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Conflito no Oriente Médio segue sem definição, mas temos atualização dos dados da economia americana

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

06 abr 2026

A semana que passou

Conflito EUA X Irã

A escalada no Oriente Médio continua dominando os mercados globais. Os EUA e Israel mantêm intensa campanha aérea contra infraestrutura militar, bases de mísseis, fábricas de defesa e instalações industriais no Irã. Em contrapartida o Irã responde com salvas de mísseis balísticos e drones contra Israel e zonas de interesses no Golfo. O Hezbollah intensificou significativamente seus ataques com foguetes e drones a partir do Líbano, e o Irã ampliou ações contra aliados regionais dos EUA (como Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados).

Em linhas gerais, até a última quinta-feira (02) não ocorreu evolução positiva que determine algum desfecho para a guerra iniciada. Confira abaixo uma linha do tempo preparada com os principais eventos ocorridos durante a semana anterior:

Domingo a terça-feira (29 a 31 de março): Israel e EUA intensificaram os ataques aéreos contra alvos estratégicos no Irã, incluindo instalações nas regiões de Teerã, Isfahan, Yazd e Bushehr. O Irã lançou ondas de mísseis contra Israel, com sirenes em Tel Aviv e outras cidades. O Hezbollah registrou elevado número de ataques com drones e foguetes. Relatos de contatos diplomáticos indiretos chegaram a circular, mas o Irã rejeitou formalmente o plano de 15 pontos proposto pelos EUA.

Desde o início do conflito, no dia 28 de fevereiro, diversos ataques foram realizados pelos países envolvidos, conforme destaca abaixo o gráfico atualizado com alvos e ataques.

Fonte: Christophe Barraud on X, 25/mar/2026

Quarta-feira (1º de abril) e Quinta-feira (2 de abril): O presidente Donald Trump fez seu primeiro discurso à nação sobre a guerra no Oriente Médio, afirmando que os objetivos militares americanos estão “próximos da conclusão” e que o conflito deve terminar em “poucas semanas”. Ao mesmo tempo, o chefe de Estado americano alertou que os ataques continuarão “extremamente fortes” nas próximas duas a três semanas e ainda ameaçou levar o Irã “de volta à Idade da Pedra” caso o mesmo não reabra o Estreito de Hormuz. Pouco após o discurso, o Irã lançou novas ondas de mísseis contra Israel (com impactos reportados em Tel Aviv e uso suspeito de munições cluster). Sirenes também soaram em Bahrein. O Irã negou qualquer negociação direta e prometeu respostas “mais amplas e destrutivas”.

Fonte: Reuters.com 01/abr/2026

Na Economia

Para além dos altos e baixos da guerra, também vivemos uma semana bastante intensa em termos de indicadores relevantes da economia americana. Vamos juntos conferir!

Na terça-feira (31), o relatório da Conference Board, divulgou que o índice de confiança do consumidor nos EUA subiu de forma surpreendente em março, passando de 91 para 91,8, superando as expectativas de economistas (87,9). Apesar do ganho modesto, impulsionado por uma leve melhora na avaliação das condições atuais, o indicador segue perto dos níveis mais baixos em uma década.

Entretanto, um comportamento que chamou a atenção foi o mantimento das preocupações com a inflação, por exemplo: as expectativas para os preços nos próximos 12 meses saltaram para acima da máxima em sete meses (6%), influenciadas pela forte alta nos valores da gasolina, que subiram de US$ 2,83 para mais de US$ 4 por galão em poucas semanas.

A economista-chefe do The Conference Board, Dana M. Peterson, afirmou: “A confiança do consumidor voltou a subir em março, à medida que uma melhora modesta na percepção dos consumidores sobre as condições atuais superou um leve recuo nas expectativas para o futuro”. Ela complementou explicando: “Três dos cinco componentes do Índice se fortaleceram em março, e a confiança geral apresentou uma melhora modesta pelo segundo mês consecutivo

Fonte: US Consumer Confidence 31/mar/2026

Com isso, percebemos uma certa perspectiva de preocupação acerca da inflação. Porque embora o número seja melhor que o esperado e possua avanço na confiança do consumidor, há uma maior percepção com a inflação, implícita nas expectativas divulgadas pelo índice.

Na quarta-feira (01), outro dado surpreendeu: as vendas no varejo dos Estados Unidos em fevereiro de 2026; com alta de 0,6% em relação a janeiro, o número superou a expectativa dos economistas, que previam avanço de 0,5%. Na comparação anual, o crescimento foi de 3,7%. As vendas do varejo puro (sem serviços de alimentação) também subiram 0,6% no mês e 3,5% em comparação a fevereiro de 2025. O grupo de controle, medida mais próxima do consumo que entra no cálculo do PIB, avançou 0,5% no mês.

Segundo o relatório divulgado, algumas categorias se destacaram em alta, como: lojas de saúde e cuidados pessoais (+2,3%), vestuário (+2,0%), veículos automotores (+1,2%) e artigos esportivos (+1,3%). Por outro lado, supermercados, lojas de alimentos/bebidas, móveis e decoração caíram 1,0%. Já o e-commerce (nonstore retailers) mostrou forte desempenho anual de +7,5%, enquanto serviços de alimentação e bebidas cresceram 5,2% no ano.

