Por Rodrigo Aloi, Head de Strategy and Research na HMC Capital
14 ago 2025
Depois de um desempenho acima da média em 2023 e 2024, o mercado de crédito global tem enfrentado um certo dilema ao longo de 2025: os retornos até aqui foram impulsionados por uma combinação quase perfeita entre o carrego oferecido pelos títulos e a compressão de spreads. Mas… e agora?
Chegamos ao limite? Os spreads estão apertados demais? Ainda há oportunidade?
Durante um evento realizado em São Paulo há duas semanas, Howard Marks, um dos maiores nomes da história do mercado de crédito, resumiu bem o momento: “high side of fair value / beginning of rich, but not in bubble territory either”. Em outras palavras, já não é a barganha de dois anos atrás, mas também não é hora de sair correndo. E, convenhamos, quando o assunto é valuation, há classes de ativos hoje bem mais caras do que crédito, o que ajuda a sustentar a atratividade dos fundos de crédito global mesmo após os expressivos retornos dos últimos 24 a 36 meses.
O fato é que o crédito global continua oferecendo um ponto de entrada interessante. Pode não ser mais o auge da distorção, mas ainda é um mercado que recompensa bem o investidor – principalmente quando comparado com o histórico de outras classes de ativos.
Vamos a alguns números:
Além disso, na comparação entre o investimento em crédito e ações, o próprio Howard Marks fez um lembrete importante: a natureza contratual do crédito é um diferencial. Se em ações o retorno vem de dividendos (decisão da empresa) ou da valorização (opinião do mercado), no crédito o retorno está pré-definido: você empresta, recebe juros e tem o capital devolvido no vencimento – salvo inadimplência. Em outras palavras, os fluxos de caixa são muito mais previsíveis.
Sim, os spreads estão abaixo da média histórica. Mas isso não significa necessariamente que o crédito ficou “caro”:
Para quem ainda se sente desconfortável com os níveis atuais de spread, vale lembrar: investir em crédito global não precisa ser sinônimo de comprar o índice passivamente.
Gestores ativos como a Oaktree têm flexibilidade para evitar emissores de maior risco, buscar nichos de mercado mais atrativos e ajustar a alocação geográfica de acordo com as melhores oportunidades. Um exemplo recente: a Oaktree tem aumentado sua exposição ao crédito europeu, em detrimento dos EUA.
Mas por que Europa?
Um relatório recente da Man Group aponta diversos fatores que tornam o crédito europeu especialmente atrativo no cenário atual:
Conclusão: o crédito global ainda tem muito a oferecer. Talvez estejamos mais próximos do fim do ciclo de compressão de spreads, mas isso não significa o fim da oportunidade. Com uma boa gestão e uma visão ativa, ainda é possível extrair valor – e o carrego atual continua sendo difícil de ignorar.
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