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Conflito no Oriente Médio se estende e pesa sobre os mercados

Por William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue

30 mar 2026

A semana que passou

Conflito EUA X Irã

Entramos na quinta semana da escalada direta dos EUA e Israel contra o Irã, e o quadro continua volátil. O conflito, que começou como uma operação cirúrgica para degradar capacidades militares e nucleares iranianas, já se transformou em uma guerra de atrito multifrontal, com impactos diretos sobre preços de energia e rotas marítimas, que geram sentimento de risco global.

A escalada no Oriente Médio continua dominando os mercados globais, com seus ataques intensos à infraestrutura militar iraniana, retaliações com mísseis balísticos e drones, além de tensões crescentes na fronteira com o Líbano. A organização política e paramilitar xiita, Hezbollah, intensificou significativamente suas ações, enquanto Israel ampliou operações aéreas e terrestres para degradar capacidades inimigas.

Linha do tempo com os principais eventos da última semana:

Quais são os impactos gerados?

Simples: alta crescente do petróleo. Afinal, uma vez que não houve alteração na situação do bloqueio ao Estreito de Ormuz, o maior impacto da guerra segue sendo sentido na commodity. Para se ter uma noção, o gráfico abaixo mostra a movimentação média no estreito (barra cinza) acumulada em fevereiro, comparada com a diária em março.

Fonte: The DailyShot 27/mar/2026

A semana também foi marcada pelos esforços diplomáticos frustrados envolvendo o conflito no Oriente Médio.

A administração Trump enviou ao Irã, por intermédio do Paquistão, um plano de 15 pontos com objetivo de tentar encerrar o conflito. As exigências centrais incluíam: desmantelamento dos principais sites nucleares iranianos, fim do enriquecimento de urânio em solo iraniano, suspensão do programa de mísseis balísticos, redução drástica do apoio a proxies regionais (como Hezbollah e Houthis) e reabertura completa do Estreito de Ormuz. Em contrapartida, o plano prevê que os EUA oferecerão alívio significativo de sanções e apoio ao programa nuclear civil supervisionado.

Trump declarou publicamente que as conversas estavam “indo muito bem”, que o Irã havia concordado com o ponto principal (nunca desenvolver arma nuclear) e que havia tido progresso em contatos indiretos com figuras do alto escalão. O presidente americano também decidiu pausar temporariamente os bombardeios às instalações energéticas iranianas e estender o ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz (agora, até 6 de abril), citando avanços nos diálogos.

Fonte: Reuters.com 23/mar/2026

Todavia, do lado iraniano, a resposta pública foi de rejeição, de modo que as autoridades chamaram a proposta de “unilateral e injusta”, argumentando que isso imporia desarmamento em troca de promessas vagas. Ainda assim, fontes indicam que Teerã manteve a porta entreaberta para contatos indiretos, com Paquistão e Turquia atuando como mediadores. Não há agenda formal de negociações diretas até o momento, mas os sinais mistos sugerem que ambos os lados buscam uma saída controlada, mesmo enquanto a guerra de atrito prossegue no terreno.

Em suma, acompanhamos uma situação indefinida, onde cada dia a mais de guerra significa um preço de petróleo mais elevado com consequências indesejadas para o mundo ocidental. O Irã segue jogando com o tempo como seu aliado, na expectativa de cansar os esforços de seus adversários ou minar a sua capacidade de defender o conflito perante a sua população. Outro ponto, um tanto preocupante é a entrada oficial de outros países no conflito, como o Líbano e o Iêmen, uma vez que podem dar novos contornos ao conflito e contribuir para geração de pressões e volatilidade no mercado.

Impactos no mercado

Ações. A última semana foi marcada por forte volatilidade e pressão negativa nos principais índices americanos, com o S&P 500 registrando a quinta queda semanal consecutiva e depois confirmando correção (queda superior a 10% da máxima). Os principais drivers foram: a escalada contínua do conflito no Oriente Médio (EUA/Israel x Irã e Hezbollah), que elevou temores de disrupção no suprimento de petróleo e renovou preocupações inflacionárias, e dados econômicos leves, que deixaram o foco nas notícias geopolíticas.

No campo de earnings, a temporada do quarto trimestre de 2025 continuou mostrando crescimento sólido de lucros (acima de dois dígitos pelo quinto trimestre consecutivo), porém as expectativas para o primeiro trimestre de 2026 foram revisadas ligeiramente para baixo. Setores de energia e utilidades se destacaram positivamente, beneficiados pela alta do petróleo, enquanto tecnologia, consumo discricionário, materiais e utilidades (em alguns dias) sofreram com aversão ao risco e reprecificação de juros. Small caps e value registraram desempenho relativamente melhor que large caps growth.