Assim, obtemos a leitura que os dados indicam resiliência do consumidor americano em fevereiro, embora o período de três meses (dezembro a fevereiro) tenha registrado alta mais moderada de 3,1% em relação ao ano anterior. A próxima divulgação, referente a março, está prevista para 21 de abril.

Além disso, também na quarta-feira, tivemos acesso ao PMI de Manufatura dos EUA que mostrou uma expansão moderada no setor industrial em março. O índice ISM subiu para 52,7, número acima da leitura de fevereiro (52,4) e das expectativas do mercado (aproximadamente 52,5), registrando o terceiro mês consecutivo de expansão e o maior nível desde agosto de 2022. Já o S&P Global PMI ficou em 52,3 (final), ligeiramente abaixo da estimativa preliminar de 52,4, mas ainda acima dos 51,6 de fevereiro – registrando o oitavo mês consecutivo acima da marca de 50, um indicativo de crescimento.

A expansão foi sustentada por ganhos em produção e novos pedidos domésticos, com algumas empresas relatando acúmulo de estoques por precaução diante da guerra no Oriente Médio. No entanto, o índice de preços pagos disparou para 78,3 (maior nível desde junho de 2022) como possível reflexo da forte pressão inflacionária ocasionada pela alta nos preços de energia e disrupções em cadeias de suprimentos. O índice de emprego permaneceu em contração (48,7) e as entregas de fornecedores pioraram significativamente.

Fonte: The Daily Shot 02/abr/2026

Em relação à atividade, mesmo que tenhamos dados a serem divulgados referentes ao primeiro trimestre de 2026, já conseguimos ter uma ideia dos níveis de atividade da economia americana nos primeiros 3 meses do ano. As estimativas do GDP Now do Fed de Atlanta, divulgado na semana passada (02/04), apontam para uma desaceleração da economia, com o PIB crescendo 1,6% no 1T26, conforme mostra o gráfico logo abaixo.

Portanto, o que podemos inferir é que independente do motivo, seja pelas tarifas, pelo forte inverno, devido ao aumento de custos e pressões inflacionárias, receios dos consumidores e/ou mesmo pela redução de gastos do governo, a verdade é que ocorreu uma desaceleração no nível de atividade nesse primeiro trimestre de 2026 ante o patamar alcançado no fim de 2025.

Fonte: GDP Now do Fed de Atlanta, 02/abr/2026

Por fim, a semana passada também forneceu uma fotografia do mercado de trabalho americano.

O Relatório Nacional de Emprego da ADP, divulgado na quarta-feira (01), mostrou que o setor privado dos Estados Unidos criou 62 mil novas vagas em março, número acima das expectativas do mercado de apenas 40 mil novas posições, e representa uma leve desaceleração em relação ao dado revisado no mês anterior (66 mil vagas). De acordo com a economista-chefe da ADP, Nela Richardson, as contratações se mantiveram estáveis, com o crescimento de vagas concentrado em setores como saúde e educação (58 mil vagas), e construção; enquanto áreas como comércio, transporte e utilidades públicas registraram perdas. O crescimento anual dos salários ficou em torno de 4,5%, com ganho ligeiramente maior para quem mudou de emprego (6,6%).

Na sexta-feira (03), o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS) divulgou o relatório de empregos não agrícolas de março de 2026, o Payroll. O resultado surpreendeu o mercado positivamente ao mostrar a criação de vagas bem acima do esperado, representando uma clara reversão em relação à contração observada no mês anterior.

De acordo com o Payroll foram criados 178 mil postos de trabalho, ante uma expectativa de 65 mil. O número de fevereiro foi revisado para baixo em 41 mil vagas, enquanto o de janeiro foi revisado para cima em 34 mil, totalizando 160 mil. Com isso, a média de criação de vagas dos últimos 3 meses ficou em 68 mil. Além disso, devido ao forte aumento de postos de trabalho, a taxa de desemprego recuou para 4,3%, contra 4,4% no mês anterior.

Se o número de vagas surpreendeu para cima, por outro lado, os salários para baixo, com crescimento menor do que o esperado. Os ganhos médios por hora subiram 0,2% no mês e 3,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, abaixo das expectativas de 0,3% e 3,7%, respectivamente. Esse foi o menor aumento anual dos salários desde maio de 2021.

Fonte: CNCB.com 03/abr/2026

Em suma, os dados de emprego divulgados na semana anterior mostraram um comportamento volátil do mercado de trabalho nos últimos meses. De fato, o número do Payroll de março surpreendeu positivamente pela força, com a criação de um elevado número de postos de trabalho, resultando inclusive em uma taxa de desemprego levemente menor. No entanto, os salários cresceram menos do que o esperado. Parte da explicação, para o número mais forte de vagas, está no retorno dos trabalhadores em greve no setor de saúde. Afinal, na média dos últimos três meses, o número de vagas está em 68 mil, o que denota um mercado de trabalho resiliente, ainda que não necessariamente forte.

