar o patrimônio
Para acompanhar a cotação do dólar enquanto planeja sua estratégia internacional: 🔗 Dólar hoje
O que a família Klink tem a ver com o tema Geração Global do Avenue Connection 2026?
Amyr e Marina Klink participaram de um painel confirmado no Dia 1 (15/09) do evento, sobre como preparar a próxima geração para viver, estudar e planejar o futuro em um mundo conectado.
Qual foi o principal aprendizado citado por Amyr Klink?
Ele destacou que aprender com os erros de outros navegadores, e não buscar recordes, foi a base do seu método de planejamento, gestão de risco e disciplina financeira, incluindo a decisão de nunca recorrer a alavancagem bancária em seus projetos.
Por que Marina Klink decidiu mudar de carreira?
Ela explicou que a mudança, saindo do mercado financeiro para estudar medicina, foi guiada por planejamento e propósito, e não por paixão repentina, e que a independência veio antes da busca pela felicidade.
Esse conteúdo é uma recomendação de investimento?
Não. É um relato de experiências pessoais dos convidados, com caráter informativo e reflexivo, sem citar produtos ou estratégias de investimento específicas.
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