Por Marina Valentini, Estrategista de Mercados Globais, J.P. Morgan Asset Management.
17 out 2025
Setembro foi marcado pelo forte desempenho dos mercados globais, com as ações avançando 3,7% e os yields dos títulos permanecendo estáveis. Os mercados de ações da Ásia emergente lideraram o movimento, registrando alta de 8%, com destaque para Coreia, Taiwan e China. O dólar americano perdeu força frente à maioria das moedas estrangeiras, pressionado pelo corte de juros do Federal Reserve (Fed) e por dados mais fracos do mercado de trabalho. O ouro também teve um mês excepcional, subindo 10% em meio a riscos geopolíticos persistentes e compras de bancos centrais.
O mercado de trabalho dos Estados Unidos segue como foco central para investidores e autoridades. Em agosto, foram criados apenas 22 mil empregos, e o relatório JOLTS apontou estabilidade nas vagas e demissões, mas queda nas contratações e pedidos de desligamento, reforçando o ambiente de “não contrata, não demite”. A taxa de desemprego permanece historicamente baixa, em 4,3%, refletindo uma retração quase paralela na oferta e demanda de trabalho. Os sinais de fraqueza levaram o Fed a realizar seu primeiro corte de juros em nove meses, reduzindo a taxa para o intervalo de 4,00–4,25%. Apesar da maior visibilidade no curto prazo, o Fed segue cauteloso quanto aos riscos inflacionários, o que mantém a incerteza sobre novos cortes.
Com juros mais baixos, o custo de oportunidade de manter caixa excessivo aumentou, mas investidores devem ser prudentes ao alongar demais a duration, diante do prêmio de prazo crescente e do cenário fiscal global comprometido. Investir em renda fixa de duration intermediária (2-3 anos) pode ajudar a gerenciar o risco de reinvestimento e oferecer proteção em caso de queda, já que se espera uma inclinação maior da curva de yields. O ECB e o BoE mantiveram as taxas inalteradas, enquanto a possibilidade de alta de juros pelo BoJ diminuiu em outubro. Para o dólar, esse cenário pode significar fraqueza adicional, à medida que os diferenciais de juros se estreitam.
Os mercados continuam alternando entre otimismo e ceticismo em relação à inteligência artificial, mas setembro trouxe um novo entusiasmo, especialmente na Ásia. As ações de tecnologia chinesas tiveram forte alta, com o Hang Seng Tech Index subindo 14% no mês, impulsionado por apoio à indústria local de chips, maior investimento em IA e lançamentos de novos produtos. Na Coreia, os ganhos em tecnologia foram sustentados por reformas de governança corporativa sob a nova administração, ajudando a reduzir o chamado “Korea discount”. Após 15 anos de liderança dos mercados desenvolvidos, ajustar a exposição a emergentes é fundamental para capturar oportunidades globais em IA. Embora fabricantes de chips e os primeiros beneficiários da IA sigam com bom desempenho, é importante ampliar a exposição para a próxima onda de empresas favorecidas, como as de software e industriais.
Os cortes de juros pelo Fed, retomados sem uma recessão, podem continuar sustentando ativos de risco, incluindo ações americanas e crédito corporativo. No entanto, diante da alta concentração de mercado, diversificar entre diferentes regiões é essencial para mitigar riscos como a dependência excessiva do setor de tecnologia e do mercado amplo dos Estados Unidos. Para ações americanas, recomenda-se uma abordagem seletiva, especialmente diante dos valuations elevados. Além da tecnologia, setores como financeiros e serviços básicos podem continuar a se beneficiar das mudanças políticas e do avanço da inteligência artificial. Os títulos de renda fixa de duration intermediária seguem atrativos, principalmente se o mercado de trabalho americano enfraquecer ainda mais. Além disso, o mercado continua subestimando o potencial impacto inflacionário das tarifas, o que aumenta o interesse dos investidores por ativos reais, que oferecem proteção contra a inflação e retornos descorrelacionados.
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