A conclusão que podemos chegar a partir dos dados do Payroll e do ADP acima do esperado, somada a resiliência do mercado de trabalho e considerando as atuais pressões inflacionárias decorrentes da alta dos preços do petróleo, é que percebemos um menor espaço para cortes de juros no curto prazo.

Por fim, para finalizarmos essa bateria de indicadores e capturarmos uma fotografia completa da economia, precisamos dos dados de inflação que serão divulgados nessa semana.

Impactos no mercado

No mercado de juros, os títulos do Tesouro americano (Treasury bonds) tiveram uma semana de leve correções aos movimentos de alta nos rendimentos nas últimas semanas. Temos visto os preços dos bonds caírem e, consequentemente, os yields subindo. A curva continua inclinada para cima, com yields de curto prazo (2 anos) em torno de 3,8% e os de longo prazo (30 anos) mais altos, refletindo uma economia resiliente e cautelosa em relação a cortes de juros por parte do Federal Reserve. No geral, o ambiente é volátil e incerto, com os bonds ainda em patamares elevados de rendimento.

Nos mercados de commodities, após alguns dias de leves quedas no início da semana, o petróleo bruto disparou com força (em 2 de abril de 2026), subindo mais de 7-11% e chegando acima de US$ 100-110 por barril. Esse impulsionamento dos preços está ligado diretamente aos temores de interrupção no suprimento global devido às tensões no Oriente Médio e declarações agressivas do presidente Trump sobre o conflito com o Irã. Diante desse cenário, seguimos vendo o playbook de guerra dando o tom dos mercados de commodities na semana.

O mercado de ações seguiu vivendo forte volatilidade e influenciado pelo conflito no Oriente Médio envolvendo EUA, Israel e Irã. O driver (direcionador) geopolítico gera esperanças de desescalada, mas também frustrações à medida em que não há avanços concretos para uma resolução. 

Quanto aos setores da economia, o de Energia foi o grande destaque positivo, beneficiado pela alta do petróleo acima de US$ 100, junto com Defesa e Materiais, que ganharam com o ambiente de risco global. A Tecnologia mostrou desempenho volátil (pressão nos primeiros dias, mas recuperação forte no rally de terça), enquanto a maioria dos outros setores (Consumo discricionário, Industrial e Saúde) terminou o período no vermelho ou com ganhos tímidos. No geral, o mercado ficou nervoso, reagindo rapidamente às notícias de Trump e do Irã, com leve rotação para ativos mais cíclicos e small caps.

Medo no mercado? A resiliência do conflito aliada a incerteza em relação a uma resolução próxima tem sido a principal razão por trás das quedas recentes. Para acompanhar o sentimento do mercado, ferramentas úteis como CNN Fear and Greed Index, que mede o sentimento dos investidores no mercado de ações dos EUA, nos auxilia a entender se o mercado está sendo impulsionado mais por medo (fear) ou por ganância (greed). Atualmente, vemos que a correção atual fez com que o mercado voltasse a negociar em patamares de medo extremo, conforme gráfico abaixo. O interessante é que esse sentimento negativo, pode representar um bom momento para quem pensa em montar posição em ações nos EUA, dado a sua característica de funcionar como um indicador reverso.

Fonte: CNN Fear and Greed Index, em 02/abr/2026

Correção no múltiplo. No mercado de ações, em linha com o que havia comentado na Avenue Weekly da semana passada, devo salientar que vimos um ajuste no múltiplo ao qual o S&P 500 negocia. Isso quer dizer que: se as estimativas estiverem corretas em relação aos lucros das empresas, podemos inferir que a correção no múltiplo do índice foi grande.

Fonte: Dividendology on X, 28/mar/2026

Obviamente, nada garante que veremos uma alta, mesmo após as quedas recentes. Mesmo assim, para aqueles investidores que possuem pensamento de longo prazo, se aproveitar de momentos de incerteza e estresse que geram tais quedas, pode sim ser um fator decisivo na hora de investir. O gráfico abaixo traz o desempenho do S&P 500 após “drawdowns” (quedas) de 10, 20% e 30% em janelas de 1, 3 e 5 anos.

Fonte: DailyChartBook on X, 31/mar/2026

A semana que se inicia

Essa semana (6 a 10 de abril de 2026), o mercado deve caminhar focado nos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Em relação aos dados econômicos, estarão no foco dos investidores os índices de inflação, PCE e CPI, que serão divulgados na quinta-feira (09) e sexta-feira (10), respectivamente.

Além disso, na segunda-feira (06), teremos PMI de Serviços do ISM, e na quarta-feira (08), é a vez de conhecermos a ata da última reunião do Federal Reserve.

Abaixo, você pode conferir a nossa agenda de eventos econômicos da semana.

Resultados

O calendário de balanços corporativos é leve, com poucas empresas grandes reportando (exemplo: Levi Strauss), o que deve limitar o impacto dos resultados trimestrais.

A seguir confira a divulgação de resultados dessa semana:

William Castro Alves
@willcastroalves
Aquele abraço!
Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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