15 set 2026
Depois de mais de cinco décadas viajando pelo mundo e narrando as conquistas do esporte brasileiro, Galvão Bueno subiu ao palco principal do Avenue Connection 2026 para uma conversa sobre como é a experiência de uma vida sem fronteiras. A conversa reforçou algo que aparece o tempo todo na trajetória de quem decide olhar para o mundo: adaptação, visão de longo prazo e coragem para se reinventar não são exclusividade de quem investe fora. São, antes de tudo, um jeito de viver.

Ao longo do bate-papo, Galvão dividiu histórias de mais de 50 anos rodando o planeta, cobrindo de Copas do Mundo a Grandes Prêmios de Fórmula 1, e contou como decidiu abrir seu próprio negócio fora do Brasil. Além disso, ele falou sobre os aprendizados que carrega até hoje de sua carreira como narrador esportivo. Cada uma dessas passagens ajuda a entender por que cada vez mais brasileiros têm levado essa mesma lógica para o próprio patrimônio: diversificar, se adaptar e não ficar limitado a um único lugar.
Galvão contou que, ao longo de mais de cinco décadas viajando para cobrir Copas do Mundo, Olimpíadas e circuitos de Fórmula 1, aprendeu que a primeira barreira em qualquer país novo costuma ser a comida, seguida do idioma e dos costumes locais.
Ele contou algumas de suas experiências em lugares diferentes como China, a Tailândia e Singapura, cidade que costumou a chamar, em suas transmissões, de “capital do terceiro milênio”, pelo salto que deu para se tornar um dos grandes centros financeiros e tecnológicos do mundo em poucas décadas.
Para ele, esse processo de se acostumar a cada cultura, cada idioma e cada jeito de viver foi uma verdadeira escola da vida. Nas palavras dele:
Ele reforçou, porém, que essa lição não depende de viagem: “não precisa viajar o mundo inteiro para aprender tudo isso. Você pode aprender onde quer que esteja, com o dia a dia”, comentou. O essencial, segundo ele, é a disposição de se adaptar ao que aparece pela frente, esteja você em Singapura ou em casa.
Foi também na estrada, entre um Grande Prêmio e outro, que floresceu a ideia de um dos negócios de Galvão fora da televisão. Depois de anos provando vinhos em jantares de Fórmula 1 pela França, Itália, Espanha e Estados Unidos, ele decidiu ter “uma garrafa com o meu nome”. Em 2007, comprou um terreno no Rio Grande do Sul para montar sua própria vinícola, com ajuda de produtores já estabelecidos na região e consultores especializados.
Ao descrever como foi tirar o projeto do papel, ele resumiu o processo em três fases, das quais a última é contada meio de brincadeira:
Segundo ele, a paixão vem primeiro, pois é o que inspira a vontade de fazer. Depois vem a coragem, quando se descobre o tamanho real do investimento necessário para conquistar o sonho. E, por fim, o momento de seguir mesmo sabendo que o retorno pode demorar anos para aparecer, o que ele chamou de “irresponsabilidade”.
Hoje, sua empresa tem mais de 20 rótulos produzidos no Brasil e outros três na Itália, onde ele também mantém um negócio de vinhos. Esse não é um convite a investir em nenhum produto ou empresa específica citados na conversa – é uma ilustração de como um projeto de longo prazo, fora do país de origem, pode levar anos para se consolidar.
Um dos pontos mais lembrados por Galvão foi a mudança na forma como o Brasil é visto no exterior. Segundo ele, no início da carreira, era comum chegar a um país e encontrar quem sequer soubesse que aqui se fala português, e não espanhol.

Com o crescimento da economia brasileira e a chegada de grandes empresas internacionais ao país, essa percepção foi mudando: hoje, na visão dele, o Brasil é visto como uma economia relevante no cenário mundial, mesmo em meio a momentos de instabilidade política interna.
Essa fala reflete a experiência e a opinião pessoal do próprio Galvão Bueno, formada em décadas de viagens – e não uma análise ou projeção da Avenue sobre a economia brasileira.
Galvão também contou sobre um erro cometido ainda no início da carreira, ao narrar incorretamente a autoria de um gol em um jogo da Seleção Brasileira. No dia seguinte, o jornalista Armando Nogueira, um dos mestres que ele cita com frequência, disse a ele que o problema não tinha sido o erro em si, mas a falta de humildade de assumi-lo no momento. A lição ficou:
Ele descreveu essa disposição de reconhecer o erro e seguir em frente como parte de um equilíbrio entre a emoção que compartilha com o público e a realidade dos fatos que também precisa contar, algo que, segundo ele, se aplica a qualquer área da vida em que existam altos e baixos.
A trajetória de Galvão Bueno funciona como uma espécie de retrato daquilo que a Avenue chama de Geração Global: gente que construiu carreira, negócio e vida familiar sem se limitar a um único país, idioma ou mercado. O filho dele, por exemplo, foi alfabetizado em inglês e francês morando em Mônaco e, hoje, é cineasta em Los Angeles.
Guardadas as devidas proporções, a mesma lógica se aplica a quem decide diversificar o patrimônio para além do Brasil: exige paciência para entender um cenário novo, disposição para se adaptar e coragem para seguir em um projeto de longo prazo mesmo sem garantia de resultado imediato.
Quem é Galvão Bueno e por que ele participou do Avenue Connection 2026?
Galvão Bueno é jornalista e narrador esportivo, com mais de 50 anos de carreira cobrindo Copas do Mundo, Olimpíadas e Fórmula 1 ao redor do mundo. Ele participou do palco principal do Avenue Connection 2026 no dia 15/09 para uma conversa sobre o que aprendeu vivendo e trabalhando sem fronteiras , tema que se conecta ao conceito de Geração Global do evento.
Sobre o que o Galvão Bueno falou na conversa?
Não. A conversa teve caráter de bate-papo sobre experiências de vida, carreira e empreendedorismo fora do Brasil. Galvão foi claro ao dizer que não é especialista em investimentos.
O que é a “Geração Global”, tema do Avenue Connection 2026?
É o conceito que descreve brasileiros que, mesmo vivendo no Brasil, já têm renda, carreira, consumo e mentalidade internacionais – pessoas que pensam, trabalham e investem sem se limitar às fronteiras do país. A trajetória de Galvão, com décadas rodando o mundo, foi usada como ilustração dessa mentalidade.
O que Galvão contou sobre o negócio de vinhos que ele tem fora do Brasil?
Ele relatou que decidiu montar sua própria vinícola em 2007, depois de anos provando vinhos em viagens de Fórmula 1. Descreveu o processo em três fases – paixão, coragem e o que ele chama, de forma bem-humorada, de “irresponsabilidade” (seguir o projeto mesmo sem saber quando o investimento voltaria). Hoje a empresa tem rótulos produzidos no Brasil e na Itália. É um relato pessoal dele, não uma recomendação de negócio ou produto.
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