Descubra por que os EUA continuam sendo o principal destino para investidores brasileiros em um mundo geopolítico instável e tecnologicamente dinâmico.
18 jul 2025
Dando continuidade à programação do segundo dia do Avenue Connection 2025, Marcos Troyjo subiu ao palco para falar sobre o papel dos Estados Unidos na economia global, revelando como o cenário internacional está mudando e por que o Brasil precisa reagir com estratégia.
O economista e cientista político foi enfático: mesmo diante das turbulências geopolíticas, da revolução tecnológica e da ascensão de novas potências, os Estados Unidos seguem sendo o centro gravitacional econômico.
A partir dessa premissa, Troyjo construiu uma apresentação provocadora, que misturou dados contundentes, humor e uma leitura afiada das transformações em curso, bem como dos riscos de um Brasil ainda excessivamente voltado para dentro.
A seguir, reunimos os principais insights e reflexões desse painel que conectou o presente e o futuro dos investimentos globais.
Para abrir a conversa, o palestrante retomou um clássico da literatura de negócios: “O Mundo é Plano”, de Thomas Friedman, publicado há 20 anos. A obra virou um manual da globalização para quem atua com finanças, cadeias logísticas e investimentos internacionais.
O exemplo da “bola de vôlei feita no mundo”, traduz bem o espírito da época: couro da Tailândia, cola da Malásia, montagem na China e marketing no Brasil, resultando em um produto com etiqueta Made in China, mas que, na verdade, é Made in the World.
Esse modelo, no entanto, está sob pressão. Desde os anos 2000, o ambiente global mudou drasticamente. O que antes representava uma era de integração econômica irrestrita dá lugar a um contexto dominado pela geopolítica.
Basta lembrar como a guerra na Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio, o Brexit e a pandemia da Covid-19 revelaram um mundo mais fragmentado e volátil
Ao fazer referência à geopolítica, Troyjo frisou que o investidor brasileiro precisa ampliar sua visão e olhar além das fronteiras nacionais.
Para tanto, o especialista lembrou que é preciso ter em mente uma distinção fundamental: os eventos microgeopolíticos (como eleições e conflitos localizados) e os macrogeopolíticos (de impacto estrutural e duradouro). Ter essa lente pode fazer a diferença ao avaliar riscos e oportunidades.
E nesse cenário instável, segundo Troyjo, os Estados Unidos continuam sendo um porto seguro. Com ambiente regulatório flexível, inovação contínua e um mercado maduro, o país segue como destino prioritário para quem busca retorno com segurança.
“Tem uma música do Djavan que diz ‘seu coração é uma ilha a centenas de milhas daqui’. Às vezes, parece que estamos como que isolados do resto do mundo, desconectados da realidade global”, brincou. “
Em um segundo momento, o painel focou nas transformações que moldarão as próximas décadas, e nas oportunidades que elas trazem.
Um dos pontos centrais foi a redistribuição demográfica do planeta. Até 2050, a população global deve atingir 10 bilhões, concentrando crescimento em países como Nigéria, Indonésia e Paquistão.
Enquanto isso, 184 dos 193 países, inclusive o Brasil, devem enfrentar declínio populacional. Essa mudança trará efeitos relevantes sobre produtividade, consumo e crescimento econômico.
Apesar das incertezas internas, o Brasil tem ativos valiosos: alimentos, energia limpa, biodiversidade e minerais críticos. No entanto, para aproveitar esse potencial, precisa se integrar melhor ao comércio global e reduzir sua dependência do mercado doméstico.
Esse é justamente o ponto para o investidor: é hora de diversificar o portfólio e buscar exposição a ativos internacionais, com destaque para o mercado americano, que segue sendo um dos mais transparentes e inovadores do mundo.
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Abrir contaNão há como negar o impacto da tecnologia nos rumos da economia. Troyjo citou uma fala de Sam Altman, CEO da OpenAI, que resume o momento: a principal divisão no futuro será entre quem souber usar inteligência artificial, mesmo que de forma básica, e quem a ignorar.
Em um mundo cada vez mais orientado por dados, algoritmos e automação, investir em empresas com base tecnológica sólida pode fazer toda a diferença na geração de valor no longo prazo.
Outra questão citada foi a da imprevisibilidade da política, especialmente nos Estados Unidos. Na visão do cientista político, a volta de Donald Trump à presidência pode ser interpretada como o retorno da “Trumpulência”: turbulência política com impacto direto nos mercados.
Apesar da instabilidade, Troyjo reforçou que não se trata de fugir do cenário, e sim de aprender a operar nele. “Não dá para ser contra a chuva. É melhor aprender a correr na pista molhada”, enfatizou.
Essa adaptabilidade também vale para os investidores. Ter uma carteira exposta a diferentes regiões, setores e moedas é uma forma eficaz de enfrentar cenários incertos e capturar oportunidades globais.
Mesmo com as mudanças geopolíticas, os EUA continuam sendo o principal polo de inovação e capital do planeta. A renda per capita americana é hoje o dobro da média europeia, até o estado mais pobre do país supera indicadores de grandes potências como França e Reino Unido.
No mundo corporativo, o domínio é ainda mais evidente: empresas como Apple, Microsoft e NVIDIA já ultrapassam os US$ 4 trilhões em valor de mercado, mais do que bolsas inteiras da Europa.
Enquanto isso, a economia brasileira permanece relativamente desconectada. Em 2010, os EUA tinham uma economia seis vezes maior que a do Brasil. Hoje, essa diferença dobrou.
E no comércio exterior, o contraste é gritante: os EUA importam mais de US$ 3,6 trilhões por ano, mas o Brasil exporta apenas cerca de US$ 40 bilhões para lá.
O recado para os investidores brasileiros não poderia ser mais direto: muito além de uma estratégia de proteção, investir lá fora é uma forma de capturar o crescimento onde ele de fato acontece.
O painel encerrou com um alerta importante para o investidor brasileiro: diversificar o portfólio vai muito além da tradicional divisão entre renda fixa e renda variável. Em um mundo marcado por instabilidades e oscilações geopolíticas, é fundamental distribuir os investimentos entre diferentes produtos e regiões.
Portanto, diversificar investimentos internacionalmente não é apenas uma escolha inteligente: é uma necessidade estratégica para quem quer preservar seu patrimônio e aproveitar as melhores oportunidades do mercado global.
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