No momento, o que nos chama atenção quanto ao mercado de renda variável, é que apesar dos receios vigentes e normais em meio a uma situação volátil, existem alguns aspectos positivos a se destacar. Primeiramente, os resultados divulgados recentemente mostram uma situação em que as empresas possuem atualmente forte posição de caixa em nível geral e agregado (empresas do S&P 500) – vide gráfico abaixo.

Fonte: The DailyShot 27/mar/2026

Além disso, apesar dos receios e impactos da guerra, o mercado continua relativamente otimista com o crescimento de lucros das empresas do S&P 500. Não existe garantia nenhuma de que isso se tornará realidade, mas criou-se uma expectativa positiva, após a divulgação dos balanços do quarto trimestre de 2025, nos quais tiveram mais revisões para cima de projeções de lucros das empresas do S&P 500.

Fonte: The DailyShot 27/mar/2026

Essa movimentação aliada às quedas recentes ocasionaram uma correção no múltiplo do S&P 500. Apesar do mesmo ainda se encontrar em patamar elevado, é inegável que houve uma correção recentemente.

Fonte: The DailyShot 27/mar/2026

No mercado de Treasuries tivemos alta nos yields (queda nos preços dos bonds) ao longo da semana, pressionado pela combinação de risco geopolítico e temores de inflação renovada vinda dos preços do petróleo. O yield da Treasury de 10 anos chegou a máxima de 4,48%, enquanto o de 2 anos avançou com mais força, chegando perto de 4%. Esse crescimento refletiu expectativas de um Fed com comportamento mais hawkish e menor probabilidade de cortes de juros em 2026. Em linhas gerais, a curva mostrou yields de curto prazo apresentando subida maior em comparação aos de longo prazo, possivelmente em resposta às preocupações inflacionárias.

A título de análise, o gráfico abaixo apresenta a movimentação dos yields de 2 (linha azul), 10 (linha preta) e 30 anos (linha vermelha) durante os últimos 12 meses. Em suma, após vermos os yields cederem em grande parte de 2025, o salto do preço do petróleo, que mexe com as expectativas de juros, tem feito os yields saltarem agora em 2026. Então, aqui temos duas observações: (i) para o investidor que carrega uma posição investida em bonds, deve estar vendo um impacto negativo nos preços dos seus títulos, resultado da marcação a mercado dos títulos; (ii) para quem não tem investimentos em renda fixa, os yields mais elevados podem tornar o momento atrativo para quem pensa em montar uma posição. 

Fonte: tradingview.com 28/mar/2026

No mercado de commodities, o petróleo segue roubando a cena, com uma performance extremamente volátil e com viés de alta, com preços oscilando em patamares elevados próximos a US$100/barril para o WTI, e gerando temores de choque inflacionário global – uma resposta aos riscos de disrupção no Estreito de Ormuz e ao prolongamento do conflito no Oriente Médio. Os metais preciosos, ouro e prata, apresentaram movimentos mistos, com quedas em alguns dias por realização de lucros e otimismo pontual de desescalada, porém mantendo a atratividade como ativos de refúgio em meio à incerteza geopolítica. Outras commodities energéticas e de metais também refletiram a tensão regional, com impactos em cadeias de suprimentos como alumínio e hélio.

A semana que se inicia

Depois de uma semana calma em termos de dados econômicos, como foi a anterior, iniciamos essa nova carregada de indicadores.

No calendário: a terça-feira (31) traz Chicago PMI, Confiança do Consumidor e o relatório JOLTs do mercado de trabalho; quarta-feira (01) tem ADP Employment, Vendas no Varejo e ISM Manufacturing PMI; e finalizamos na sexta-feira (03) com um grande destaque, o Relatório de Emprego de março (Non-Farm Payrolls), que pode influenciar fortemente as expectativas para os juros do Fed.

Confira abaixo a agenda de eventos econômicos da semana!

Resultados

Acompanhe abaixo o calendário de resultados que serão divulgados essa semana:

William Castro Alves
@willcastroalves
Aquele abraço!
Estrategista-chefe da Avenue Securities

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William Castro Alves

William Castro Alves

Estrategista-Chefe da Avenue

Formado em economia pela UFRGS – RS. Em 2004, iniciou sua carreira na Solidus Corretora, com passagens pelo Koliver Merchant Bank e Banco Alfa. Foi sócio, analista-chefe e um dos principais porta-vozes da XP Investimentos. Também foi sócio e líder de gestão da VGRGestão de Recursos. Possui as certificações Series 7 e 24. É estrategista-chefe, sócio e porta voz da Avenue desde 2018.

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