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Por Tomás Roque, Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue

01 fev 2026

Quinta-feira, 15 de janeiro, 10h35. O dia já começou corrido, muitas coisas acontecendo, reuniões, alinhamentos. Recebo a notificação no meu email pessoal: “Your CFA Program Level II Exam Results”. Coração dispara. Torço para o melhor; espero pelo pior. E, desta vez, o esperado superou a torcida. Não passei. Os primeiros momentos são tristes, você lembra de quantas horas estudou, quantas noites e manhãs abriu mão de outras atividades, e, sem dúvidas, o dinheiro envolvido neste processo. Tudo resumido em um resultado.

Depois do primeiro choque, você entra na plataforma para entender o quão perto ou distante ficou de passar na prova. E como agora existe uma pontuação, o pior sentimento é não passar por muito pouco. Vendo o copo meio cheio, essa não foi minha situação. Não fiquei tão próximo do MPS (Minimum Passing Score), a pontuação mínima para ser aprovado no teste. É possível ver, matéria por matéria, como você performou, entender o que foi bem e o que é preciso melhorar.

Áreas como Derivatives, Corporate Issuers, Financial Statement and Analysis e Quantitative Methods foram minhas piores notas, e faz sentido. São assuntos que não são tão próximos do meu dia a dia. E, de uma forma ou de outra, o conhecimento se consolida quando juntamos a teoria e a prática, com muitas conexões entre assuntos e temas. Já a parte de Economics e Alternative Investments foram as que eu melhor performei. E esses dois temas estiveram muito mais presentes do meu cotidiano, facilitando no momento da prova.

Apesar de não ter passado, é importante entender o motivo, e ser sincero consigo mesmo. Eu estudei bastante, mas não o bastante. O Level 2 é uma prova mais complexa, aprofundada, que exige um maior entendimento e aplicação do material estudado. A forma como você adquire esse conteúdo também é distinta do Level 1.

Enquanto no primeiro nível do CFA as questões são diretas, sente-se menos impacto da língua estrangeira, no segundo as questões são longas, envolvendo muitos temas e termos, e por não ser sua língua materna, a interpretação fica um pouco prejudicada, ainda mais considerando quase 4h30 de prova.

Tomás Roque

Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue

Nesses momentos, costumo repensar um pouco sobre o que deu certo e o que deu errado. Este último é mais nítido: não passei na prova, não obtive o resultado esperado. Mas gosto de olhar também para o que funcionou, e não só o aprendizado da matéria, que, inevitavelmente, absorvi uma parte. Percebo que fui amadurecendo, entendendo o que faz e o que não faz sentido. Eu tenho dificuldade de estudar de manhã, prefiro estudar depois do trabalho, porém notei que logo depois do trabalho talvez não tenha ajudado na retenção de todo o conteúdo, provavelmente de noite seria melhor.

Fiz vários testes para descobrir isso, e na minha rotina, ir à academia ou correr de manhã e deixar o período da noite funcionou um pouco melhor. Eu gosto de dormir mais cedo e acordar mais cedo, então treinar muito perto da hora de dormir acaba atrapalhando o sono. Não existe regra, certo ou errado. Na realidade, existe sim um errado, e ele é único para cada um. Estudar demanda tempo, dedicação, e por fim, cansa. Ficar se enganando que está “estudando” ou “lendo” o material é uma das piores decisões que podemos fazer. No fim do dia, você não aprende o que deveria, apenas passa na prova. Desse jeito, a certificações ficam ocas, viram uma casca apenas, com um interior vazio, sem aplicação prática.

Pensando nos meus próximos passos, farei algo um pouco diferente do que o esperado. Geralmente, quando os candidatos não passam, fazem a prova na próxima janela. Eu darei uma pausa. Vou arrumar a casa, colocar as coisas no lugar, e em breve marcarei o Level 2 novamente, agora com mais experiência, maturidade e autoconhecimento. Eu já sei um caminho que não funciona, preciso encontrar aquele que leve a outro resultado.

Neste primeiro semestre de 2026, terei outro foco, que, no momento atual, faz mais sentido para minha carreira. O texto do próximo mês será sobre ele, e farei questão de esperar até lá para contar.

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Tomás Roque

Analista de Treinamento e Conteúdo Sênior da Avenue

Formado em Economia pela UNESP com distinção e extensão em Business na Tampere University – Finlândia. Possui as certificações CGA, CGE e Series 99.

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