Home Colunistas

Chips, fronteiras e o preço da dependência

Por Fernanda Melo, Especialista de produtos de investimentos no Itaú Unibanco.

12 ago 2025

A discussão recente sobre a possibilidade de tarifas de 100% nos chips produzidos em Taiwan e na Coreia do Sul, levantada pelo presidente Donald Trump, pode parecer distante do dia a dia do investidor pessoa física brasileiro. Pero no mucho…

O caso dos semicondutores é um exemplo claro de como a concentração excessiva pode gerar vulnerabilidade.

Até meados dos anos 1980, boa parte da manufatura de chips ainda acontecia em solo americano, com empresas como Intel, Texas Instruments e Motorola liderando tanto em design quanto em produção. Mas a combinação de custos de mão de obra mais baixos na Ásia, incentivos governamentais agressivos em países como Taiwan e Coreia do Sul, e uma estratégia corporativa focada em reduzir gastos e terceirizar etapas produtivas, levou à transferência gradual da manufatura.

O marco mais claro desse movimento foi a ascensão da TSMC (fundada em 1987) e de fabricantes como a Samsung no início dos anos 1990, quando empresas americanas passaram a manter o design e a propriedade intelectual nos EUA, mas a produção física foi sendo feita cada vez mais em fábricas no Leste Asiático. A partir dos anos 2000, essa concentração se intensificou, e hoje mais de 70% da capacidade global de fabricação de chips avançados está na Ásia.

Taiwan e Coreia do Sul dominam a produção mundial dos chips mais avançados, e qualquer perturbação (política, militar ou comercial) gera repercussões imediatas no mercado global. Essa dependência cria riscos que vão muito além das fronteiras desses países, afetando desde empresas de tecnologia nos Estados Unidos até cadeias de produção no Brasil.

Para o investidor pessoa física, essa lógica é bastante familiar: concentrar demais os recursos em um único ativo, setor ou região aumenta a exposição a riscos imprevistos. Assim como governos e empresas estão discutindo a necessidade de diversificar suas cadeias de suprimentos, o investidor também deve diversificar seu portfólio.

Isso significa considerar não apenas ativos domésticos, mas também oportunidades internacionais, e não só nos Estados Unidos, mas em diferentes mercados e setores, de forma a diluir riscos geopolíticos e econômicos.

No caso dos chips, o ponto central não é adivinhar se a tarifa de Trump será implementada ou não, mas entender que eventos como esse acontecem com frequência no cenário global. E, quando ocorrem, impactam mercados de forma rápida e, muitas vezes, imprevisível. Um portfólio bem diversificado, com exposição a diferentes geografias e setores, tende a absorver melhor esses choques e preservar o patrimônio no longo prazo.

Fernanda Melo

Especialista de produtos de investimentos no Itaú Unibanco


O investimento global não é um luxo, é uma ferramenta estratégica. Ele permite que o investidor brasileiro se beneficie de tendências que podem estar fora do alcance do mercado local, como o crescimento de empresas ligadas à inteligência artificial, à transição energética ou à inovação biomédica. Ao mesmo tempo, ajuda a reduzir a vulnerabilidade a crises internas, sejam elas políticas, fiscais ou cambiais.

A mensagem final é simples: assim como o mundo não pode depender de um único polo para produzir chips, o investidor brasileiro não deve depender de um único mercado para fazer seu dinheiro crescer. Diversificar globalmente é, no fundo, adotar para a sua carteira a mesma lógica que as grandes economias estão tentando aplicar às suas cadeias produtivas uma proteção contra o imponderável e um caminho mais sólido para o crescimento sustentável.

Fonte: https://news.bloombergtax.com/international-trade/investors-arent-spooked-by-trumps-100-chip-tariff-threat

DISCLAIMER

Oferta de serviços intermediada por Avenue Securities DTVM. Avenue Securities Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (“Avenue Securities DTVM”) é uma distribuidora de valores mobiliários brasileiros, devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil (“BCB”) e pela comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). Os saldos disponíveis em Reais são mantidos na Avenue Securities DTVM Ltda., uma instituição financeira regulada. Os fundos detidos pela Avenue Securities DTVM não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Veja todos os avisos importantes: https://avenue.us/termos/.

As informações acima foram obtidas de fontes consideradas confiáveis, mas não garantimos que sejam precisas ou completas; não constituem uma declaração de todos os dados disponíveis necessários para tomar uma decisão de investimento, nem representam uma recomendação. Quaisquer opiniões são exclusivamente do autor e não refletem, necessariamente, as da Avenue Securities ou de suas afiliadas.

 A situação de cada investidor é única e você deve considerar seus objetivos de investimento, tolerância ao risco e horizonte de tempo antes de fazer qualquer investimento. Investir envolve risco e você pode incorrer em um lucro ou perda, independentemente da estratégia selecionada. O conteúdo acima não é uma recomendação para comprar ou vender qualquer ativo individual ou qualquer combinação de ativos.

Investimentos setoriais são empresas envolvidas em negócios relacionados a um setor específico. Estão sujeitos a uma concorrência feroz e os seus produtos e serviços podem estar sujeitos a uma rápida obsolescência. Existem riscos adicionais associados ao investimento em um setor individual, incluindo diversificação limitada.

O investimento internacional envolve riscos especiais, incluindo flutuações cambiais, diferentes padrões de contabilidade financeira e possível volatilidade política e econômica.nais associados ao investimento em um setor individual, incluindo diversificação limitada.

Fernanda Peres de Melo, CFP®

Economista com uma carreira construída na interseção entre investimentos e comunicação. Buscando traduzir a complexidade financeira para o dia a dia das pessoas, Fernanda carrega mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro, e atualmente ocupa a posição de especialista de produtos de investimentos no Itaú Unibanco.

Recomendado para você

Figure
13 jul 2025

Cibersegurança: a megatendência nada…

Figure
29 jul 2025

Os monopólios de tech também são…

As mais lidas

Figure
18 jul 2025

Estados Unidos e economia global: as …

Figure
17 jul 2025

Desafios da economia brasileira: Marcos…

Figure
28 ago 2025

Imposto de Herança nos EUA: como a…

Figure
11 ago 2025

Comportamento e dinheiro: lições de…

Avenue

Faça parte da vida global

Abrir conta