Dados fizeram com que o mercado reprecificasse a curva de juros americana, em uma semana de petróleo ainda acima dos US$ 100 e na contagem regressiva das eleições aqui no Brasil.
Ah, e antes que eu me esqueça, esse texto não foi feito com inteligência artificial!

Dados trazem uma fotografia da economia americana
A semana teve uma agenda econômica densa, mas quatro são os dados essenciais reportados:
I. Variação de empregos privados da ADP: em setembro, o setor privado adicionou 90 mil vagas à economia americana, acima dos 73 mil previstos pelo mercado e dos 36 mil da leitura anterior.
II. Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE): a leitura aqui foi de uma inflação anualizada de 3,4%, abaixo dos 3,7% projetados pelo mercado (ainda assim, acima da meta de 2% há mais de cinco anos). O núcleo do índice, que remove itens voláteis como alimentação e energia, veio em 3,0%, também mais ameno do que as estimativas.
III. Revisão do PIB: o crescimento do PIB no 2º trimestre de 2026 foi revisado positivamente de 1,5% para 2,2%. Consumo, investimento e exportações (mesmo com o aumento das importações) foram os fatores que impulsionaram a melhora na estimativa.
IV. Payroll: apesar da surpresa positiva na criação de empregos privados, o payroll dos Estados Unidos trouxe uma criação de 29 mil postos em setembro, bem abaixo dos 84 mil previstos pelos economistas. Além disso, leituras anteriores foram revisadas para baixo (em 60 mil empregos a menos do que o previsto anteriormente), e o crescimento dos salários recuou para o nível anual mais baixo desde o início de 2021.
Com o payroll mais fraco e uma inflação mais branda do que o esperado, a leitura que fica para o mercado é que o Fed não precisa ter pressa para elevar os juros nos Estados Unidos.
Como a curva de juros americana se comportou na semana
O consenso do mercado mudou. Agora, não se espera mais um corte de juros na próxima decisão, em 28 de outubro, mas sim na decisão de dezembro.
Consolidando esse cenário, as taxas (yields) das treasuries curtas, de até 2 anos, fecharam a semana em queda. Já as taxas das treasuries de 10 anos seguem perto das máximas recentes. Na sexta-feira, após o relatório de empregos mais fraco do que o esperado, os yields dos títulos de 10 anos recuaram por um breve momento, mas logo voltaram a subir e fecharam em 5,27%.

Petróleo: alívio vindo dos estoques
O G7 anunciou uma liberação coordenada de 100 milhões de barris de petróleo e diesel das reservas emergenciais, a ser distribuída ao longo de quatro meses. Os estoques ajudam a reduzir a escassez imediata, principalmente de diesel, mas a medida não resolve os riscos de oferta e transporte no Oriente Médio.
Na semana, também tivemos a China restringindo a exportação de gasolina para o resto do mundo, visando proteger sua economia local. O petróleo Brent permanece acima dos US$ 102 por barril no fechamento da semana, preço ainda muito superior ao patamar de US$ 70 em que era negociado antes do conflito.

Tic-tac para as eleições no Brasil
O próximo presidente da república será responsável por indicar quatro ministros para o STF, ou seja, mais de 1/3 das 11 cadeiras. Somando a isso as expectativas que o mercado tem sobre a gestão fiscal de cada candidato, a volatilidade no câmbio e na curva de juros local fica justificada.
Quem ganhará o primeiro turno? É uma resposta que você, lendo este artigo na segunda-feira, já tem em mãos. Mas há outras duas perguntas que eu gostaria de responder nesta edição:
O que acontece caso um lado ou outro ganhe? O dólar cai ou sobe?
Isso depende da percepção de risco do mercado, mas, olhando para o comportamento do câmbio nas eleições desde a virada do milênio, conseguimos ver que, via de regra, a variação do dólar frente ao real tende a ser explicada, em grande parte, pelo pano de fundo do dólar global (DXY). E se a dúvida existe, é porque a incerteza é real. Em cenários de incerteza, é preciso focar no que se controla: a forma como você estrutura seus investimentos.
Não vale a pena esperar as eleições passarem para investir no exterior?
Esperar o cenário perfeito é uma das principais armadilhas cambiais e, historicamente, se demonstrou uma estratégia ineficiente. A diversificação é sobre constância, não algo sazonal ou temporário, dependente de um potencial resultado eleitoral local.
Não é a foto, é o filme. Não é sobre 2027, é sobre sua vida financeira.
No radar para a semana
Segunda
- Feriado na China
- PMI dos EUA
Terça
- Feriado na China
- Balança comercial do Brasil
- Resultado de Constellation Brands²
Quarta
- Feriado e reservas cambiais na China
- Estoques de petróleo bruto e ata da reunião do FOMC nos Estados Unidos
Quinta
- Pedidos iniciais por seguro-desemprego nos EUA
- Resultado de Pepsico²
Sexta
- IPCA no Brasil
- Resultados de Delta Airlines²
Fontes: Investing e Nasdaq
Mas, no fim das contas, tudo isso é acessório… Importante é saber que são necessárias mais de 563 mil urnas para colher os votos de todos os brasileiros, uma urna para cada 380 brasileiros!
Deixo aqui também para você a agenda econômica e de resultados para não tirar do radar.



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